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HPV pode afetar a fertilidade masculina?

Por Equipe Origen

Publicado em 27/06/2024

O HPV é uma doença infecciosa, muitas vezes silenciosa, mas que pode ter graves repercussões na saúde de mulheres e homens. Sabe-se que essa infecção está associada ao câncer de colo do útero, um dos cânceres femininos de maior incidência e que pode deixar sequelas no sistema reprodutor da portadora — mas será que a fertilidade masculina também é afetada?

A capacidade reprodutiva do homem é um tema importante e que ainda pode passar despercebido para pessoas com menos acesso à informação. Isso porque, por muito tempo, foi comum associar a infertilidade exclusivamente às mulheres. Hoje, é fato conhecido que os homens também podem ser inférteis na mesma proporção devido a inúmeros fatores, e as infecções genitais estão entre eles.

A fertilidade masculina depende da produção adequada de espermatozoides e da qualidade dessas células. Concentração, motilidade e morfologia dos gametas são aspectos que influenciam diretamente o potencial reprodutivo do homem.

A espermatogênese (produção de espermatozoides), por sua vez, depende da secreção de hormônios em níveis equilibrados, sobretudo a testosterona. Há várias doenças endócrinas e até hábitos de vida que podem desequilibrar a produção hormonal.

Além disso, há diversas condições — varicocele, doenças inflamatórias, defeitos congênitos, alterações genéticas etc. — que colocam em risco a produção, a qualidade ou o transporte dos espermatozoides pelo trato reprodutivo.

Este post vai esclarecer as dúvidas sobre os impactos da infecção por HPV na fertilidade masculina. Leia e entenda!

O que é HPV?

O papilomavírus humano, mais conhecido como HPV, é uma infecção causada por vírus — mais de 200 tipos diferentes —, normalmente transmitida pelo contato sexual. Mulheres e homens em idade sexualmente ativa podem ser infectados.

Muitos tipos de HPV não oferecem graves riscos à saúde, mas alguns têm potencial oncogênico, ou seja, causam lesões precursoras de câncer. As cepas mais perigosas são as de números 16, 18, 31, 33 e 45.

O câncer mais decorrente do HPV é o de colo do útero. No entanto, homens e mulheres podem desenvolver cânceres de boca, orofaringe, cabeça, pescoço e ânus. Há, ainda, o risco de câncer de pênis nos portadores masculinos e de vulva e vagina nas portadoras.

Essa infecção nem sempre tem diagnóstico precoce, devido à falta de sintomas em muitos casos. As mulheres têm o recurso de realizar o exame ginecológico preventivo, o Papanicolau, para rastrear lesões de HPV e evitar o câncer de colo do útero. Para os homens, não há exames que identifiquem a doença precocemente.

Quando surgem os sintomas, os mais comuns são as verrugas, discretas ou numerosas, que podem causar coceira e irritação. As lesões podem se manifestar nas regiões da genitália e do ânus, bem como na boca e garganta e na pele.

O HPV pode prejudicar a fertilidade masculina?

Sim, a infecção por HPV também tem impactos na fertilidade masculina. Ainda há discussões sobre os prejuízos na concentração dos espermatozoides, mas pesquisas já comprovaram que a doença pode afetar a qualidade espermática, alterando aspectos como a morfologia e, sobretudo, a motilidade dos gametas.

Segundo o manual da Organização Mundial da Saúde (OMS), a avaliação dos parâmetros espermáticos deve ser baseada em critérios como composição do líquido seminal, contagem dos espermatozoides, além de vitalidade, motilidade e morfologia das células reprodutivas. Todos esses aspectos são importantes para a fertilidade masculina.

Estudos concluíram que a motilidade progressiva dos espermatozoides (capacidade de se mover de forma direcional) é significativamente diminuída pela presença de HPV. A morfologia dos gametas, que se refere ao formato adequado para que eles consigam se movimentar e fertilizar o óvulo, também é prejudicada.

O mecanismo patogênico do HPV relacionado à diminuição da motilidade espermática pode ser explicado pela presença de anticorpos antiespermatozoides, disfunção glandular e quebra da integridade do DNA dos gametas — a fragmentação do DNA espermático parece ser causada principalmente por cepas de HPV de alto risco.

Como é feito o tratamento?

O HPV nos homens não tem rastreamento preventivo. Sendo assim, a infecção é diagnosticada somente após o aparecimento das lesões. O objetivo do tratamento é retirar as verrugas, o que pode ser feito com:

  • terapia química, com aplicação de pomadas nas lesões;
  • crioterapia, que consiste no uso de nitrogênio líquido;
  • uso de laser (terapia fotodinâmica), que utiliza luz de baixa potência para induzir a morte celular;
  • cirurgia para remoção direta das verrugas.

Caso o homem tenha HPV de alto risco e desenvolva algum tipo de câncer, procede-se com os tratamentos oncológicos.

Em relação à redução da fertilidade masculina, as técnicas de reprodução assistida também são importantes. As opções para o paciente com alterações espermáticas incluem: preparo seminal associado à inseminação artificial, para os casos leves; fertilização in vitro (FIV) com injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI) para as situações mais complexas.

Concluindo, a infecção por HPV também oferece riscos à fertilidade masculina. Há opções de tratamento, inclusive para os pacientes que ficaram inférteis. Apesar disso, vale lembrar que a prevenção é sempre a melhor conduta e, nesse caso, recomenda-se o uso de preservativos sexuais e a vacinação contra o HPV — que pode ser tomada desde a pré-adolescência.

Veja diversas outras condições que podem deixar o homem infértil em nosso texto sobre infertilidade masculina!