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FIV e hatching assistido

FIV e hatching assistido

A gravidez é um processo complexo que envolve diversas etapas. Desde o momento da concepção até o parto, o organismo passa por diversas mudanças que acompanham a evolução de cada fase. A correta implantação do embrião no endométrio, camada interna do útero, é fundamental para que a gravidez possa ocorrer.

A FIV (fertilização in vitro) é a técnica de reprodução assistida com maiores taxas de sucesso. Durante seu processo, podem ser utilizadas técnicas complementares com o intuito de auxiliar na superação de possíveis problemas específicos que possam causar tanto a infertilidade quanto posteriores complicações durante a gestação.

Para falar de FIV e hatching assistido, primeiro é necessário explicar o que é hatching, como ele ocorre e qual sua importância para o processo de gravidez.

O que é hatching ou eclosão?

O embrião é envolvido por uma camada de glicoproteína chamada de zona pelúcida, que está presente desde o óvulo. Quando o embrião chega ao útero, para que a implantação ocorra, ele precisa se livrar dessa camada.

Esse fenômeno se chama hatching. Não se sabe ao certo quais os reais mecanismos envolvidos nesse processo, mas parece haver uma pressão interna do próprio embrião, em estágio de blastocisto e ação de algumas enzimas do endométrio.

Essa camada tem o papel de, durante a fertilização, impedir a entrada de múltiplos espermatozoides no óvulo. Durante o desenvolvimento do embrião e passagem pela tuba uterina, mantém o embrião compactado para que não haja a perda de células pelo caminho e permite a fácil passagem pela tuba uterina a fim de chegar até a cavidade uterina.

Ela também serve como forma de proteção do embrião ao bloquear o acesso de micro-organismos e células imunológicas. Quando o embrião atinge o estágio de blastocisto, o que geralmente ocorre cerca de 5 a 6 dias após a fecundação, ele eclode dessa camada protetora e inicia-se o processo de implantação na parede uterina, etapa conhecida como nidação.

Essa eclosão é, portanto, essencial para que a gravidez ocorra, uma vez que, se o embrião não conseguir sair dessa camada protetora, não irá se implantar no tecido endometrial.

Como isso ocorre no contexto da FIV?

O processo de desenvolvimento do embrião durante a FIV ocorre em meio laboratorial, assim como a fecundação.

Após o encontro dos espermatozoides com os óvulos, os embriões gerados são mantidos em incubadoras de alta tecnologia para que cada etapa de seu desenvolvimento possa ser observada e para que os melhores embriões sejam escolhidos para serem transferidos ao útero.

O processo de hatching durante a FIV ocorre naturalmente, sendo uma das fases do processo de desenvolvimento embrionário e ocorre praticamente em simultâneo com a implantação.

O que é FIV e hatching assistido?

A taxa de implantação de embriões durante os procedimentos de reprodução assistida é alta. A técnica tem cerca de 40% a 50% de chance de gravidez, mas em alguns raros casos a implantação pode falhar por problemas na eclosão natural, impedindo que o embrião se fixe no útero e dê início à gestação.

Para resolver esses casos de falhas de implantação por distúrbios na eclosão natural, pesquisadores procuraram entender quais problemas causavam falhas na eclosão.

A partir disso, foram desenvolvidas técnicas complementares que visavam solucionar problemas que poderiam influenciar na implantação do embrião.

Desse modo, o hatching assistido consiste em uma técnica desenvolvida na década de 1990 e que tem indicações muito específicas. Nessa técnica, são feitos pequenos orifícios com uso de laser ou uma solução ácida, na zona pelúcida para facilitar sua eclosão (hatching).

Outra alternativa é o afinamento da zona pelúcia (zona thinning) que pode ser feito com laser ou pronase e assim facilitar a eclosão.

Uma outra alternativa foi descrita por nós de forma inédita. Nós removemos a zona pelúcida completamente e transferimos os embriões sem essa camada, conseguindo gravidez pela primeira vez. Essa técnica se chama transferência com blastocisto com zona-free.

Indicações do hatching assistido

Essa técnica é geralmente utilizada quando a zona pelúcida que envolve o embrião é demasiado espessa ou quando houve falhas sucessivas de implantação.

A espessura da zona pelúcida pode ser observada durante o processo de cultivo embrionário. O hatching assistido pode ser usado em casos de menor chance de gravidez associada a fatores como a idade da paciente (mulheres mais velhas) e de transferência de embriões descongelados.

Essa técnica não é, portanto, utilizada com frequência na FIV, sendo prerrogativa do médico fazer a análise de cada caso e a indicação.

O hatching assistido é uma técnica pouco utilizada porque casos de espessamento da zona pelúcida são raros.

Como essa técnica é realizada na FIV?

O hatching assistido é realizado pouco antes da transferência embrionária, após a realização do cultivo embrionário. Ela é feita por laser, técnica considerada mais precisa. No hatching, orifícios são feitos para facilitar a implantação do embrião no endométrio.

Existem também as técnicas mecânica e química, mas hoje raramente utilizadas por oferecerem riscos elevados de contaminação e comprometimento dos embriões.

A FIV é a técnica de reprodução assistida com maiores taxas de sucesso. Suas chances de uma gravidez bem-sucedida resultam também da utilização de técnicas complementares que visam contornar problemas específicos que podem ser um empecilho para a fecundação, o desenvolvimento embrionário ou o processo de nidação.

O hatching assistido é uma técnica que aumenta as possiblidades de implantação embrionária ao auxiliar o embrião a eclodir da camada que o protege e, dessa forma, conseguir fixar-se na parede uterina. Para saber mais, leia nosso texto especial sobre a técnica.

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Comunicado

Nota conjunta com atualização de posicionamento sobre a COVID-19 e os tratamentos de reprodução assistida

Informações complementares à nota emitida em 21 de março de 2020

A Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida – SBRA e a Red Latinoamericana de Reproducción Asistida – REDLARA, acompanhando as demais sociedades mundiais e face à presença da pandemia de Covid-19, emitiram comunicado em 17 e 21 de março de 2020. Globalmente, e na América Latina não foi diferente, ciclos iniciados foram completados, decisões de congelamento tomadas, transferências discutidas e, na maioria das vezes, postergadas. Desde o início, entendemos que poderiam haver situações a serem individualizadas, como os casos oncológicos, em que pacientes necessitariam com urgência da preservação de seus gametas previamente a procedimentos cirúrgicos ou eventual quimioterapia que pudesse afetar sua fertilidade futura. Ao mesmo tempo, havia outros casos susceptíveis de individualização.

Passados 30 dias, com novos dados sobre a Covid-19, reconhecendo novos cenários para diferentes países, regiões ou cidades, além da realidade de um período claro de extensão da pandemia, que a infertilidade é definida pela OMS como doença, assim como a própria OMS define o direito de autonomia dos pacientes e:

CONSIDERANDO que, sob a luz de novas evidências científicas, este posicionamento deverá seguir sendo atualizado em momentos sucessivos;

CONSIDERANDO que, segundo a literatura médica, não se identificou até o momento a presença de vírus nos gametas e tratos genitais masculino ou feminino;

CONSIDERANDO que, até o momento, não há evidências a respeito das repercussões do Covid-19 sobre a gestação inicial;

CONSIDERANDO a preocupação com relação às evidências científicas emergentes quanto à possibilidade de transmissão vertical – isto é, da mãe para o bebê;

CONSIDERANDO que os serviços de reprodução assistida devam seguir as recomendações governamentais, respeitando as particularidades locais;

CONSIDERANDO a observação das medidas de distanciamento social, com cuidados na preservação dos pacientes e equipes, quando da assistência;

CONSIDERANDO as condutas para mitigar a sobrecarga do sistema de saúde local;

CONSIDERANDO que o adiamento dos tratamentos de reprodução assistida abrange determinados casos extremamente sensíveis ao tempo e, portanto, inadiáveis, com risco de condenar pessoas a uma infertilidade irreversível – ou seja, esterilidade; e

CONSIDERANDO o respeito à autonomia do paciente,

RECOMENDAM que ciclos de reprodução assistida possam ser realizados sob juízo do profissional assistente, em decisão compartilhada com os usuários do serviço, de forma personalizada, fundamentados e bem documentados, com precaução e bom-senso, evitando-se transferências embrionárias neste momento.

Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida – SBRA
Red Latinoamericana de Reproducción Asistida – REDLARA


Referências