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Hidrossalpinge: diagnóstico e tratamento

Por Equipe Origen

Publicado em 19/01/2022

A hidrossalpinge é o acúmulo de líquidos ao redor ou no interior das tubas uterinas, normalmente decorrente de processos inflamatórios e infecciosos na estrutura tubária, com alto risco de provocar infertilidade feminina.

As tubas uterinas são estruturas ocas, cujas paredes são compostas por tecido muscular e mucoso.

Essas estruturas conectam bilateralmente o útero aos ovários e, por isso, sua função central é permitir o transporte dos gametas para a fecundação e a condução do embrião ao útero, se a fecundação acontecer.

Quando processos infecciosos e inflamatórios atingem as tubas uterinas, pode formar-se a hidrossalpinge, uma resposta às agressões microbianas ou mecânicas, que possam ter desencadeado o processo inflamatório.

A hidrossalpinge é uma condição complexa, que demanda tratamento imediato, por isso seu diagnóstico deve ser feito o mais rapidamente possível, diminuindo as chances de dano à função reprodutiva feminina.

Este texto mostra como é feito o diagnóstico e o tratamento da hidrossalpinge. Aproveite a leitura!

Entenda como identificar a hidrossalpinge

A maior parte dos sintomas da hidrossalpinge é resultado do processo inflamatório tubário que está por trás da doença. Assim como em qualquer inflamação, na hidrossalpinge podemos observar três principais mudanças:

  • Aumento na permeabilidade dos vasos linfáticos e sanguíneos;
  • Aumento da temperatura local;
  • Acúmulo de líquidos (inchaço ou edema).

Isso acontece porque as lesões, provocadas por microrganismos e como sequelas de cirurgias tubárias, levam o sistema imunológico a convocar células de defesa do corpo para atuar no local. Para que isso aconteça rapidamente, é necessário potencializar a atividade vascular dos locais afetados, o que gera os sintomas mencionados.

Causas da hidrossalpinge

De forma geral, a hidrossalpinge pode ser provocada por agentes infecciosos, endometriose e danos mecânicos de cirurgias pregressas.

As ISTs (infecções sexualmente transmissíveis), especialmente a clamídia, estão entre as principais formas de contaminação das tubas uterinas. Na maior parte dos casos, a hidrossalpinge infecciosa é resultado da ascensão dos microrganismos que já estão parasitando o útero ou o colo.

Nos casos em que a hidrossalpinge é provocada por endometriose, não há o envolvimento de microrganismos e o quadro é exclusivamente inflamatório. Nessas situações, os focos endometrióticos localizados nas tubas uterinas tornam-se inflamados com a ação estrogênica do próprio ciclo reprodutivo, provocando o acúmulo de líquidos.

Sintomas da hidrossalpinge

A hidrossalpinge como resultado da contaminação por ISTs costuma ser precedida pelos sintomas típicos dessas infecções, no entanto, é possível que a mulher seja assintomática nos estágios iniciais da contaminação, fazendo com que os sintomas somente se manifestem quando a infecção atinge as tubas uterinas.

Entre os principais da hidrossalpinge, destacamos:

  • Sangramento fora do período menstrual;
  • Dispareunia (dor durante as relações sexuais);
  • Dor pélvica;
  • Corrimento vaginal atípico;
  • Febre;
  • Infertilidade.

Diagnóstico da hidrossalpinge

Especialmente nos casos em que a hidrossalpinge é infecciosa, é imprescindível que o diagnóstico seja feito rapidamente, já que a doença pode se alastrar e afetar outras estruturas, como ovários e demais órgãos da cavidade pélvica.

Nos casos assintomáticos, é comum que a mulher descubra a hidrossalpinge durante os exames ginecológicos de rotina. Se ela apresentar sintomas, devem ser acolhidos na primeira consulta, funcionando como base para a solicitação de exames que confirmem o diagnóstico de hidrossalpinge.

As testagens para identificação de possíveis ISTs, como causa primária do quadro de hidrossalpinge, devem ser solicitadas mesmo na ausência de sintomas infecciosos, como febre e corrimento vaginal atípico.

A testagem é importante principalmente porque essas doenças podem ser assintomáticas. Os exames para diagnóstico das ISTs podem ser feitos com uma amostra de sangue ou de tecido, coletada do colo do útero.

Também imprescindíveis para o diagnóstico da hidrossalpinge, os exames de imagem têm como principal função detectar a obstrução tubária típica desse quadro, além de avaliar a extensão do processo inflamatório que origina a hidrossalpinge.

A ultrassonografia pélvica pode ser feita já na primeira consulta e os resultados desse exame costumam orientar a necessidade de outros para o diagnóstico da hidrossalpinge. Quando a ultrassonografia não é conclusiva, a mulher pode receber indicação para realizar a histerossalpingografia, exame padrão-ouro para o diagnóstico de obstruções tubárias.

A histerossalpingografia é uma espécie de radiografia da cavidade pélvica, com a infusão de contraste via transvaginal para o preenchimento do útero e das tubas. As imagens obtidas nesse exame são mais precisas e costumam ser conclusivas para obstrução tubária.

O diagnóstico da hidrossalpinge é feito, então, com a avaliação dos resultados de todos os exames, que determinam também os tratamentos mais adequados para cada caso.

Tratamento da hidrossalpinge

O tratamento da hidrossalpinge depende diretamente das causas que originam o quadro, identificadas durante a investigação diagnóstica. Normalmente, a indicação inicial é a abordagem medicamentosa, incluindo antibióticos para o combate dos agentes infecciosos e anti-inflamatórios, que controlam os sintomas dolorosos e a inflamação como um todo.

Contudo, como a hidrossalpinge pode obstruir as tubas uterinas, parte do tratamento deve concentrar-se em reverter a obstrução, liberando a passagem no interior dessas estruturas. Para isso, a mulher pode receber indicação de intervenção cirúrgica nas tubas.

A cirurgia para desobstrução tubária e drenagem dos líquidos acumulados pela hidrossalpinge é feita comumente por videolaparoscopia, um procedimento minimamente invasivo guiado por um equipamento que fornece imagens em tempo real.

Nos casos mais graves, quando parte ou a totalidade das tubas foi comprometida pela infecção e pelos resultados do processo inflamatório local, pode ser necessária sua remoção total ou parcial, realizada também por videolaparoscopia.

Complicações da hidrossalpinge

Especialmente nos casos em que o diagnóstico e tratamento da hidrossalpinge não são feitos em tempo, a doença pode evoluir para uma inflamação crônica não somente das tubas uterinas, mas também de outras estruturas da cavidade pélvica, configurando um quadro geral de DIP (doença inflamatória pélvica).

No entanto, a principal complicação da hidrossalpinge, mesmo nos casos em que houve diagnóstico e tratamento adequados, é a obstrução das tubas uterinas, decorrente inclusive de sequelas como aderências cicatriciais resultantes da atividade imunológica e microbiana.

A obstrução das tubas provoca infertilidade feminina permanente e, nesses casos, somente a reprodução assistida pode auxiliar a mulher a ter filhos novamente.

Reprodução assistida nos casos de hidrossalpinge

Entre todas as técnicas de reprodução assistida – RSP (relação sexual programada), IA (inseminação artificial) e FIV (fertilização in vitro) –, somente a FIV pode ser indicada para infertilidade feminina decorrente das diversas formas de obstrução tubária.

Isso porque a técnica consiste principalmente em realizar a fecundação fora do corpo da mulher, com a posterior transferência dos embriões obtidos para o útero, dispensando a função tubária que é, porém, fundamental para as demais técnicas.

Ainda assim, aconselha-se que os tratamentos para a hidrossalpinge sejam feitos rigorosamente, mesmo com indicação para reprodução assistida, já que os processos inflamatórios e infecciosos podem afetar o endométrio, prejudicando o processo de nidação do embrião.

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