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Diagnóstico e primeiros passos

Diagnóstico e primeiros passos

Todos os casais que enfrentam dificuldades em ter filhos devem procurar um médico especialista em reprodução assistida. Em conjunto a esse profissional o casal irá buscar respostas e orientações sobre o melhor tratamento para as alterações identificadas  pelos diversos exames solicitados.

O diagnóstico da infertilidade é do casal, não só da mulher ou do homem. Por essa razão, no processo de avaliação ambos passam por uma detalhada consulta médica.

Observe-se, mais uma vez, que a presença de causa masculina de infertilidade não exclui a presença de fatores femininos concomitantes, por isso a pesquisa diagnóstica deve sempre envolver o casal.

A abordagem inicial da infertilidade começa por uma consulta ginecológica seguida de uma série de testes básicos. Na mulher, avaliamos níveis hormonais, ultrassonografia, histerosalpingografia. No homem o mais importante é a realização de um espermograma para avaliar a qualidade do sêmen. É de suma importância se considerar a idade da mulher e o tempo de infertilidade.

O tratamento será indicado a partir dos resultados de exames, idade da mulher e tempo de infertilidade. A Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva indica que 90% dos casos de infertilidade são tratados com medicamentos ou cirurgia.

Os medicamentos são hormônios que visam estimular a ovulação, e podem aumentar o risco de gravidez múltipla. A cirurgia tem como objetivo desobstruir as tubas, retirar miomas e refazer a anatomia original da pelve.

Existe ainda a alternativa de inseminação intrauterina, método no qual os espermatozóides são diretamente depositados no útero através de um fino cateter. Essa técnica é indicada para casos de fator masculino leve ou moderado e para ser realizada precisa que haja permeabilidade tubarea. É considerada uma técnica de reprodução assistida de baixa complexidade e apresenta uma chance de gravidez de aproximadamente 15% por ciclo.

A opção de reprodução assistida de alta complexidade é representada pela FIV ICSI. Nessa técnica, os óvulos são retirados dos ovários por punção dos folículos, fertilizados com o esperma em laboratório, os embriões são cultivados também em laboratório e, na sequência, transferidos para o útero.

A indicação do melhor tratamento a ser realizado irá depender de cada caso, baseado na historia do casal e dos resultados dos exames.

É imprescindível que o casal infértil procure auxílio do médico especialista para que possam juntos buscar a solução que melhor se adapte aos seus interesses e às suas necessidades. A medicina atual tem condições de oferecer alternativas de tratamento para realizar o sonhos dos casais que apresentem dificuldades.

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Comunicado

Nota conjunta com atualização de posicionamento sobre a COVID-19 e os tratamentos de reprodução assistida

Informações complementares à nota emitida em 21 de março de 2020

A Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida – SBRA e a Red Latinoamericana de Reproducción Asistida – REDLARA, acompanhando as demais sociedades mundiais e face à presença da pandemia de Covid-19, emitiram comunicado em 17 e 21 de março de 2020. Globalmente, e na América Latina não foi diferente, ciclos iniciados foram completados, decisões de congelamento tomadas, transferências discutidas e, na maioria das vezes, postergadas. Desde o início, entendemos que poderiam haver situações a serem individualizadas, como os casos oncológicos, em que pacientes necessitariam com urgência da preservação de seus gametas previamente a procedimentos cirúrgicos ou eventual quimioterapia que pudesse afetar sua fertilidade futura. Ao mesmo tempo, havia outros casos susceptíveis de individualização.

Passados 30 dias, com novos dados sobre a Covid-19, reconhecendo novos cenários para diferentes países, regiões ou cidades, além da realidade de um período claro de extensão da pandemia, que a infertilidade é definida pela OMS como doença, assim como a própria OMS define o direito de autonomia dos pacientes e:

CONSIDERANDO que, sob a luz de novas evidências científicas, este posicionamento deverá seguir sendo atualizado em momentos sucessivos;

CONSIDERANDO que, segundo a literatura médica, não se identificou até o momento a presença de vírus nos gametas e tratos genitais masculino ou feminino;

CONSIDERANDO que, até o momento, não há evidências a respeito das repercussões do Covid-19 sobre a gestação inicial;

CONSIDERANDO a preocupação com relação às evidências científicas emergentes quanto à possibilidade de transmissão vertical – isto é, da mãe para o bebê;

CONSIDERANDO que os serviços de reprodução assistida devam seguir as recomendações governamentais, respeitando as particularidades locais;

CONSIDERANDO a observação das medidas de distanciamento social, com cuidados na preservação dos pacientes e equipes, quando da assistência;

CONSIDERANDO as condutas para mitigar a sobrecarga do sistema de saúde local;

CONSIDERANDO que o adiamento dos tratamentos de reprodução assistida abrange determinados casos extremamente sensíveis ao tempo e, portanto, inadiáveis, com risco de condenar pessoas a uma infertilidade irreversível – ou seja, esterilidade; e

CONSIDERANDO o respeito à autonomia do paciente,

RECOMENDAM que ciclos de reprodução assistida possam ser realizados sob juízo do profissional assistente, em decisão compartilhada com os usuários do serviço, de forma personalizada, fundamentados e bem documentados, com precaução e bom-senso, evitando-se transferências embrionárias neste momento.

Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida – SBRA
Red Latinoamericana de Reproducción Asistida – REDLARA


Referências