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Barriga de aluguel: o que é?

Barriga de aluguel: o que é?

O termo é popularmente conhecido como barriga de aluguel, mas a denominação correta dessa técnica é útero de substituição ou cessão temporária de útero.

Apesar da expressão popular, as normas éticas do Conselho Federal de Medicina (CFM) deixam bem claro que a técnica não pode ser realizada com caráter lucrativo ou comercial. Sendo assim, o termo barriga solidária traduz melhor o conceito do procedimento.

Acompanhe este post e entenda o que é barriga de aluguel, quando a técnica é indicada e como é realizada!

O que é cessão temporária de útero?

O útero de substituição é uma importante técnica da reprodução assistida, que permite que mulheres com problemas uterinos graves e casais homoafetivos masculinos consigam ter filhos. Nesse tipo de tratamento, uma mulher saudável se torna cedente e gera em seu próprio útero o bebê de um casal infértil.

De acordo com as regras do CFM, a cedente temporária de útero deve ser uma pessoa da família do casal que terá a criança, incluindo parentes de até 4º grau. Podem participar da técnica as seguintes familiares: mãe, filha, irmã, avó, tia, sobrinha e prima. Mulheres que não são familiares também podem participar, porém esses casos devem ser avaliados e liberados por uma comissão específica do CRM.

Essa proximidade com a gestante possibilita que o casal acompanhe de perto a evolução da gravidez e ofereça todo o suporte necessário para o desenvolvimento saudável do bebê.

Antes do procedimento, a cedente precisa passar por avaliação clínica e realizar os principais exames para verificar suas condições de saúde. Além dos aspectos físicos, a avaliação psicológica também é necessária. Isso porque se trata de uma experiência complexa, que demanda preparo emocional para lidar com questões como apego e separação da criança após o nascimento.

Quando a barriga de aluguel é indicada?

A cessão temporária de útero é indicada com mais frequência para casais homoafetivos masculinos. A técnica também é utilizada quando a mulher apresenta alterações graves na anatomia do útero, bem como nos casos em que há ausência do órgão. Entenda melhor cada uma das situações!

Casais homoafetivos masculinos

Os casais homoafetivos masculinos são bastante beneficiados com essa técnica. Além das lutas que já travaram e conquistas sociais que obtiveram nos últimos anos, como o próprio casamento civil, as pessoas homoafetivas agora podem realizar o sonho de ter filhos biológicos, graças aos recursos da reprodução assistida.

No caso dos casais masculinos, utiliza-se o sêmen do casal, e os óvulos utilizados são obtidos por doação, e os receptores jamais terão acesso à identidade da doadora e vice-versa.

Mulheres com fatores uterinos graves

Problemas uterinos, adquiridos ou congênitos, podem impossibilitar uma gestação ou oferecer riscos ao desenvolvimento fetal. É o caso das malformações Müllerianas, que consistem em anomalias na anatomia do útero. Os casos mais brandos nem sempre afetam a evolução da gravidez, enquanto os quadros mais graves são associados a abortamentos de repetição e parto prematuro.

Em raras situações, a mulher pode nascer sem o útero e outros órgãos do aparelho reprodutor. A paciente pode ainda apresentar ausência uterina em razão de cirurgia anterior para remoção do órgão (histerectomia).

Outras indicações

Situações que envolvem o risco de morte materna durante a gestação, em razão de quadros específicos de saúde como problemas cardíacos, também podem necessitar de uma barriga de aluguel.

Outro caso em que o útero de substituição pode ser utilizado inclui a reprodução independente de homens solteiros. Da mesma forma que mulheres podem optar pela maternidade independente, hoje o homem também tem a possibilidade de se tornar pai sem precisar de uma parceira.

Como a técnica é realizada no contexto da FIV?

A barriga de aluguel é uma técnica complementar dos processos de fertilização in vitro (FIV), e somente pode ser aplicada em conjunto com as demais etapas do tratamento.

De forma resumida, a FIV é dividida em 5 etapas principais:

  1. estimulação ovariana;
  2. coleta dos óvulos e preparação seminal;
  3. fertilização em laboratório;
  4. cultivo dos embriões;
  5. transferência dos embriões para o útero.

No tratamento dos casais homoafetivos masculinos ou homens solteiros que buscam reprodução independente, os gametas femininos são recebidos por meio da doação de óvulos. Então, já passando para a etapa seguinte, os espermatozoides são obtidos por masturbação e selecionados conforme os parâmetros de qualidade.

Em seguida, os óvulos são fertilizados e os embriões formados permanecem em cultivo embrionário durante os primeiros dias de divisão celular. Finalmente, ocorre a transferência dos embriões para o útero de substituição.

No caso das pacientes com problemas uterinos, a futura mãe passa pela estimulação ovariana para produzir um número maior de óvulos. Seus gametas são selecionados e fertilizados com os espermatozoides do parceiro. Após o cultivo embrionário, a cedente temporária de útero recebe os embriões.

Como vimos, a barriga de aluguel é uma técnica de alta relevância no âmbito da reprodução assistida e possibilita a gravidez mesmo para pessoas sem condições uterinas.

Agora, para se aprofundar ainda mais nesse tema, leia nosso texto institucional e obtenha mais informações sobre barriga de aluguel ou útero de substituição.

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Comunicado

SARS Cov-2 (COVID 19): vacinas, reprodução assistida e grávidas
• Posição atual conjunta •

03 de fevereiro de 2021

Grandes avanços dos estudos colaborativos incluem hoje pelo menos 85 vacinas pré-clínicas em investigação ativa em animais, 65 em ensaios clínicos em humanos, com 20 vacinas que chegaram aos estágios finais de testagem, sendo 12 já em uso em diferentes países/situações. As principais vacinas disponíveis estão constituidas por partículas de RNA mensageiro (Pfizer-Biontech e Moderna), vírus inativado (CoronaVac,Sinopharma e Covaxin, Bharat Biotech), com adenovirus (Oxford-AstraZeneca, Johnson&Johnson e Sputnik V, Gamaleya).

A pandemia segue, e neste momento a discussão se centraliza no uso das vacinas disponíveis e as pacientes submetidas às técnicas de reprodução assistida, grávidas e populações de risco entre as grávidas.

Nossas sociedades, avaliando também as diretrizes emitidas por sociedades mundiais como a ESHRE, a ASRM, a IFFS e a ACOG (SOGC), consideram que dentro da disponibilidade possível:

1) A vacinação tem efetividade e não induz a risco aumentado de contrair a infecção por Covid 19. Embora ainda não hajam estudos humanos de longo prazo sobre a vacinação contra Covid-19 e gravidez, nenhuma das vacinas contém vírus Sars Cov-2 vivo.

2) Para indivíduos vulneráveis,que apresentam alto risco de infecção e / ou morbidade por COVID-19, dentre os quais estão as grávidas, não receber a vacina supera o risco de ser vacinado, previamente ou durante a gravidez. Inclui-se ainda neste grupo os profissionais de saúde e aqueles outros, de linha de frente, com maior risco de exposição.

3) Não há razão para atrasar as tentativas de gravidez ou tratamentos de reprodução assistida quando de vacina não disponível ou se pacientes fora de grupos de risco.

4) Decisões da utilização (ou não) das vacinas devem ser compartilhadas entre pacientes e médicos, respeitando-se os princípios éticos de autonomia, beneficência e não maleficência.

5) Esta informação sobre vacinas deve ser incluidas como um termo específico em um consentimento informado já existente. Red Latinoamericana de Reproducción Asistida – REDLARA

6) Seguirão atualizações, a cada momento que novos conhecimentos solidifiquem os dados atuais.

  • REDLARA - Red Latinoamericana de Reproducción Asistida
  • SBRA - Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida
  • SAMeR - Sociedad Argentina de Medicina Reproductiva
  • AMMR - Asociación Mexicana de Medicina de la Reproducción
  • PRONÚCLEO - Associação Brasileira de Embriologistas em Medicina Reprodutiva
  • SAEC - Sociedad Argentina de Embriología Clínica
  • SOCMER - Sociedad Chilena de Medicina Reproductiva
  • ACCER - Asociación de Centros Colombianos de Reproducción Humana
  • SURH - Sociedad Uruguaya de Reproducción Humana
  • AVEMERE - Asociación Venezolana de Medicina Reproductiva y Embriología

Referências
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