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Qual a relação entre FIV e gêmeos?

Qual a relação entre FIV e gêmeos?

As técnicas de reprodução assistida, sobretudo a FIV (fertilização in vitro), dão a muitos casais que enfrentam problemas de fertilidade a chance de ter filhos biológicos. Esses métodos, porém, trazem maiores chances de alguns fatores menos frequentes em uma gravidez espontânea, como é o caso da gestação de gêmeos ou múltiplos.

Engravidar de gêmeos nem sempre é visto como um problema para os casais, porém é importante que as pessoas que buscam na reprodução assistida uma solução para a infertilidade estejam cientes dos riscos que uma gestação gemelar pode trazer.

Neste artigo, você entenderá melhor qual a relação entre a FIV e a gravidez de gêmeos.

O que é FIV?

A FIV consiste em um método de reprodução assistida que possibilita que a fertilização do óvulo seja feita em laboratório para que, depois, o embrião seja transferido ao útero para que implante no endométrio. Técnica de reprodução assistida mais complexa existente hoje, a FIV é composta por cinco etapas:

FIV e gravidez gemelar

Para que ocorra uma gravidez natural, o processo é simples: um óvulo é liberado de um dos ovários da mulher. Se ele for fecundado por um espermatozoide, dá origem a um embrião. Já em uma FIV, na última etapa da técnica (transferência dos embriões), é possível colocar no útero mais de um embrião, de acordo com a idade da paciente. Essa prática busca aumentar as chances de implantação do embrião no útero.

Por outro lado, existe a possibilidade de mais de um embrião se implantar de forma bem-sucedida, o que leva a uma gestação múltipla. As taxas de gravidez gemelar natural são de cerca de 2% em todo o mundo. Nas gestações decorrentes de FIV e outras técnicas de reprodução assistida, esse índice sobe bastante, chegando perto de 15%.

De acordo com resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM), o número de embriões que podem ser transferidos para o útero da paciente em uma FIV são:

Quando o tratamento é feito com óvulos ou embriões doados, o critério é a idade da doadora no momento da coleta dos gametas, sendo quatro o número máximo de embriões utilizados em uma transferência.

Diferença entre a FIV e outras técnicas de reprodução assistida

Diferentemente das técnicas de reprodução assistida de baixa complexidade, como a relação sexual programada (RSP) (também conhecida como coito programado) ou a inseminação intrauterina (IIU, conhecida popularmente como inseminação artificial), nas quais a fertilização ocorre no interior do útero, na FIV o óvulo é fecundado em laboratório.

Nas técnicas de baixa complexidade, que também se utilizam da estimulação ovariana, o que tende a aumentar o número de óvulos liberados naquele ciclo menstrual, as chances de gravidez múltipla aumentam. Essa estimulação, porém, é controlada para que o número de folículos ovarianos maduros não passe de três. Caso passe, o tratamento é cancelado e reiniciado em ciclo menstrual posterior.

Já em uma FIV, como a fecundação ocorre em laboratório, a estimulação ovariana é feita para que o máximo de óvulos possam ser retirados para a fertilização. Quando os embriões são transferidos para o útero – muitas vezes mais de um, para aumentar a probabilidade de que ocorra a implantação, como explicado acima –, as chances de gravidez gemelar aumentam ainda mais.

Riscos de uma gravidez gemelar

Embora não seja vista como problema ou até mesmo seja desejada por muitos casais, a gravidez múltipla pode trazer riscos para a mãe e bebê. Entre as principais complicações estão a possibilidade de parto prematuro e baixo crescimento fetal, além de problemas de saúde para a gestante, como diabetes gestacional, hipertensão e pré-eclâmpsia.

Portanto, ao optar por fazer uma FIV ou qualquer outro método de reprodução assistida, é importante que o casal esteja ciente de que existe uma chance maior de gravidez múltipla e sobre os riscos que esse tipo de gestação pode trazer.

Dessa forma, é possível buscar o acompanhamento adequado e tomar todos os cuidados necessários para evitar complicações tanto para a mãe quanto para o bebê. É comum, por exemplo, que a gestante precise fazer visitas ao obstetra e exames de ultrassom com mais frequência, além de observar com mais cuidado a alimentação e controlar a pressão, entre outras medidas.

Se você quiser saber mais sobre FIV, suas indicações e etapas, toque aqui.

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Comunicado

Nota conjunta com atualização de posicionamento sobre a COVID-19 e os tratamentos de reprodução assistida

Informações complementares à nota emitida em 21 de março de 2020

A Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida – SBRA e a Red Latinoamericana de Reproducción Asistida – REDLARA, acompanhando as demais sociedades mundiais e face à presença da pandemia de Covid-19, emitiram comunicado em 17 e 21 de março de 2020. Globalmente, e na América Latina não foi diferente, ciclos iniciados foram completados, decisões de congelamento tomadas, transferências discutidas e, na maioria das vezes, postergadas. Desde o início, entendemos que poderiam haver situações a serem individualizadas, como os casos oncológicos, em que pacientes necessitariam com urgência da preservação de seus gametas previamente a procedimentos cirúrgicos ou eventual quimioterapia que pudesse afetar sua fertilidade futura. Ao mesmo tempo, havia outros casos susceptíveis de individualização.

Passados 30 dias, com novos dados sobre a Covid-19, reconhecendo novos cenários para diferentes países, regiões ou cidades, além da realidade de um período claro de extensão da pandemia, que a infertilidade é definida pela OMS como doença, assim como a própria OMS define o direito de autonomia dos pacientes e:

CONSIDERANDO que, sob a luz de novas evidências científicas, este posicionamento deverá seguir sendo atualizado em momentos sucessivos;

CONSIDERANDO que, segundo a literatura médica, não se identificou até o momento a presença de vírus nos gametas e tratos genitais masculino ou feminino;

CONSIDERANDO que, até o momento, não há evidências a respeito das repercussões do Covid-19 sobre a gestação inicial;

CONSIDERANDO a preocupação com relação às evidências científicas emergentes quanto à possibilidade de transmissão vertical – isto é, da mãe para o bebê;

CONSIDERANDO que os serviços de reprodução assistida devam seguir as recomendações governamentais, respeitando as particularidades locais;

CONSIDERANDO a observação das medidas de distanciamento social, com cuidados na preservação dos pacientes e equipes, quando da assistência;

CONSIDERANDO as condutas para mitigar a sobrecarga do sistema de saúde local;

CONSIDERANDO que o adiamento dos tratamentos de reprodução assistida abrange determinados casos extremamente sensíveis ao tempo e, portanto, inadiáveis, com risco de condenar pessoas a uma infertilidade irreversível – ou seja, esterilidade; e

CONSIDERANDO o respeito à autonomia do paciente,

RECOMENDAM que ciclos de reprodução assistida possam ser realizados sob juízo do profissional assistente, em decisão compartilhada com os usuários do serviço, de forma personalizada, fundamentados e bem documentados, com precaução e bom-senso, evitando-se transferências embrionárias neste momento.

Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida – SBRA
Red Latinoamericana de Reproducción Asistida – REDLARA


Referências