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Preservação oncológica: como é feita?

Por Equipe Origen

Publicado em 22/06/2023

A preservação oncológica é uma possibilidade que homens e mulheres, indicados ao tratamento de câncer, encontram na área de reprodução assistida, caso ainda queiram ter filhos futuramente.

Alguns tipos de câncer afetam diretamente os órgãos reprodutores, chegando a necessitar de tratamento cirúrgico para remoção dos órgãos acometidos. Quando é preciso tratar tumores em outras partes do corpo, a quimioterapia também pode ter impactos colaterais que deixam o paciente infértil.

A relação entre câncer e infertilidade tem sido cada vez mais discutida, especialmente em vista das possibilidades para que os pacientes mais jovens, sem prole constituída, possam ter filhos posteriormente.

Os tratamentos contra o câncer têm evoluído e oferecido taxas cada vez mais altas de sucesso. Ainda assim, há o risco de infertilidade, de modo que as pessoas que têm planos de ter filhos podem contar com outras áreas da medicina.

Veja, neste post, o que é preservação oncológica e quais são os procedimentos necessários para que seja feita!

Por que o câncer pode causar infertilidade?

O câncer, em si, somente pode causar infertilidade quando compromete os órgãos reprodutores. Tumores nos testículos ou nos ovários, por exemplo, que são as glândulas produtoras de gametas, colocam em risco a capacidade reprodutiva. Também é o caso de tumores na hipófise, glândula situada na base do cérebro, responsável por secretar hormônios que estimulam as funções ovarianas e testiculares.

De modo mais amplo, os tratamentos oncológicos apresentam, entre seus efeitos colaterais, o comprometimento da fertilidade. Existem diversas terapias para o câncer, entre as mais realizadas estão: quimioterapia, radioterapia e cirurgia para remoção dos tumores.

A quimioterapia é realizada com medicamentos que destroem as células cancerosas. Entretanto, o efeito pode ser indiscriminado, isto é, células saudáveis também são afetadas. Por consequência, algumas funções do organismo acabam prejudicadas.

O efeito da quimioterapia na fertilidade pode ser temporário. A intensidade dos danos depende da idade dos pacientes, da dose e do tipo de medicação utilizada. Além disso, as mulheres são orientadas a não engravidar durante o tratamento nem pouco tempo depois, devido ao risco de gerar fetos com defeitos congênitos, tendo em vista o efeito teratogênico dos medicamentos para câncer.

Outro tratamento oncológico importante, a radioterapia pode afetar as células germinativas que originam os óvulos e espermatozoides. O tratamento radioterápico é feito com radiação ionizante, capaz de destruir as células cancerígenas ou inibir sua proliferação. Quando aplicada na região pélvica ou abdominal, os pacientes têm alto risco de infertilidade.

Da mesma forma, a radioterapia para tumores na cabeça ou no pescoço pode causar danos no eixo hipotálamo-hipófise, interferindo na produção dos hormônios que regulam os processos reprodutivos.

Por fim, há casos que precisam do tratamento cirúrgico para retirada de órgãos reprodutores acometidos pelo câncer. A remoção de testículos, ovários ou útero deixa os pacientes definitivamente inférteis, ou seja, estéreis.

O que é preservação oncológica?

Preservação oncológica é uma técnica realizada no âmbito da reprodução assistida que consiste em coletar e congelar os gametas para ter chances de gerar filhos, no futuro. Tanto as mulheres quanto os homens podem preservar suas células reprodutivas.

Essa possibilidade deve ser discutida antes dos tratamentos de câncer. Os pacientes têm o direito de receber informações sobre os possíveis impactos das terapias oncológicas em sua saúde geral e em sua vida. A partir disso, são apresentadas as estratégias para preservação da fertilidade.

Chama-se preservação oncológica da fertilidade porque essa técnica foi desenvolvida, inicialmente, com o objetivo específico de ajudar pacientes com câncer. No entanto, outras cirurgias que colocam em risco a capacidade reprodutiva, como a remoção de endometriomas (cistos decorrentes de endometriose ovariana), também podem ser precedidas por técnicas de preservação da fertilidade.

Como a preservação oncológica é feita?

A preservação oncológica da fertilidade é realizada no contexto da fertilização in vitro (FIV), a partir da coleta dos gametas, os quais são colocados em criopreservação. Dessa forma, as células podem ficar congeladas por anos, sem perda de qualidade, até que os pacientes decidam prosseguir com o tratamento de reprodução.

A mulher passa, primeiramente, por estimulação ovariana, técnica feita com medicações hormonais que estimulam o desenvolvimento de vários óvulos. Antes da ovulação, prevista por exames de ultrassonografia pélvica e dosagens hormonais, os folículos ovarianos são aspirados e os óvulos são identificados em laboratório.

A técnica de criopreservação mais utilizada, atualmente, é a vitrificação, que garante o congelamento ultrarrápido de materiais biológicos, sem causar danos celulares.

Para preservação oncológica da fertilidade masculina, realiza-se a coleta de amostras de sêmen, normalmente por masturbação. Da mesma forma, o material é analisado e submetido à criopreservação.

Tanto a mulher quanto o homem podem, ainda, preservar suas chances de ter filhos, realizando o congelamento de embriões. Dessa maneira, quase todas as etapas da FIV são cumpridas. Quando os pacientes decidem dar sequência ao tratamento para engravidar, os embriões são descongelados e transferidos para o útero materno.

Já nos casos de congelamento de gametas, procede-se com o descongelamento, quando o casal decide tentar a gravidez, seguido da fertilização em laboratório, cultivo dos embriões e, por fim, a transferência para o útero.

Pacientes mais jovens, incluindo crianças que não tem gametas maduros para coletar, podem congelar tecido gonádico (ovariano ou testicular), o qual é reimplantado no corpo após o tratamento.

Além da preservação oncológica, é possível criopreservar gametas ou embriões não por razões médicas, mas pela decisão de postergar a gravidez. Essa técnica é chamada de preservação social da fertilidade e é indicada principalmente para mulheres que têm outros planos pessoais ou profissionais antes de engravidar, visto que a fertilidade feminina reduz a partir dos 35 anos.

Temos também um texto específico sobre fertilização in vitro, visite e conheça a técnica a fundo!