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Ooforite: conheça os sintomas

Ooforite: conheça os sintomas

Os dois ovários presentes no organismo feminino são fundamentais para o bom funcionamento do sistema reprodutor e para a fertilidade da mulher. É neles que estão armazenados os folículos ovarianos, pequenas bolsas que contém, cada uma, um óvulo.

Os folículos já estão nos ovários quando a menina nasce e, a cada ciclo menstrual, um grupo deles se desenvolve de acordo com a ação dos hormônios femininos, até que apenas um se rompe e libera um óvulo. Esse fenômeno é a chamada ovulação, período em que a mulher está mais propícia a engravidar caso tenha relações sexuais sem o uso de métodos contraceptivos.

Os ovários estão ligados ao útero pelas tubas uterinas. Dessa forma, quando a mulher ovula, o óvulo vai para a tuba, onde pode vir a ser fecundado por um espermatozoide. Se a fertilização ocorrer, o embrião segue em direção ao útero.

Além disso, os ovários são as gandulas responsáveis pela produção dos principais hormônios femininos (os estrogênios e a progesterona) que fazem com que os ciclos menstruais ocorram normalmente.

A saúde dos ovários, portanto, é fundamental para a fertilidade feminina e a reprodução humana. Algumas doenças que afetam os ovários, no entanto, podem afetar a saúde reprodutiva da mulher. Entre elas está a ooforite ou ovarite, que vamos abordar neste artigo. Continue a leitura para saber mais.

O que é ooforite?

Também chamada de ovarite, a ooforite é a inflamação dos ovários. Ela pode ocorrer somente em uma ou nas duas gônadas ao mesmo tempo e, na maior parte das vezes, é causada por bactérias, a exemplo das que causam infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como clamídia e gonorreia, ou ainda bactérias intestinais que acabam por afetar os ovários.

É possível também a doença ocorrer devido a problemas imunológicos (chamada ooforite autoimune), quando o organismo da mulher produz anticorpos que passam a atacar os próprios ovários. A ooforite também pode ser resultado de uma complicação de outras doenças, como caxumba ou endometriose.

Quando recorrente, a inflamação dos ovários é denominada ooforite crônica e, se não tiver o tratamento adequado, pode causar infertilidade.

Sintomas da ooforite

A ooforite frequentemente ocorre com outras doenças do aparelho reprodutor feminino. Além disso, seus sintomas podem ser confundidos com os de outras condições, a exemplo de inflamação no útero, gravidez ectópica, cistos nos ovários e até mesmo apendicite, por isso é fundamental consultar um médico para fazer o diagnóstico e tratamento adequados. Os principais sintomas da ooforite são:

Os sintomas podem aparecer de uma só vez ou gradualmente, além de se tornarem mais graves com o passar do tempo. Normalmente o diagnóstico da doença é confirmado por meio de exames de ultrassom da região pélvica e de videolaparoscopia.

Tratamento da ooforite

Se não for tratada a tempo ou da maneira correta, a ooforite pode causar infertilidade permanente, sobretudo quando se trata das formas aguda ou autoimune. Isso porque, dependendo do estágio e da gravidade da doença, pode ser necessário retirar os ovários, por meio da cirurgia de ooforectomia.

Com esse procedimento, as taxas dos hormônios femininos, que eram produzidos pelos ovários, caem drasticamente, e a paciente entra na menopausa.

Outra situação que pode tornar a mulher infértil de maneira definitiva é a falência dos ovários, causada pela ooforite autoimune. Quando não é tratada, a ooforite pode também atingir as tubas uterinas, aumentando o risco de gravidez ectópica.

No entanto, de forma geral, se for descoberta de forma precoce e tratada adequadamente, a ooforite causa infertilidade apenas de forma temporária. Nesses casos, o tratamento indicado costuma ser à base de antibióticos e anti-inflamatórios, para combater a infecção. Também podem ser receitados analgésicos para o alívio dos sintomas.

Ooforite e reprodução assistida

Quando descoberta e tratada a tempo, a ooforite pode ser curada e a fertilidade da mulher, restaurada, permitindo que ela engravide naturalmente. Porém, se isso não for possível, a fertilidade da mulher pode ficar comprometida por obstruções nas tubas uterinas ou danos nos ovários.

Nos casos de obstrução – e quando a paciente pretende engravidar – a indicação médica pode ser a fertilização in vitro (FIV), técnica de reprodução assistida que não precisa das tubas, uma vez que a fertilização é feita em laboratório e os embriões são transferidos para o útero da mulher.

Se os dois ovários estiverem comprometidos, o tratamento ainda é viável, uma vez que é possível realizar a FIV com óvulos doados.

A ooforite, portanto, pode causar sérios danos ao aparelho reprodutor feminino se não for descoberta e tratada precocemente. Por isso é preciso fazer exames de rotina, ficar atenta aos sintomas e procurar um ginecologista assim que perceber sinais de anormalidade. Para saber mais sobre essa doença, toque aqui.

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Comunicado

Nota conjunta com atualização de posicionamento sobre a COVID-19 e os tratamentos de reprodução assistida

Informações complementares à nota emitida em 21 de março de 2020

A Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida – SBRA e a Red Latinoamericana de Reproducción Asistida – REDLARA, acompanhando as demais sociedades mundiais e face à presença da pandemia de Covid-19, emitiram comunicado em 17 e 21 de março de 2020. Globalmente, e na América Latina não foi diferente, ciclos iniciados foram completados, decisões de congelamento tomadas, transferências discutidas e, na maioria das vezes, postergadas. Desde o início, entendemos que poderiam haver situações a serem individualizadas, como os casos oncológicos, em que pacientes necessitariam com urgência da preservação de seus gametas previamente a procedimentos cirúrgicos ou eventual quimioterapia que pudesse afetar sua fertilidade futura. Ao mesmo tempo, havia outros casos susceptíveis de individualização.

Passados 30 dias, com novos dados sobre a Covid-19, reconhecendo novos cenários para diferentes países, regiões ou cidades, além da realidade de um período claro de extensão da pandemia, que a infertilidade é definida pela OMS como doença, assim como a própria OMS define o direito de autonomia dos pacientes e:

CONSIDERANDO que, sob a luz de novas evidências científicas, este posicionamento deverá seguir sendo atualizado em momentos sucessivos;

CONSIDERANDO que, segundo a literatura médica, não se identificou até o momento a presença de vírus nos gametas e tratos genitais masculino ou feminino;

CONSIDERANDO que, até o momento, não há evidências a respeito das repercussões do Covid-19 sobre a gestação inicial;

CONSIDERANDO a preocupação com relação às evidências científicas emergentes quanto à possibilidade de transmissão vertical – isto é, da mãe para o bebê;

CONSIDERANDO que os serviços de reprodução assistida devam seguir as recomendações governamentais, respeitando as particularidades locais;

CONSIDERANDO a observação das medidas de distanciamento social, com cuidados na preservação dos pacientes e equipes, quando da assistência;

CONSIDERANDO as condutas para mitigar a sobrecarga do sistema de saúde local;

CONSIDERANDO que o adiamento dos tratamentos de reprodução assistida abrange determinados casos extremamente sensíveis ao tempo e, portanto, inadiáveis, com risco de condenar pessoas a uma infertilidade irreversível – ou seja, esterilidade; e

CONSIDERANDO o respeito à autonomia do paciente,

RECOMENDAM que ciclos de reprodução assistida possam ser realizados sob juízo do profissional assistente, em decisão compartilhada com os usuários do serviço, de forma personalizada, fundamentados e bem documentados, com precaução e bom-senso, evitando-se transferências embrionárias neste momento.

Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida – SBRA
Red Latinoamericana de Reproducción Asistida – REDLARA


Referências