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Cirurgia de endometriose e reserva ovariana: veja a importância da preservação da fertilidade

Cirurgia de endometriose e reserva ovariana: veja a importância da preservação da fertilidade

Alguns procedimentos clínicos podem afetar a capacidade de reprodução de mulheres e homens. Entre eles estão, por exemplo, os tratamentos oncológicos, que interferem na fertilidade de ambos os sexos e a cirurgia de endometriose, que pode comprometer seriamente a reserva ovariana, causando, em alguns casos, inclusive, infertilidade permanente.

Por isso, antes de submeter-se a qualquer tratamento que possa impactar a saúde reprodutiva, é aconselhada a preservação da fertilidade.

Este texto aborda os riscos proporcionados pela cirurgia de endometriose para a fertilidade feminina, destacando, ao mesmo tempo, os efeitos que a doença também provoca e como a fertilidade pode ser preservada. Continue a leitura até o final e saiba mais!

O que é reserva ovariana?

Reserva ovariana é o termo utilizado para definir a quantidade de folículos, bolsas que contém os óvulos, na parte externa dos ovários (córtex). As mulheres nascem com uma reserva ovariana de aproximadamente 1 milhão de folículos, segundo estudos.

Essa quantidade reduz para cerca de 300 mil na puberdade, evento marcado pela primeira menstruação, quando a mulher se torna apta para ser mãe: todos os meses durante a fase reprodutiva diversos folículos são recrutados, um deles se torna dominante, desenvolve, amadurece e rompe liberando o óvulo para fecundação (ovulação).

Os folículos recrutados que não desenvolveram são naturalmente eliminados pelo organismo, o que corresponde a mais ou menos mil por ciclo menstrual. Assim, a reserva ovariana diminui com o envelhecimento, até não existirem mais folículos, o que acontece na menopausa, quando ocorre a última menstruação.

No entanto, alguns fatores podem interferir na reserva ovariana durante a fase reprodutiva, resultando em distúrbios de ovulação e em infertilidade, a endometriose e a cirurgia para o tratamento da doença estão entre eles.

Por que a endometriose pode afetar a fertilidade feminina?

A endometriose é uma doença feminina bastante comum durante a fase reprodutiva. Sua principal característica é o crescimento de um tecido semelhante ao endométrio, que reveste internamente a cavidade uterina, fora do útero, geralmente em locais próximos como o peritônio, as tubas uterinas, os ovários e os ligamentos que sustentam o útero (uterossacros), embora também possa invadir outras regiões, como a bexiga e o intestino. As lesões podem ser em forma de implantes, aderências ou endometriomas.

O tecido ectópico provoca um processo inflamatório, que pode interferir na fertilidade desde o início da doença, classificada em quatro estágios de desenvolvimento e em três subtipos morfológicos.

Nos iniciais, I (mínima) e II (leve), as lesões são planas e rasas, localizadas principalmente no peritônio e geralmente não há a formação de aderências. O subtipo morfológico é endometriose superficial peritoneal.

No estágio III (moderada), já há múltiplos implantes e as aderências começam a formar nos ovários e tubas uterinas. O subtipo é endometriose ovariana e a principal característica é a presença de endometriomas, um tipo de cisto ovariano preenchido por líquido marrom.

No último estágio, o IV (avançado), múltiplos implantes já invadiram diversas regiões ao mesmo tempo e há presença de aderências densas e firmes, além de endometriomas. O subtipo nesse estágio é a endometriose infiltrativa profunda.

Os endometriomas, característicos dos estágios moderado e grave, podem levar a uma diminuição dos folículos localizados em torno deles, afetando, assim, os níveis da reserva ovariana.

Nos estágios mais avançado da doença, as aderências modificam as relações entre os órgãos do aparelho reprodutor e podem impedir a liberação do óvulo, quando localizadas nos ovários, e a captação deles ou o transporte dos espermatozoides, quando localizadas nas tubas uterinas. Com isso, podem, consequentemente, dificultar a fecundação.

Quando a cirurgia de endometriose é indicada?

A cirurgia de endometriose é indicada nos casos em que a dor é muito intensa e não pode ser resolvida com tratamentos clínicos.

O objetivo é a remoção de implantes e aderências que causam obstruções e endometriomas. No entanto, dependendo da região em que estão localizadas podem causar danos à permanentes à fertilidade feminina, ainda que seja realizada por uma técnica minimamente invasiva chamada videolaparoscopia.

Esse particularmente é o caso da remoção de endometriomas, que pode provocar danos ao tecido ovariano, resultando na perda permanente dos folículos ao redor e, consequentemente, na falência da função dos ovários.

Por isso, embora a cirurgia quando realizada por um profissional experiente possa ser bem-sucedida em muitos casos, as mulheres que serão submetidas ao procedimento geralmente são aconselhadas a preservar sua fertilidade para garantir a maternidade no futuro.

Como é feita a preservação da fertilidade feminina?

A preservação da fertilidade feminina é feita a partir do congelamento dos óvulos. Para obter uma maior quantidade, aumentando as chances no futuro, a mulher é submetida a um procedimento chamado estimulação ovariana. Ele é realizado com a utilização de medicamentos hormonais, semelhantes aos que atuam no processo reprodutivo, administrados desde o início do ciclo menstrual.

O desenvolvimento dos folículos é acompanhado por exames de ultrassonografia transvaginal periódicos, que permitem apontar com precisão o momento em que eles atingem o tamanho ideal para serem induzidos ao amadurecimento final e rompimento por novos medicamentos hormonais.

A ovulação acontece em aproximadamente 36 horas. Durante esse período os folículos maduros são coletados por punção folicular, procedimento em que uma guia com uma fina agulha e um aparelho de sucção são acoplados e guiados pelo aparelho de ultrassom.

Cada folículo é individualmente aspirado e posteriormente os óvulos extraídos e selecionados em laboratório para serem, então, congelados.

Assim, a gravidez pode ser obtida no futuro pelo tratamento de fertilização in vitro com ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoides). Na técnica, cada espermatozoide após ter passado por um processo de preparo seminal que seleciona os melhores, é novamente avaliado individualmente e injetado diretamente no citoplasma dos óvulos, garantindo, dessa forma, a fecundação de uma quantidade maior.

Muito importante lembrar que a presença da endometriose não interfere nos resultados da FIV, não sendo necessária a cirurgia antes do tratamento.

Os embriões são posteriormente cultivados por alguns dias e transferidos para o útero materno, onde implantam e desenvolvem até o nascimento.

Toque aqui e saiba mais sobre endometriose.

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Comunicado

SARS Cov-2 (COVID 19): vacinas, reprodução assistida e grávidas
• Posição atual conjunta •

03 de fevereiro de 2021

Grandes avanços dos estudos colaborativos incluem hoje pelo menos 85 vacinas pré-clínicas em investigação ativa em animais, 65 em ensaios clínicos em humanos, com 20 vacinas que chegaram aos estágios finais de testagem, sendo 12 já em uso em diferentes países/situações. As principais vacinas disponíveis estão constituidas por partículas de RNA mensageiro (Pfizer-Biontech e Moderna), vírus inativado (CoronaVac,Sinopharma e Covaxin, Bharat Biotech), com adenovirus (Oxford-AstraZeneca, Johnson&Johnson e Sputnik V, Gamaleya).

A pandemia segue, e neste momento a discussão se centraliza no uso das vacinas disponíveis e as pacientes submetidas às técnicas de reprodução assistida, grávidas e populações de risco entre as grávidas.

Nossas sociedades, avaliando também as diretrizes emitidas por sociedades mundiais como a ESHRE, a ASRM, a IFFS e a ACOG (SOGC), consideram que dentro da disponibilidade possível:

1) A vacinação tem efetividade e não induz a risco aumentado de contrair a infecção por Covid 19. Embora ainda não hajam estudos humanos de longo prazo sobre a vacinação contra Covid-19 e gravidez, nenhuma das vacinas contém vírus Sars Cov-2 vivo.

2) Para indivíduos vulneráveis,que apresentam alto risco de infecção e / ou morbidade por COVID-19, dentre os quais estão as grávidas, não receber a vacina supera o risco de ser vacinado, previamente ou durante a gravidez. Inclui-se ainda neste grupo os profissionais de saúde e aqueles outros, de linha de frente, com maior risco de exposição.

3) Não há razão para atrasar as tentativas de gravidez ou tratamentos de reprodução assistida quando de vacina não disponível ou se pacientes fora de grupos de risco.

4) Decisões da utilização (ou não) das vacinas devem ser compartilhadas entre pacientes e médicos, respeitando-se os princípios éticos de autonomia, beneficência e não maleficência.

5) Esta informação sobre vacinas deve ser incluidas como um termo específico em um consentimento informado já existente. Red Latinoamericana de Reproducción Asistida – REDLARA

6) Seguirão atualizações, a cada momento que novos conhecimentos solidifiquem os dados atuais.

  • REDLARA - Red Latinoamericana de Reproducción Asistida
  • SBRA - Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida
  • SAMeR - Sociedad Argentina de Medicina Reproductiva
  • AMMR - Asociación Mexicana de Medicina de la Reproducción
  • PRONÚCLEO - Associação Brasileira de Embriologistas em Medicina Reprodutiva
  • SAEC - Sociedad Argentina de Embriología Clínica
  • SOCMER - Sociedad Chilena de Medicina Reproductiva
  • ACCER - Asociación de Centros Colombianos de Reproducción Humana
  • SURH - Sociedad Uruguaya de Reproducción Humana
  • AVEMERE - Asociación Venezolana de Medicina Reproductiva y Embriología

Referências
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