Síndrome de Edwards: a FIV pode evitar?

Por Equipe Origen

Publicado em 21/08/2026

A FIV permite avaliar alterações genéticas antes da transferência embrionária por meio do PGT, e assim reduzir o risco de síndromes, como a de Edwards, em casos específicos.

A fertilização in vitro (FIV) oferece recursos que vão além da fecundação em laboratório. Suas técnicas complementares podem ajudar a superar diferentes fatores de infertilidade. Uma delas é a análise genética dos embriões, realizada durante o cultivo embrionário por meio do teste genético pré-implantacional (PGT).

Esse teste não é obrigatório nem indicado para todos os casos, mas pode ser recomendado quando há risco aumentado de alterações cromossômicas, como a trissomia do cromossomo 18, conhecida como síndrome de Edwards.

Confira, neste post, como funciona a FIV com PGT, o que é a síndrome de Edwards, entre outras informações relevantes!

Como a FIV funciona e em que etapa ocorre o teste genético dos embriões?

A FIV segue etapas bem definidas:

  • começa com a estimulação ovariana para obter mais óvulos;
  • em seguida, realiza-se a coleta dos óvulos, que são fertilizados em laboratório;
  • os espermatozoides também são previamente selecionados na etapa de coleta e preparo seminal;
  • depois da fecundação, ocorre o cultivo embrionário, quando os embriões se desenvolvem por até 7 dias em incubadora;
  • a última etapa é a transferência dos embriões para o útero.

As etapas acima elencadas são realizadas no tratamento padrão da FIV. No entanto, a escolha das técnicas exatas é personalizada, e recursos complementares são indicados de acordo com as necessidades de cada paciente e casal.

A biópsia embrionária, por exemplo, é feita durante a etapa do cultivo embrionário, caso o PGT seja indicado. Isso ocorre geralmente no estágio de blastocisto, quando o embrião já tem um bom número de células. É nesse momento que o teste genético pode identificar o risco de síndrome de Edwards ou de outras alterações cromossômicas.

O que é a síndrome de Edwards?

A síndrome de Edwards é uma alteração genética rara com incidência de aproximadamente 1 em cada 4000 nascidos causada pela presença de três cópias do cromossomo 18 (trissomia 18). É uma condição grave, associada a problemas físicos e intelectuais. A criança pode ter:

  • microcefalia;
  • malformações cardíacas e anomalias nos pulmões, sistema digestivo e rins;
  • baixo peso ao nascer;
  • subdesenvolvimento muscular;
  • dedos sobrepostos;
  • pé torto congênito;
  • cabeça pequena, orelhas com formato anormal e em localização mais baixa que o normal (mais próximas à nuca);
  • deficiência intelectual.

As anomalias físicas podem ser observadas no nascimento, mas alguns recém-nascidos têm alterações discretas, que serão evidenciadas ao longo do crescimento.

O risco de ter um filho com síndrome de Edwards é raro e vai se acentuando nos casos de idade materna avançada (acima de 37 anos), sendo que sua incidência sempre é menor que 1%. A trissomia ocorre de forma aleatória, devido a erros na divisão celular.

PGT-A: como o teste genético pode reduzir o risco da síndrome de Edwards?

O PGT-A é o teste genético que faz o rastreio de aneuploidias, que são alterações cromossômicas numéricas. Portanto, ele analisa o número de cromossomos que cada embrião gerado por FIV contém.

Sendo assim, o PGT-A pode reduzir o risco de transferência de um embrião com síndrome de Edwards, mas ele não elimina completamente a possibilidade, porque existe uma margem natural de limitação tecnológica.

Contudo, quando indicado, o PGT-A é uma ferramenta importante para aumentar as chances de uma gestação sem alterações cromossômicas. Além da síndrome de Edwards, o teste pré-implantacional pode identificar outras síndromes causadas por aneuploidias, como as: de Down (trissomia 21); de Patau (trissomia 13); de Turner (monossomia X); de Klinefelter (XXY).

Como o PGT-A é feito?

A realização do PGT-A envolve procedimentos específicos dentro das etapas da FIV. Ele só pode ser feito durante o cultivo embrionário, geralmente quando os embriões atingem o estágio de blastocisto, por volta do 5º dia de desenvolvimento.

O passo a passo do PGT-A inclui:

Desenvolvimento do embrião até o estágio de blastocisto

Após a fecundação dos óvulos, os embriões são mantidos em incubadora e monitorados por um embriologista. Quando chegam ao estágio de blastocisto, já possuem dois conjuntos celulares distintos:

  • o embrioblasto, massa celular interna, que dará origem a todos os órgãos e sistemas do feto;
  • o trofectoderma, camada externa do embrião, que formará a placenta e outros anexos embrionários.

Na biópsia embrionária, as células que vão para análise genética são retiradas exclusivamente no trofectoderma, preservando a massa celular interna.

Biópsia embrionária

O embriologista remove cuidadosamente algumas células do trofectoderma. Essa etapa é segura e não prejudica o desenvolvimento embrionário, quando realizada por profissionais experientes. Em seguida, a amostra celular é enviada para o laboratório especializado em análises genéticas.

Congelamento dos embriões

Após a biópsia, todos os embriões são congelados, pois é preciso esperar um tempo para que o laboratório genético analise o material. Eles serão descongelados e transferidos em um ciclo posterior, com seleção embrionária respaldada nos resultados da análise.

Análise genética

As células enviadas ao laboratório passam por técnicas avançadas, como o sequenciamento de nova geração (NGS), que permite avaliar o número de cromossomos de cada embrião.

O resultado indica se o embrião é:

  • euploide (com número normal de cromossomos);
  • aneuploide (com trissomias, monossomias ou outras alterações);
  • mosaico (com mistura de células normais e alteradas).

Escolha do embrião para transferência

Com o resultado em mãos, o especialista seleciona os embriões saudáveis para transferência no ciclo seguinte. Como já foi mencionado, isso não é garantia de gravidez e formação de uma criança saudável, mas o PGT-A ajuda a reduzir os riscos.

Além do PGT-A, existem outros tipos de teste genético pré-implantacional indicados para situações específicas:

  • PGT-M, para rastrear doenças monogênicas hereditárias, como fibrose cística e anemia falciforme;
  • PGT-SR, para pesquisar rearranjos estruturais nos cromossomos;
  • PGT-P, que avalia o risco de desenvolver, ao longo da vida, doenças multifatoriais como o câncer.

A FIV, associada ao PGT-A, pode reduzir a probabilidade de síndrome de Edwards ou outras alterações genéticas. Entretanto, a indicação é individualizada, isto é, nem todos os casais que realizam um tratamento de reprodução assistida precisam passar por essa etapa. A decisão é tomada em conjunto, médico e pacientes, após uma avaliação aprofundada de cada casal.

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