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Malformações uterinas e infertilidade: qual a relação?

Malformações uterinas e infertilidade: qual a relação?

Compreender a relação entre malformações uterinas e infertilidade é fundamental para quem deseja engravidar, mas vem enfrentando dificuldades. Esse é um dos problemas que afetam o funcionamento do útero, mas como se trata de uma condição assintomática, o diagnóstico pode demorar.

A principal função do útero é servir de local para a implantação embrionária e o desenvolvimento fetal. O ambiente uterino deve estar estruturalmente adequado para que o futuro bebê consiga se desenvolver sem complicações — o que significa que o órgão precisa de boa vascularização para fornecer oxigênio e aporte nutricional e deve ter espaço intracavitário suficiente para acomodar o feto em crescimento.

As funções uterinas também estão relacionadas à menstruação. Nos ciclos em que não há fecundação, o tecido endometrial, que reveste o útero por dentro, descama e dá origem ao sangramento menstrual.

Falaremos, neste post, sobre a relação entre malformações uterinas e infertilidade. Para isso, vamos apresentar como ocorre o desenvolvimento do útero, quais doenças afetam a estrutura do órgão e qual é a causa das malformações. Mostraremos também quais são as possibilidades de gravidez nesses casos.

Confira!

Como o útero é formado?

O útero adulto, não gravídico, mede entre 6 e 10 cm e tem formato semelhante ao de uma pera invertida. Histologicamente, o órgão é composto por três camadas: superfície serosa, miométrio (camada muscular) e endométrio — é no tecido endometrial que o embrião se implanta. Anatomicamente, é dividido em: fundo do útero, corpo uterino e cérvice.

O órgão se desenvolve ainda no período intrauterino, isto é, quando o embrião feminino está se formando. Isso ocorre por volta da nona semana de desenvolvimento embrionário, quando estruturas chamadas ductos de Müller se fundem para dar origem ao útero, às tubas uterinas e ao terço superior da vagina.

Possíveis falhas no processo de fusão ou reabsorção dos ductos de Müller são a causa das malformações uterinas. Assim, resultam defeitos anatômicos que interferem no espaço interno do órgão e podem prejudicar suas funções.

Quais doenças podem afetar o útero?

Entre as patologias estruturais endocavitárias, estão: mioma, pólipo e adenomiose. Sinequias uterinas — formações de tecido cicatricial — também prejudicam o espaço intrauterino. Já a endometrite (inflamação no endométrio) não altera a morfologia do órgão, mas interfere na receptividade endometrial.

As malformações uterinas não são exatamente condições patológicas, mas alterações anatômicas que podem afetar o órgão. Nesses casos, existe o risco de infertilidade e abortamento de repetição. Além disso, quando a gestação evolui e o bebê precisa de mais espaço, podem surgir intercorrências obstétricas como restrição do crescimento fetal, nascimento prematuro e distocias no parto.

Quais são os tipos de malformações uterinas e sua relação com a infertilidade?

As malformações uterinas mais comuns são útero bicorno, útero septado, útero didelfo e útero unicorno. Nem todos os casos resultam em infertilidade e complicações gestacionais, mas um acompanhamento médico mais rigoroso pode ser necessário tanto para conseguir engravidar quanto para monitorar o desenvolvimento do feto.

Conheça um pouco mais sobre essas malformações uterinas e entenda como elas podem provocar infertilidade:

Útero bicorno

Nos casos de útero bicorno, é localizada uma fenda que separa o órgão em duas cavidades. A divisão pode ser incompleta, quando a fissura vai somente até o corpo do útero, ou total, quando a fenda se estende até a cérvice. Não há relação direta dessa malformação uterina com a infertilidade, mas pode dificultar a acomodação do bebê conforme a gravidez evolui.

Útero unicorno

O útero unicorno é uma malformação uterina decorrente de atrofia em um dos ductos de Müller. A cavidade do órgão fica reduzida, mas o endométrio é funcional, portanto, não há alterações menstruais e a implantação embrionária pode acontecer normalmente. Contudo, somente uma das tubas uterinas é permeável, e a outra se apresenta com formação rudimentar ou agenesia.

Útero didelfo

São raros os casos de útero didelfo. Nessa condição, a mulher apresenta dois hemiúteros e cérvice dupla. Também pode ocorrer duplicação do terço superior da vagina. Cada hemiútero faz comunicação com uma das tubas uterinas e as chances de fecundação não diminuem, logo, não é um tipo de malformação uterina associada à infertilidade.

No entanto, o órgão tem a capacidade reduzida de manter o ambiente necessário para o bebê se desenvolver até o fim da gestação, aumentando o risco de intercorrências obstétricas.

Útero septado

Esse é o tipo mais comum de malformação uterina, e também o mais passível de tratamento e correção. O útero septado apresenta uma parede de tecido no meio da cavidade. O septo pode se desenvolver desde o fundo do útero até a cérvice, deixando o espaço intracavitário deficiente para o desenvolvimento do bebê.

A histeroscopia cirúrgica é indicada para remover essa parede e, com isso, é possível restaurar as chances de gravidez espontânea — o que também depende de outros fatores, como idade da mulher, regularidade ovulatória, permeabilidade das tubas uterinas, condições da fertilidade do parceiro etc.

É possível engravidar com malformações uterinas?

Como vimos, nem todo tipo de malformação uterina causa infertilidade, mas podem levar a complicações obstétricas em muitos casos. O útero septado e o unicorno são os mais associados a abortamento de repetição.

O caráter assintomático das malformações uterinas impede uma detecção precoce do problema. A mulher pode descobrir sua condição durante a investigação da infertilidade ou abortamento. Os principais exames diagnósticos para esse fim são a ultrassonografia pélvica e a histerossalpingografia.

A reprodução assistida é indicada para os casos de infertilidade em geral. Com o acompanhamento especializado, diversos exames são realizados para descobrir os fatores que dificultam a gravidez. Os tratamentos são personalizados a partir das causas identificadas.

Quando há problemas uterinos envolvidos, a fertilização in vitro (FIV) é a principal indicação. Nos casos mais graves, nos quais não é possível engravidar ou corrigir a anatomia do útero com cirurgia, as pacientes com malformação uterina e infertilidade têm ainda a alternativa de gerar seu filho em um útero de substituição.

Achou esse tema interessante? Confira também nosso texto que explica os vários possíveis fatores que levam à infertilidade feminina!

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Comunicado

SARS Cov-2 (COVID 19): vacinas, reprodução assistida e grávidas
• Posição atual conjunta •

03 de fevereiro de 2021

Grandes avanços dos estudos colaborativos incluem hoje pelo menos 85 vacinas pré-clínicas em investigação ativa em animais, 65 em ensaios clínicos em humanos, com 20 vacinas que chegaram aos estágios finais de testagem, sendo 12 já em uso em diferentes países/situações. As principais vacinas disponíveis estão constituidas por partículas de RNA mensageiro (Pfizer-Biontech e Moderna), vírus inativado (CoronaVac,Sinopharma e Covaxin, Bharat Biotech), com adenovirus (Oxford-AstraZeneca, Johnson&Johnson e Sputnik V, Gamaleya).

A pandemia segue, e neste momento a discussão se centraliza no uso das vacinas disponíveis e as pacientes submetidas às técnicas de reprodução assistida, grávidas e populações de risco entre as grávidas.

Nossas sociedades, avaliando também as diretrizes emitidas por sociedades mundiais como a ESHRE, a ASRM, a IFFS e a ACOG (SOGC), consideram que dentro da disponibilidade possível:

1) A vacinação tem efetividade e não induz a risco aumentado de contrair a infecção por Covid 19. Embora ainda não hajam estudos humanos de longo prazo sobre a vacinação contra Covid-19 e gravidez, nenhuma das vacinas contém vírus Sars Cov-2 vivo.

2) Para indivíduos vulneráveis,que apresentam alto risco de infecção e / ou morbidade por COVID-19, dentre os quais estão as grávidas, não receber a vacina supera o risco de ser vacinado, previamente ou durante a gravidez. Inclui-se ainda neste grupo os profissionais de saúde e aqueles outros, de linha de frente, com maior risco de exposição.

3) Não há razão para atrasar as tentativas de gravidez ou tratamentos de reprodução assistida quando de vacina não disponível ou se pacientes fora de grupos de risco.

4) Decisões da utilização (ou não) das vacinas devem ser compartilhadas entre pacientes e médicos, respeitando-se os princípios éticos de autonomia, beneficência e não maleficência.

5) Esta informação sobre vacinas deve ser incluidas como um termo específico em um consentimento informado já existente. Red Latinoamericana de Reproducción Asistida – REDLARA

6) Seguirão atualizações, a cada momento que novos conhecimentos solidifiquem os dados atuais.

  • REDLARA - Red Latinoamericana de Reproducción Asistida
  • SBRA - Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida
  • SAMeR - Sociedad Argentina de Medicina Reproductiva
  • AMMR - Asociación Mexicana de Medicina de la Reproducción
  • PRONÚCLEO - Associação Brasileira de Embriologistas em Medicina Reprodutiva
  • SAEC - Sociedad Argentina de Embriología Clínica
  • SOCMER - Sociedad Chilena de Medicina Reproductiva
  • ACCER - Asociación de Centros Colombianos de Reproducción Humana
  • SURH - Sociedad Uruguaya de Reproducción Humana
  • AVEMERE - Asociación Venezolana de Medicina Reproductiva y Embriología

Referências
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