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Endometrite e falha de implantação: existe relação?

Endometrite e falha de implantação: existe relação?

A implantação do embrião na parede do útero representa o marco inicial da gravidez. No entanto, diversos fatores de infertilidade masculina ou feminina podem interferir nesse processo. Em relação às condições da mulher, uma das doenças uterinas que pode provocar falhas de implantação é a endometrite.

Miomas, pólipos endometriais e adenomiose também são exemplos de afecções uterinas que prejudicam a fertilidade feminina. Além dos problemas que acometem o útero, a mulher ainda pode encontrar dificuldades para engravidar devido a disfunções hormonais, infecções pélvicas e obstrução tubária — portanto, uma lista extensa de fatores de infertilidade.

Com o homem não é diferente. Há inúmeros casais que, ao procurar um médico para investigar as dificuldades de engravidar, descobrem que o problema está relacionado à quantidade ou à qualidade dos espermatozoides. Por trás disso, pode existir alguma condição patológica que necessita de tratamento, como varicocele, epididimite, entre outras.

Apesar do vasto leque de quadros que podem dificultar a reprodução de um casal, neste post, nosso objetivo é falar sobre endometrite e falhas de implantação embrionária. Acompanhe!

O que é falha de implantação?

A concepção humana envolve um complexo percurso, que começa com a gametogênese — produção de gametas. Os ovários são responsáveis pela maturação e liberação dos óvulos, assim como os testículos produzem os espermatozoides. Se o casal mantiver relações sexuais, sem métodos contraceptivos, durante o período fértil da mulher (dias próximos à ovulação), existem boas chances de os gametas se encontrarem.

A união entre o óvulo e o espermatozoide acontece em uma das tubas uterinas. Ali, o embrião se forma e começa o seu processo de divisão celular. Enquanto se desloca pela tuba em direção ao útero, o óvulo fecundado passa por sucessivas clivagens, o que representa o desenvolvimento embrionário.

Cinco dias após a fertilização, o embrião já atingiu o estágio de blastocisto e está pronto para se implantar na parede uterina. Contudo, determinadas condições podem ocasionar falhas de implantação e impedir que a gestação se confirme — seja por falta de um ambiente uterino apropriado, seja por baixa qualidade embrionária.

Os principais problemas relacionados às falhas de implantação embrionária são:

O que é endometrite?

Endometrite é uma inflamação na camada interna do útero, chamada de endométrio. A doença se apresenta em dois estágios: agudo ou crônico. No caso da endometrite aguda, podem existir sintomas que indicam o processo inflamatório, como dor, corrimento vaginal com mau odor, sangramento anormal e distensão abdominal.

Se não houver tratamento durante a fase aguda, a endometrite pode se tornar crônica e silenciosa, isto é, sem manifestação de sintomas. Dessa forma, a mulher pode descobrir o problema somente durante a investigação da infertilidade.

A endometrite é decorrente, na maioria das vezes, de infecção por microrganismos e pode ainda fazer parte de um quadro chamado doença inflamatória pélvica (DIP). Nesse caso, é comum a manifestação de outros processos infecciosos, como cervicite (inflamação no colo do útero), salpingite (nas tubas uterinas) e ooforite (nos ovários).

Por que a endometrite pode causar falha de implantação?

A endometrite é causa de falhas de implantação embrionária tanto nas tentativas de gravidez natural quanto na reprodução assistida. Isso acontece porque o ambiente uterino se torna inflamatório e inadequado para receber o embrião.

A receptividade endometrial é determinante para que a implantação ocorra. Em condições normais, os hormônios sexuais se encarregam de preparar o endométrio, no decorrer do ciclo menstrual, para o momento da fixação embrionária.

Para que não ocorram falhas de implantação, o endométrio precisa estar com a espessura adequada e boa vascularização, mas o estado inflamatório da endometrite modifica as características do tecido endometrial.

É possível ainda localizar micropólipos uterinos associados ao quadro de endometrite — são pequenas estruturas sobressalentes que se desenvolvem no endométrio e podem impedir que o embrião se fixe.

Quais são as técnicas da reprodução assistida indicadas para esses casos?

Antes de qualquer tentativa de gravidez, natural ou acompanhada pela reprodução assistida, é necessário tratar a endometrite para melhorar a receptividade endometrial. O tratamento é feito com antibióticos e anti-inflamatórios. Quando algum microrganismo causador de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) é identificado, o parceiro da paciente também precisa ser tratado.

A fertilização in vitro (FIV) é a técnica mais indicada da reprodução assistida para os casos de infertilidade por problemas uterinos. Se após o tratamento da endometrite a dificuldade de concepção persistir, ou se existirem outros fatores masculinos ou femininos associados, a FIV pode aumentar as chances de gravidez.

Leia mais um texto e aproveite para saber mais sobre as doenças que provocam infertilidade feminina!

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Comunicado

SARS Cov-2 (COVID 19): vacinas, reprodução assistida e grávidas
• Posição atual conjunta •

03 de fevereiro de 2021

Grandes avanços dos estudos colaborativos incluem hoje pelo menos 85 vacinas pré-clínicas em investigação ativa em animais, 65 em ensaios clínicos em humanos, com 20 vacinas que chegaram aos estágios finais de testagem, sendo 12 já em uso em diferentes países/situações. As principais vacinas disponíveis estão constituidas por partículas de RNA mensageiro (Pfizer-Biontech e Moderna), vírus inativado (CoronaVac,Sinopharma e Covaxin, Bharat Biotech), com adenovirus (Oxford-AstraZeneca, Johnson&Johnson e Sputnik V, Gamaleya).

A pandemia segue, e neste momento a discussão se centraliza no uso das vacinas disponíveis e as pacientes submetidas às técnicas de reprodução assistida, grávidas e populações de risco entre as grávidas.

Nossas sociedades, avaliando também as diretrizes emitidas por sociedades mundiais como a ESHRE, a ASRM, a IFFS e a ACOG (SOGC), consideram que dentro da disponibilidade possível:

1) A vacinação tem efetividade e não induz a risco aumentado de contrair a infecção por Covid 19. Embora ainda não hajam estudos humanos de longo prazo sobre a vacinação contra Covid-19 e gravidez, nenhuma das vacinas contém vírus Sars Cov-2 vivo.

2) Para indivíduos vulneráveis,que apresentam alto risco de infecção e / ou morbidade por COVID-19, dentre os quais estão as grávidas, não receber a vacina supera o risco de ser vacinado, previamente ou durante a gravidez. Inclui-se ainda neste grupo os profissionais de saúde e aqueles outros, de linha de frente, com maior risco de exposição.

3) Não há razão para atrasar as tentativas de gravidez ou tratamentos de reprodução assistida quando de vacina não disponível ou se pacientes fora de grupos de risco.

4) Decisões da utilização (ou não) das vacinas devem ser compartilhadas entre pacientes e médicos, respeitando-se os princípios éticos de autonomia, beneficência e não maleficência.

5) Esta informação sobre vacinas deve ser incluidas como um termo específico em um consentimento informado já existente. Red Latinoamericana de Reproducción Asistida – REDLARA

6) Seguirão atualizações, a cada momento que novos conhecimentos solidifiquem os dados atuais.

  • REDLARA - Red Latinoamericana de Reproducción Asistida
  • SBRA - Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida
  • SAMeR - Sociedad Argentina de Medicina Reproductiva
  • AMMR - Asociación Mexicana de Medicina de la Reproducción
  • PRONÚCLEO - Associação Brasileira de Embriologistas em Medicina Reprodutiva
  • SAEC - Sociedad Argentina de Embriología Clínica
  • SOCMER - Sociedad Chilena de Medicina Reproductiva
  • ACCER - Asociación de Centros Colombianos de Reproducción Humana
  • SURH - Sociedad Uruguaya de Reproducción Humana
  • AVEMERE - Asociación Venezolana de Medicina Reproductiva y Embriología

Referências
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