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É possível engravidar com miomas?

Por Equipe Origen

Publicado em 31/08/2020

Começar uma família é um dos acontecimentos mais importantes e, para a maioria dos casais, a jornada acontece sem problemas. No entanto, outros não são capazes de conceber.

A infertilidade é uma condição que afeta aproximadamente 1 em cada 6 casais. O diagnóstico considera a falta de sucesso em engravidar após um ano de relações sexuais sem proteção. Se durante o período não houver sucesso, é considerado infertilidade.

As causas femininas contribuem para aproximadamente 50% dos problemas e mesmo percentual é atribuído aos homens.

As principais causas são a obstrução tubária, endometriose, síndrome dos ovários policísticos (SOP) e miomas uterinos, por exemplo, estão entre as mais frequentemente registradas.

No entanto, existem diversos tipos de miomas e nem todos afetam a capacidade reprodutiva. Isso acontece principalmente quando eles crescem no interior da cavidade uterina.

Quer saber mais? Continue a ler este texto.

O que são miomas?

Miomas uterinos são tumores benignos que desenvolvem a partir da multiplicação de uma única célula do miométrio, camada intermediária do útero.

Também chamados leiomiomas, miomas uterinos são bastante comuns, com uma prevalência que pode ser de aproximadamente 70% durante o período reprodutivo. Algumas mulheres, entretanto, apresentam uma propensão maior para o desenvolvimento deles. É o caso das que possuem parentes de primeiro grau com a doença, de mulheres negras e das obesas.

Diferentes fatores podem estimular esse crescimento, entre eles a ação de hormônios femininos, em especial o estrogênio.

Existem diversos tipos de miomas, assim como eles podem ter tamanhos variados: poucos milímetros ou grandes dimensões. Embora sejam tumores benignos os miomas podem causar sintomas que comprometem a qualidade de vida das mulheres portadoras, incluindo sangramento abundante com cólicas entre os períodos menstruais e dor durante as relações sexuais.

Também podem ter um efeito adverso no resultado reprodutivo, de acordo com o local em que crescem, prejudicando a fertilidade ou complicando o curso e a conclusão de uma gravidez: quando crescem dentro da cavidade uterina, aumentam o risco de abortamento, da mesma forma que podem dificultar o desenvolvimento e sustentação da gravidez.

Os miomas uterinos também estão associados à complicações obstétricas, como placenta prévia (quando a placenta se implanta na parte inferior do útero, cobrindo parcial ou totalmente o colo uterino) , CIUR (condição em que o bebê não atinge o peso normal durante a gestação), trabalho de parto prematuro, taxa aumentada de cesariana e hemorragia pós-parto.

Tipos de miomas uterinos e relação com a fertilidade

Existem três tipos de miomas, classificados de acordo com a localização, critério que interfere na fertilidade, ou mesmo nos sintomas manifestados. Para definir os riscos que eles podem provocar na capacidade reprodutiva da mulher, também é importante a avaliação de informações como dimensão, quantidade e a comunicação entre as diferentes camadas uterinas: endométrio, miométrio e a camada externa, serosa, o perimétrio.

Uma mulher pode desenvolver um ou vários miomas. Eles podem crescer em um só local ou atingir dimensões que promovam a comunicação entre as camadas.

Os três tipos de miomas são:

  • Miomas submucosos: os miomas submucosos crescem para o interior da cavidade uterina, próximo ao endométrio, camada que reveste internamente o útero, na qual o embrião implanta e se desenvolve. Assim, podem causar falhas na implantação e abortamento. Também estão associados a complicações na gravidez, como por exemplo descolamento da placenta, parto prematuro e hemorragia pós-parto;
  • Miomas intramurais: os miomas intramurais são o tipo mais comum e crescem no miométrio. Podem ter poucos milímetros ou vários centímetros. Em maiores dimensões, por terem espaço limitado para o crescimento, podem invadir outras camadas, causar alterações nas tubas uterinas, comprometendo a fecundação, embora apenas mais raramente interfiram na fertilidade;
  • Miomas subserosos: crescem na parte externa do útero e como possuem maior possibilidade de crescimento podem atingir grandes dimensões. No entanto, esse tipo de mioma não provoca nenhuma alteração na fertilidade.

Mulheres com miomas podem ter a fertilidade alterada como consequência de diferentes mecanismos. Eles podem causar modificações no contorno endometrial interferindo na implantação, na anatomia do útero afetando o transporte e acesso dos espermatozoides às tubas uterinas e dificultando o desenvolvimento da gravidez, ou na contratilidade miometrial.

Além disso, podem causar distorção ou obstrução do óstio tubário, onde se conectam as tubas uterinas, inibindo a fecundação e, afetar a vascularização uterina, resultando em falhas na implantação do embrião.

É possível engravidar com miomas?

A grande maioria das mulheres com miomas consegue engravidar naturalmente. Quando eles causam infertilidade ou comprometem a anatomia uterina, geralmente é indicada a cirurgia.

Atualmente os miomas são removidos por técnicas cirúrgicas minimamente invasivas, que causam menor risco de danos à parede uterina. As anormalidades uterinas também são corrigidas durante a cirurgia. O procedimento é conhecido como miomectomia.

Depois que os miomas são removidos as mulheres geralmente conseguem engravidar. Porém, quando causam maior interferência na fertilidade a gravidez pode ainda ser obtida por tratamentos de reprodução assistida.

Como a reprodução assistida pode ajudar quando miomas causam infertilidade?

Em algumas situações, existe a indicação de tratamento por fertilização in vitro (FIV) e a paciente tem miomas.

Na FIV, óvulos são fecundados em laboratório e os embriões são posteriormente transferidos para o útero materno. Assim, quando eles interferem dificultando a fecundação, o problema é facilmente contornado, pois as tubas uterinas não possuem nenhum tipo de função nesse processo.

Se as anormalidades uterinas provocadas pelos miomas forem mais graves, impossibilitando a correção cirúrgica, é possível, ainda, contar com outra técnica complementar ao tratamento, o útero de substituição, na qual parentes das mulheres em tratamento, como mãe, filhas, tias, sobrinhas e primas, podem ceder o útero para o desenvolvimento da gravidez.

Os percentuais de sucesso proporcionados pelo tratamento com a utilização da técnica são bastante altos: aproximadamente 40% a cada ciclo de tratamento.

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