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Criopreservação

Criopreservação

A criopreservação é uma técnica de congelamento de células e tecidos biológicos, como espermatozoides, óvulos, tecido ovariano e embriões, em uma temperatura de 196 oC negativos, a fim de que possam ser utilizados posteriormente.

De que modo é realizada a criopreservação?

O primeiro passo é coletar os espermatozoides e os óvulos a serem colocados em criopreservação. Os gametas masculinos são obtidos pela masturbação. Os homens que não têm espermatozoides no sêmen ejaculado podem fazer a coleta por punção testicular. Já as mulheres precisam se submeter inicialmente à indução de ovulação.

Quando os folículos atingem o tamanho adequado, realiza-se a aspiração folicular para coleta dos óvulos. Trata-se de uma punção transvaginal guiada por ultrassom: a mulher se mantém em posição ginecológica e, com o auxílio de uma agulha fina, o líquido do interior dos folículos é aspirado. É realizado sob sedação e dura aproximadamente 10 minutos. O líquido aspirado é levado a um microscópio e os óvulos podem ser identificados.

Inicialmente, são colocadas no material a ser congelado, substâncias denominadas crioprotetoras, que têm duas funções principais: evitar a formação de cristais de gelo no interior dos espermatozoides, óvulos ou embriões, o que inviabilizaria seu uso posterior, e conservar suas estruturas internas.

A vitrificação é o método mais usado atualmente porque, de acordo com pesquisas recentes, é o procedimento que menos afeta os gametas e embriões e a taxa de congelamento é muito superior a outras técnicas: 2500 oC por minuto, portanto todo o processo leva cerca de 3 minutos. O descongelamento também é mais rápido, pois acontece a uma taxa de 300 oC por minuto.

A etapa final é a armazenagem em tanques de nitrogênio líquido, os quais mantêm a temperatura de -196 oC. Os materiais são colocados em palhetas identificadas e podem ficar congelados por tempo indeterminado. Há casos de gravidez depois de os embriões permanecerem criopreservados por mais de 20 anos.

Criopreservação de Oócitos

Tratamentos para o câncer pode prejudicar a fertilidade de crianças e mulheres em idade reprodutiva.  Hoje em dia um público crescente de mulheres que desejam adiar a da gestação por motivos pessoais ou profissionais cresce exponencialmente. Uma forma de manter a fertilidade para estas mulheres é  criopreservação de oócitos.

Para quem é indicada a criopreservação?

A criopreservação é indicada para preservar materiais coletados e ainda não utilizados em procedimentos como a FIV,  e podem ser utilizados futuramente.

Assim, casais em tratamento para infertilidade com as técnicas de Reprodução Assistida e que tenham uma quantidade excedente de embriões, óvulos e espermatozóides, podem mantê-los congelados para uso posterior, tanto para o caso de não haver gravidez (tornando desnecessário uma nova indução da ovulação) quanto para o caso de haver a gravidez e os casais desejarem um novo filho.

Mulheres e Homens que precisam se submeter a tratamento para Câncer, como Quimioterapia, Radioterapia ou cirurgia, podem ter seu futuro reprodutivo comprometido pelo tratamento. Para aqueles que não tem sua prole definida, a criopreservação é uma ótima alternativa.

Mulheres que desejam adiar a gravidez por motivos profissionais ou pessoais, também podem preservar seus óvulos e com isso minimizar os efeitos do tempo sobre a qualidade e quantidade de óvulos, uma vez que a mulher não produz óvulos. Com o passar dos anos (a partir dos 35 anos) a mudança na qualidade e diminuição na quantidade irá comprometer a chance de gravidez.

Nosso grupo publicou, nos últimos anos, uma série de estudos demonstrando que em algumas situações, a chance de gravidez é maior apos transferência de embriões que estavam criopreservados do que embriões a fresco.

Essa técnica se chama Freeze All e é indicada em mulheres com risco de Síndrome de Hiperestimulação Ovariana, elevação nos níveis de Progesterona, entre outros. O mais importante é individualizar, isto é, analisar cada caso individualmente.

Chances de sobrevivência dos óvulos/ embriões e gravidez

As taxas de sobrevivência de óvulos e embriões, apos o descongelamento, variam entre 90 e 95% e as taxas de gravidez, são semelhantes aos ciclos à fresco, dependendo da idade e da causa da infertilidade.

Como é realizado o descongelamento

O descongelamento é um procedimento em que se retorna o material criopreservado à temperatura corporal. É feito de forma inversa com a retirada dos crioprotetores e suplementação com meios de cultivo.

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Comunicado

SARS Cov-2 (COVID 19): vacinas, reprodução assistida e grávidas
• Posição atual conjunta •

03 de fevereiro de 2021

Grandes avanços dos estudos colaborativos incluem hoje pelo menos 85 vacinas pré-clínicas em investigação ativa em animais, 65 em ensaios clínicos em humanos, com 20 vacinas que chegaram aos estágios finais de testagem, sendo 12 já em uso em diferentes países/situações. As principais vacinas disponíveis estão constituidas por partículas de RNA mensageiro (Pfizer-Biontech e Moderna), vírus inativado (CoronaVac,Sinopharma e Covaxin, Bharat Biotech), com adenovirus (Oxford-AstraZeneca, Johnson&Johnson e Sputnik V, Gamaleya).

A pandemia segue, e neste momento a discussão se centraliza no uso das vacinas disponíveis e as pacientes submetidas às técnicas de reprodução assistida, grávidas e populações de risco entre as grávidas.

Nossas sociedades, avaliando também as diretrizes emitidas por sociedades mundiais como a ESHRE, a ASRM, a IFFS e a ACOG (SOGC), consideram que dentro da disponibilidade possível:

1) A vacinação tem efetividade e não induz a risco aumentado de contrair a infecção por Covid 19. Embora ainda não hajam estudos humanos de longo prazo sobre a vacinação contra Covid-19 e gravidez, nenhuma das vacinas contém vírus Sars Cov-2 vivo.

2) Para indivíduos vulneráveis,que apresentam alto risco de infecção e / ou morbidade por COVID-19, dentre os quais estão as grávidas, não receber a vacina supera o risco de ser vacinado, previamente ou durante a gravidez. Inclui-se ainda neste grupo os profissionais de saúde e aqueles outros, de linha de frente, com maior risco de exposição.

3) Não há razão para atrasar as tentativas de gravidez ou tratamentos de reprodução assistida quando de vacina não disponível ou se pacientes fora de grupos de risco.

4) Decisões da utilização (ou não) das vacinas devem ser compartilhadas entre pacientes e médicos, respeitando-se os princípios éticos de autonomia, beneficência e não maleficência.

5) Esta informação sobre vacinas deve ser incluidas como um termo específico em um consentimento informado já existente. Red Latinoamericana de Reproducción Asistida – REDLARA

6) Seguirão atualizações, a cada momento que novos conhecimentos solidifiquem os dados atuais.

  • REDLARA - Red Latinoamericana de Reproducción Asistida
  • SBRA - Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida
  • SAMeR - Sociedad Argentina de Medicina Reproductiva
  • AMMR - Asociación Mexicana de Medicina de la Reproducción
  • PRONÚCLEO - Associação Brasileira de Embriologistas em Medicina Reprodutiva
  • SAEC - Sociedad Argentina de Embriología Clínica
  • SOCMER - Sociedad Chilena de Medicina Reproductiva
  • ACCER - Asociación de Centros Colombianos de Reproducción Humana
  • SURH - Sociedad Uruguaya de Reproducción Humana
  • AVEMERE - Asociación Venezolana de Medicina Reproductiva y Embriología

Referências
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