A qualidade da alimentação influencia diversos aspectos da saúde reprodutiva, portanto hábitos alimentares inadequados podem prejudicar a fertilidade de mulheres e homens.
Nos últimos anos, o interesse pela relação entre alimentação e fertilidade cresceu muito, e não por acaso. O estado nutricional e os padrões alimentares podem influenciar o equilíbrio dos hormônios, a ovulação, a qualidade dos gametas e até as chances de sucesso em tratamentos de reprodução assistida.
Ao mesmo tempo, é importante evitar conclusões simplistas, como “comer X melhora a fertilidade” ou “basta evitar Y para engravidar”. O que se sabe até hoje é que hábitos alimentares e estilo de vida, considerados de forma conjunta, têm efeitos na saúde reprodutiva.
Pensando na importância do aspecto nutricional para a fertilidade, as clínicas especializadas, como a Origen, contam com nutricionistas na equipe multiprofissional, dedicados ao cuidado específico de mulheres/casais que desejam engravidar.
Continue a leitura e entenda por que a alimentação é importante para a fertilidade!
Quais fatores podem influenciar a fertilidade?
A fertilidade depende de vários aspectos e processos biológicos:
- estado da reserva ovariana e regularidade da ovulação;
- idade;
- qualidade dos óvulos e espermatozoides;
- níveis hormonais;
- saúde metabólica (glicemia, insulina e perfil lipídico);
- peso corporal;
- ambiente uterino e permeabilidade das tubas;
- estilo de vida geral, incluindo alimentação, prática de atividades físicas, padrão de sono e níveis de estresse.
Em outras palavras: não há um fator isolado que seja responsável pela fertilidade, mas um conjunto de condições que podem ser favorecidas ou prejudicadas pelos hábitos alimentares.
Qual é a relação entre alimentação e fertilidade?
Há relações importantes entre padrões alimentares e saúde reprodutiva, tanto feminina quanto masculina. Veja:
Na fertilidade feminina
A alimentação pode influenciar:
- a ovulação;
- a qualidade dos óvulos, que é sensível ao estresse oxidativo;
- o peso corporal, que afeta o equilíbrio hormonal;
- a resposta ao tratamento de fertilização in vitro (FIV), que pode ser favorecida com dietas anti-inflamatórias e de baixa carga glicêmica.
Padrões alimentares ricos em frutas, vegetais, grãos integrais, leguminosas, proteínas magras e gorduras boas mostram-se consistentemente associados a melhores marcadores reprodutivos, não por causa de um alimento específico, mas pelo conjunto da dieta, principalmente a dieta mediterrânea.
Na fertilidade masculina
A alimentação também influencia:
- produção e maturação dos espermatozoides;
- motilidade e morfologia espermática;
- níveis hormonais;
- danos oxidativos ao DNA espermático.
Dietas pobres em nutrientes essenciais, com excesso de açúcares, frituras e alimentos ultraprocessados, estão relacionadas à piora da qualidade seminal. O consumo excessivo de álcool, o uso de tabaco e outras drogas, bem como a obesidade e o sedentarismo também são fatores do estilo de vida que podem prejudicar a fertilidade masculina.
Qual é o papel dos nutricionistas nas clínicas de reprodução assistida?
A presença de nutricionistas em clínicas de reprodução assistida se deve a um motivo simples: a alimentação tem importante relação com o equilíbrio hormonal, o metabolismo e os processos celulares essenciais para a fertilidade.
Na prática, o acompanhamento nutricional pode:
- ajudar no controle do peso;
- reduzir inflamação sistêmica;
- melhorar a sensibilidade à insulina;
- equilibrar os níveis de lipídios;
- otimizar a qualidade dos óvulos e espermatozoides;
- contribuir para melhores taxas de sucesso em tratamentos de reprodução assistida.
Ou seja: a alimentação não substitui o tratamento médico, mas é uma conduta complementar, que pode ajudar a potencializar os resultados das tentativas de gravidez. Vale reforçar que tanto a mulher quanto o homem devem se comprometer com adequação na dieta e nos demais hábitos de vida para melhorar a saúde reprodutiva.
Quais alimentos e padrões alimentares podem prejudicar a fertilidade?

Não se deve dar enfoque a ingredientes isolados, mas no padrão de alimentação, que se relaciona com efeitos adversos na saúde geral e, por consequência, na fertilidade. Entre os principais pontos já identificados, estão:
Ultraprocessados
São o principal foco quando falamos em hábitos alimentares prejudiciais à fertilidade porque tendem a ser ricos em:
- açúcares simples;
- gorduras saturadas e trans;
- aditivos químicos;
- excesso de sódio;
- baixo teor de fibras, proteínas e vitaminas.
Esses alimentos favorecem estados inflamatórios, resistência à insulina, desregulação hormonal e excesso de peso, todos fatores que podem prejudicar a saúde e a fertilidade.
Açúcares e carboidratos refinados em excesso
Se forem consumidos de forma constante, alimentos desse tipo aumentam picos de glicemia e insulina, afetando a ovulação e agravando disfunções endócrinas e metabólicas, como a síndrome dos ovários policísticos (SOP) e a pré-diabetes.
Ingestão insuficiente de nutrientes essenciais
Muitas funções reprodutivas dependem de micronutrientes como ácido fólico, ferro, selênio, zinco e antioxidantes. Dietas pobres reduzem a proteção celular, aumentando danos oxidativos que reduzem a qualidade dos gametas.
Gorduras, álcool e outros
O alto consumo de gorduras trans, o excesso de frituras e o consumo elevado de bebidas alcoólicas também estão associadas a alterações nos níveis hormonais e na qualidade dos óvulos e espermatozoides.
Maus hábitos alimentares e fertilidade: por que é importante manter um bom estilo de vida?
A alimentação isolada não explica tudo, mas, em conjunto com os demais hábitos de vida, os efeitos são significativos. O consumo frequente de ultraprocessados aliado ao sedentarismo, por exemplo, pode levar a:
- sobrepeso e obesidade;
- hiperinsulinemia;
- pré-diabetes e diabetes tipo 2;
- alterações de colesterol e triglicérides;
- inflamação crônica de baixo grau.
Essas condições favorecem distúrbios ovulatórios, reduzem a receptividade uterina e prejudicam a espermatogênese. Sendo assim, quando falamos sobre alimentação e fertilidade, o foco é no contexto metabólico geral.
Você viu, portanto, que a alimentação pode, sim, afetar a fertilidade. Padrões alimentares inadequados e o consumo excessivo de ultraprocessados têm prejuízo reconhecido na saúde hormonal, na qualidade dos gametas e na resposta aos tratamentos de reprodução assistida. Dessa forma, o acompanhamento nutricional especializado é um importante componente no cuidado integral da fertilidade. Como ponto final, a dieta mediterrânea pode suprir todas as necessidades relacionadas à reprodução sem ser preciso, na maioria dos casos, o uso de suplementos.
Leia mais sobre as causas de disfunções reprodutivas no texto: infertilidade feminina!





