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Endometriose

Endometriose

A endometriose é caracterizada pela presença de células do endométrio fora de seu local, sendo o mais comum a cavidade peritoneal. Apesar dos crescentes avanços nos métodos propedêuticos, não existe ainda um tratamento de consenso. De fato, não existe comprovação se a endometriose seria realmente uma doença ou apenas uma situação comum em parte da população.

Para algumas mulheres, ela causa dores (de intensidade leve a severa), dor durante e menstruação ou relação sexual ou infertilidade, mas em alguns casos, ela é assintomática.

Apesar disso, ela é uma das doenças femininas mais comuns, atingindo cerca de 10% a 15% das mulheres em idade reprodutiva. A taxa de mulheres inférteis diagnosticadas com endometriose é ainda maior. Estima-se que esteja na faixa de 30% a 60% dos casos.

Qualidade de vida e estigmas da Endometriose

Um dos sintomas mais comuns em pacientes com endometriose é a dor pélvica crônica. Ela afeta diretamente a qualidade de vida, pois impede a mulher de fazer as suas atividades diárias.

A cólica menstrual é um sintoma habitual durante a menstruação, no entanto, mulheres com endometriose sentem dores muito mais intensas e incapacitantes. Nesses casos, compressas de água morna e analgésicos não são suficientes para aliviar a dor. Como os sintomas são relativizados, é comum que a mulher ignore os sintomas e demore a procurar ajuda médica.

Resultado: o diagnóstico de endometriose é confirmado, em média, 6 a 7 anos após o aparecimento dos primeiros sintomas.

Causas da Endometriose

Algumas teorias foram propostas para tentar explicar a causa da endometriose, entretanto, o verdadeiro mecanismo permanece indefinido. A teoria mais aceita sugere que o refluxo de células endometriais pelas trompas, durante o período menstrual, seria a fonte dos focos ectópicos no peritônio pélvico. Pode haver também componentes genéticos e imunológicos associados.

Além disso, até o momento, não existe uma maneira de prevenir a doença.

Classificação da Endometriose

De acordo com as características morfológicas das lesões, a doença pode ser classificada em:

Endometriose peritoneal superficial

Caracteriza-se pela presença de tecido endometrial de forma superficial sobre a região do peritônio. As lesões possuem menos do que 0,5 centímetro de profundidade, sendo o tipo mais comum da doença.

Endometriose de ovário ou endometrioma

Endometriomas são cistos localizados nos ovários e podem estar associados à endometriose profunda.

Endometriose profunda

A endometriose profunda é caracterizada pela presença de implantes de tecido endometrial em uma profundidade superior à 0,5 centímetro. Os implantes de tecido endometrial atingem, principalmente, a região atrás do útero e no intestino.

A endometriose é multifatorial. Por isso, é muito comum que a paciente desenvolva mais de um tipo.

Outra classificação utilizada é a definida pela American Society of Reproductive Medicine (ASRM). Ela qualifica a endometriose em 4 estágios, de acordo o tamanho, a profundidade e a localização das lesões.

A endometriose tem como principais sintomas:

Os sintomas podem ter diferentes graus de intensidade, dependendo da paciente.

Diagnóstico da endometriose

A suspeita ocorre a partir das queixas clássicas de cólica menstrual progressiva, dor pélvica, dispareunia e infertilidade, sendo que até um terço das mulheres pode ser assintomática.

A associação entre a endometriose e infertilidade tem sido bastante estudada. Entretanto, esta relação foi comprovada apenas nas formas mais avançados, quando existe a presença de aderências, ou a alteração na relação entre os órgãos, e assim impedir a captação ou o transporte do óvulo.

Nas formas leve e moderado, a causa da infertilidade é ainda incerta, porém alguns estudos sugerem uma alteração no sistema imunológico, que poderiam ocasionar modificações no processo de fertilização ou transporte dos óvulos, espermatozoides ou embriões.

O ultrassom permite suspeitar de endometriose apenas na presença de cistos com mais de 1 cm. O diagnóstico definitivo da endometriose só é realizado através do estudo histopatológico, após biópsia, realizada por cirurgia ou videolaparoscopia.

O diagnóstico da endometriose é difícil, pois os seus principais sintomas podem ser confundidos com outras doenças, como a doença inflamatória pélvica, a síndrome do intestino irritável, entre outras.

Tratamento da endometriose

As possibilidades de tratamento da endometriose variam de acordo com o desejo da paciente de engravidar. O objetivo é controlar os sintomas no caso de dor e aumentar a chance de gravidez, no caso de infertilidade.

Para mulheres que não desejam gravidez, as principais indicações são para o tratamento da cólica, dor pélvica e dispareunia. Pode ser feita por medicamentos analgésicos e hormônios para inibir a endometriose até seu desaparecimento. É importante avaliar a taxa de sucesso e os efeitos colaterais.

A cirurgia tem como objetivo retirar os focos de endometriose e refazer a anatomia, quando esta apresenta-se distorcida. Pode ser feita por cirurgia convencional ou videolaparoscopia.

É mais indicada para mulheres que tem a prole definida, devido aos riscos de retirada dos ovários. Durante o procedimento, o médico retira todo o tecido endometrial da região sem danificar os ovários, assim, a fertilidade é preservada.

Além de ser a melhor alternativa para os casos de endometriose moderada e grave, a cirurgia também deve ser considerada quando o tecido endometrial bloqueia uma duas tubas uterinas ou quando os medicamentos não são suficientes para o alívio dos sintomas.

Caso os medicamentos não aliviem a dor e a mulher não planeje engravidar, uma outra alternativa é a remoção do útero (cirurgia chamada de histerectomia), que pode ser acompanhada da remoção dos ovários ou das tubas uterinas.

A endometriose e a reprodução assistida

Para mulheres com desejo de gravidez, quando as trompas estão pérvias e o sêmen normal, realiza-se a indução da ovulação associada ao coito programado ou inseminação intrauterina. Tem como objetivos direto aumentar a chance de gravidez, evitando-se os efeitos colaterais dos medicamentos hormonais.

Os mecanismos de ação neste caso são:

As taxas de gestação com estas técnicas estão em torno de 30 a 35% após 4 ciclos de tentativas.

Se existe comprometimento das trompas, quando não houve sucesso na indução da ovulação, ou se a mulher tem idade maior que 35 anos, o tratamento de escolha passa a ser a FIV (fertilização in vitro).

A técnica de FIV apresenta a vantagem de superar qualquer das prováveis causas atribuídas à endometriose para levar a infertilidade. O fato de se retirar os oócitos e colocá-los em contato direto com os espermatozoides, após indução da super-ovulação, permite se observar diretamente a fertilização e formação de embriões e, a transferência dos embriões diretamente para o útero da paciente.

As taxas de gravidez são semelhantes às encontradas para as demais indicações de FIV, variando de 15 a 55%, de acordo com a idade da mulher. De maneira semelhante ao descrito acima, pode ser utilizado após falha do tratamento inicial ou diretamente para se obter a gestação mais rapidamente.

O fato de não se haver confirmado se a endometriose, poderia determinar a infertilidade, fez com que o tratamento expectante fosse sugerido. Os resultados deste tipo de tratamento variam de 50% a 90% de gravidez, de acordo com idade da paciente e tempo de infertilidade.

A vantagem nesta opção terapêutica é a ausência de custo e efeitos adversos, porém a maior desvantagem é o fato de não se poder determinar um tempo específico de espera, devendo ser utilizado somente em mulheres jovens, com pouco tempo de infertilidade e sem desejo imediato de gestação. Assim, mulheres sem sintomas devem discutir com seu médico se existe necessidade de tratamento.

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Miriam J G Rosa
2 anos atrás

No caso de uma pessoa com 62 anos de idade, cujo endométrio retém uma espessa camada de sangue, deve ser retirado o endométrio? Mesmo sem biópsia já feita?

Valdirene Bicalho
1 ano atrás

Tenho endometriose…eu tenho 38 anos…já tenho um filho de 10 anos…tive um aborto a 7 meses… gostaria de saber se tenho chance de em gravidar naturalmente

Clínica Origen
1 ano atrás

Valdirene, obrigado pelo comentário. Primeiro precisamos avaliar qual o tipo da sua endometriose e os motivos do seu aborto, para que assim possamos passar um diagnóstico adequado. Agende uma consulta, ficaremos felizes em atende-la. Atenciosamente.

Shirley Costa
2 anos atrás

Meu nome é Shirley,tenho adenomiose e já passei por vários médicos, não resolve muito meu problema,me sinto cada vez pior,meu apetite sexual acabou,meu humor só piora. Não sei o que fazer, alguém me ajude achar um médico que possa me ajudar.

Clínica Origen
1 ano atrás
Reply to  Shirley Costa

Olá, Shirley. Entendemos o seu problema. Você não citou a cidade em que você mora, mas acesse o site e marque uma consulta na Clinica Origen mais próximo. Atenciosamente equipe Clínica Origen.

Edilene
2 anos atrás

Quando tem endometriose de 0.3cm ,no espaço reto_uterino,qual o melhor método para tratamento?

Clínica Origen
1 ano atrás
Reply to  Edilene

Olá, Edilene. A endometriose é uma doença complexa, e por isso tem que ser avaliada de perto. Sugiro que você agende uma consulta e apresente os seus exames, para que assim o especialista possa indicar o melhor tratamento. Atenciosamente.

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Comunicado

SARS Cov-2 (COVID 19): vacinas, reprodução assistida e grávidas
• Posição atual conjunta •

03 de fevereiro de 2021

Grandes avanços dos estudos colaborativos incluem hoje pelo menos 85 vacinas pré-clínicas em investigação ativa em animais, 65 em ensaios clínicos em humanos, com 20 vacinas que chegaram aos estágios finais de testagem, sendo 12 já em uso em diferentes países/situações. As principais vacinas disponíveis estão constituidas por partículas de RNA mensageiro (Pfizer-Biontech e Moderna), vírus inativado (CoronaVac,Sinopharma e Covaxin, Bharat Biotech), com adenovirus (Oxford-AstraZeneca, Johnson&Johnson e Sputnik V, Gamaleya).

A pandemia segue, e neste momento a discussão se centraliza no uso das vacinas disponíveis e as pacientes submetidas às técnicas de reprodução assistida, grávidas e populações de risco entre as grávidas.

Nossas sociedades, avaliando também as diretrizes emitidas por sociedades mundiais como a ESHRE, a ASRM, a IFFS e a ACOG (SOGC), consideram que dentro da disponibilidade possível:

1) A vacinação tem efetividade e não induz a risco aumentado de contrair a infecção por Covid 19. Embora ainda não hajam estudos humanos de longo prazo sobre a vacinação contra Covid-19 e gravidez, nenhuma das vacinas contém vírus Sars Cov-2 vivo.

2) Para indivíduos vulneráveis,que apresentam alto risco de infecção e / ou morbidade por COVID-19, dentre os quais estão as grávidas, não receber a vacina supera o risco de ser vacinado, previamente ou durante a gravidez. Inclui-se ainda neste grupo os profissionais de saúde e aqueles outros, de linha de frente, com maior risco de exposição.

3) Não há razão para atrasar as tentativas de gravidez ou tratamentos de reprodução assistida quando de vacina não disponível ou se pacientes fora de grupos de risco.

4) Decisões da utilização (ou não) das vacinas devem ser compartilhadas entre pacientes e médicos, respeitando-se os princípios éticos de autonomia, beneficência e não maleficência.

5) Esta informação sobre vacinas deve ser incluidas como um termo específico em um consentimento informado já existente. Red Latinoamericana de Reproducción Asistida – REDLARA

6) Seguirão atualizações, a cada momento que novos conhecimentos solidifiquem os dados atuais.

  • REDLARA - Red Latinoamericana de Reproducción Asistida
  • SBRA - Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida
  • SAMeR - Sociedad Argentina de Medicina Reproductiva
  • AMMR - Asociación Mexicana de Medicina de la Reproducción
  • PRONÚCLEO - Associação Brasileira de Embriologistas em Medicina Reprodutiva
  • SAEC - Sociedad Argentina de Embriología Clínica
  • SOCMER - Sociedad Chilena de Medicina Reproductiva
  • ACCER - Asociación de Centros Colombianos de Reproducción Humana
  • SURH - Sociedad Uruguaya de Reproducción Humana
  • AVEMERE - Asociación Venezolana de Medicina Reproductiva y Embriología

Referências
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