A SOP é uma das principais causas de infertilidade feminina, e sua relação com o excesso de testosterona está por trás disso.
A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é uma das alterações endocrinológicas mais comuns entre mulheres em idade reprodutiva. Ela se manifesta por meio de diferentes desequilíbrios hormonais e metabólicos, e um dos seus aspectos centrais é o aumento dos hormônios androgênicos.
O excesso de hormônio masculino pode provocar problemas na pele e no cabelo, bem como aumento da gordura abdominal, sintomas que afetam a autoestima da mulher. Além disso, os níveis elevados de andrógenos interferem na função ovulatória, resultando em infertilidade feminina.
Confira este artigo, entenda melhor a relação entre SOP e testosterona e saiba como melhorar as chances de gravidez após esse diagnóstico!
O que é SOP?
A SOP é uma síndrome endócrina heterogênea com manifestações clínicas, hormonais e metabólicas variadas. Para definir o diagnóstico, os critérios de Rotterdam são amplamente usados.
A confirmação da SOP é feita quando a paciente apresenta ao menos dois dos três critérios seguintes:
- hiperandrogenismo (sinais clínicos ou laboratoriais de excesso de hormônios masculinos);
- disfunção ovulatória (oligovulação ou anovulação);
- morfologia policística dos ovários ao ultrassom (vários pequenos folículos ovarianos).
Os principais sinais e sintomas da SOP são:
- ciclos menstruais irregulares ou ausentes;
- acne;
- hirsutismo (crescimento excessivo de pelos em padrão masculino);
- alopecia androgenética (queda de cabelo);
- ganho de peso, especialmente na região abdominal;
- resistência à insulina;
- desequilíbrios hormonais evidentes em exames laboratoriais;
- dificuldade para engravidar.
A presença de hiperandrogenismo é um dos sinais principais da SOP e é mensurada por meio da análise dos níveis de testosterona.
Qual é a relação entre SOP e testosterona?
A relação entre SOP e testosterona é explicada por diferentes mecanismos fisiopatológicos. Veja:
- resistência à insulina: a maioria das mulheres com SOP apresenta resistência à insulina, o que faz com que o pâncreas produza esse hormônio em maior quantidade (hiperinsulinemia) para compensar a resistência. Esse excesso estimula as células do ovário a produzirem mais testosterona;
- redução da SHBG (sex hormone binding globulin ou globulina ligadora de hormônios sexuais): trata-se de uma proteína que reduz a testosterona biodisponível. Na SOP, ocorre o contrário, o excesso de hormônios andrógenos suprime a produção de SHBG, permitindo que mais testosterona livre ajude a manifestar os efeitos androgênicos;
- predisposição genética: níveis elevados de testosterona e menor produção de SHBG também podem ser decorrentes do conjunto de instruções genéticas presente nas células da mulher com SOP.
Quais são os impactos do excesso de testosterona na saúde de mulheres com SOP?

Os altos níveis de testosterona na SOP têm impacto na saúde da mulher tanto por meio de manifestações físicas quanto na ovulação. Os sinais clínicos, como o hirsutismo, a queda de cabelo, a acne e a gordura abdominal, podem afetar a autoestima. Além disso, a doença impõe riscos metabólicos importantes, como predisposição maior para diabetes, dislipidemia e problemas cardiovasculares.
Em relação à função ovulatória, veja o que pode acontecer quando a testosterona está elevada:
- os folículos ovarianos não se desenvolvem adequadamente, podendo levar a um quadro de oligovulação (ovulação infrequente) ou anovulação crônica (ausência de ovulação por vários meses);
- o desequilíbrio hormonal interfere na sinalização do eixo hipotálamo-hipófise, prejudicando a secreção dos hormônios folículo-estimulante (FSH) e luteinizante (LH), que são responsáveis por estimular os ovários;
- a infertilidade surge porque há poucos ciclos ovulatórios ou nenhum;
- a interferência na ovulação também pode afetar a fase lútea (pós-ovulatória), impedindo a formação do corpo-lúteo, que é responsável pela produção de progesterona. O resultado dessa insuficiência hormonal é a baixa receptividade uterina.
Como engravidar com SOP?
Embora a SOP seja uma das causas mais comuns de infertilidade feminina, algumas mulheres com essa condição conseguem engravidar naturalmente, especialmente aquelas que mantêm ciclos oligovulatórios.
No entanto, essa doença precisa ser acompanhada e controlada devido aos diversos riscos à saúde geral. Além disso, em casos de infertilidade, a mulher pode buscar avaliação com uma clínica especializada em reprodução humana, que poderá indicar as técnicas mais apropriadas.
O diagnóstico da SOP é feito com dosagens hormonais e ultrassonografia pélvica. A avaliação do perfil lipídico e metabólico também é importante. Os tratamentos incluem:
- mudanças no estilo de vida, especialmente para perda de peso corporal quando a paciente tem sobrepeso ou obesidade — a redução de 10% do peso pode ser suficiente para normalizar a função ovulatória;
- medicações hormonais, como anticoncepcionais ou indutores de ovulação, dependendo do objetivo de gravidez;
- medicação para melhorar a resistência à insulina e outros fármacos adjuvantes sob orientação médica;
- técnicas de reprodução assistida para quem não consegue engravidar naturalmente.
As abordagens na reprodução assistida variam entre baixa e alta complexidade. As técnicas são indicadas de forma personalizada, após avaliação conjunta do casal. Entre as opções, estão:
- estimulação ovariana e indução da ovulação;
- coito programado;
- inseminação artificial;
- fertilização in vitro (FIV).
Mostramos neste post que SOP e testosterona estão relacionadas. Os níveis elevados desse hormônio são responsáveis pelos sinais e sintomas característicos da doença, assim como pela anovulação e infertilidade. Entretanto, a síndrome dos ovários policísticos não torna a gravidez impossível, sobretudo se houver acompanhamento especializado.
Confira também o texto da Clínica Origen sobre síndrome dos ovários policísticos – SOP e obtenha mais informações!





