A reserva ovariana ajuda a entender o potencial reprodutivo atual, mas não permite prever quando a menopausa vai ocorrer.
A reserva ovariana é um dos principais indicadores da fertilidade feminina e se refere à quantidade de óvulos ainda disponíveis nos ovários. Como ela diminui naturalmente com o passar da idade, há mulheres que acreditam que medir a reserva ovariana pode prever quando a menopausa vai acontecer.
Esse raciocínio pode até parecer lógico, mas a ciência mostra que ele não é verdadeiro. A avaliação da reserva ovariana oferece informações importantes sobre a fertilidade no momento atual, mas não consegue estimar o tempo restante até a menopausa.
Leia este texto e entenda melhor!
O que é avaliação da reserva ovariana?

A avaliação da reserva ovariana inclui um conjunto de exames clínicos e laboratoriais que medem a quantidade de óvulos disponíveis nos ovários, os quais ainda podem passar por crescimento e liberação (ovulação).
A reserva ovariana reduz naturalmente ao longo da vida, pois em cada ciclo menstrual um grupo de folículos ovarianos (unidades que guardam os óvulos) é recrutado para se desenvolver e ovular. Aos 40 anos, o número de óvulos é bem menor que aos 20, devido a essa redução progressiva.
Os principais exames para avaliação da reserva ovariana são:
Contagem de folículos antrais (CFA)
É o exame mais correlacionado à reserva ovariana. É realizado por ultrassonografia transvaginal e identifica quantos folículos antrais estão presentes nos ovários no início do ciclo menstrual.
Os folículos antrais são aqueles que já iniciaram seu desenvolvimento e podem amadurecer e ovular. Eles medem de 3 a 10 mm e são visíveis no exame de ultrassom. A contagem desses folículos é um marcador visual, simples e bastante utilizado na reprodução assistida.
Dosagem do hormônio antimülleriano (AMH)
O hormônio antimülleriano é produzido pelas células dos folículos em crescimento. Sendo assim, se a dosagem revelar níveis altos desse hormônio, significa uma maior reserva ovariana, enquanto os níveis baixos sugerem estoque de óvulos reduzido.
Dosagem de FSH e estradiol
São exames hormonais que complementam a avaliação da reserva ovariana. Os hormônios folículo-estimulante (FSH) e luteinizante (LH) são liberados pelo eixo hipotálamo-hipófise e têm a função de estimular a função ovulatória. Deve ser realizado entre o segundo e o quarto dia do ciclo.
Para que serve a avaliação da reserva ovariana?
A avaliação da reserva ovariana têm como finalidades:
- avaliar a quantidade atual de óvulos disponíveis;
- estimar a resposta dos ovários à estimulação ovariana, para planejar tratamentos de reprodução assistida;
- definir o protocolo de estimulação ovariana mais adequado para cada mulher;
- auxiliar na tomada de decisão sobre preservação da fertilidade (congelamento de óvulos).
Quando a reserva ovariana está baixa, congelar óvulos se torna uma estratégia relevante para evitar perda adicional de gametas e redução progressiva das chances de gravidez. Assim, a mulher ganha tempo para se planejar melhor.
Importante: a avaliação da reserva ovariana não indica fertilidade garantida nem infertilidade definitiva, mas funciona como um guia clínico. É preciso lembrar que vários outros fatores também são importantes para que o casal seja fértil, incluindo idade, qualidade dos óvulos e espermatozoides, saúde do útero e permeabilidade das tubas uterinas.
Os exames para avaliação da reserva ovariana indicam somente a quantidade de folículos, mas não podem analisar a qualidade dos óvulos, que é outro fator determinante para as chances de formar um embrião saudável e engravidar.
Por que a avaliação da reserva ovariana não prevê a menopausa?
A resposta está na forma como os ovários envelhecem e na dinâmica dos folículos ao longo da vida. Entenda alguns pontos importantes desse contexto:
1. A velocidade de perda folicular não é linear
Cada mulher perde óvulos em ritmo próprio, e essa velocidade muda ao longo da vida. Por exemplo: duas mulheres que apresentam hoje níveis iguais de hormônio antimülleriano podem ter velocidades de queda diferentes nos anos seguintes.
2. O estoque de óvulos é apenas um dos fatores da menopausa
A menopausa é definida pela falência completa da função ovariana, e não apenas pela quantidade de óvulos remanescentes. Também há fatores genéticos, metabólicos e ambientais que influenciam esse processo.
3. O AMH não foi validado como marcador preditor de menopausa
Apesar de existir correlação entre hormônio antimülleriano baixo e proximidade do fim da fase reprodutiva, existe uma variabilidade individual que é muita ampla para permitir qualquer previsão confiável.
Ou seja: a avaliação da reserva ovariana é excelente para entender o presente, mas não pode prever o futuro.
4. A menopausa pode ocorrer em idades muito diferentes
Mulheres entram na menopausa entre 45 e 55 anos, em média, mas algumas podem chegar nessa fase antes dos 40, e outras aos 58. Essa diferença não pode ser explicada apenas pelos níveis de hormônio antimülleriano ou pela contagem dos folículos antrais.
Avaliar a reserva ovariana é relevante para entender a saúde reprodutiva da mulher e planejar tratamentos de reprodução humana, incluindo a possibilidade de congelar óvulos. Contudo, essa avaliação não permite prever quando a menopausa vai acontecer, porque a falência ovariana depende de fatores complexos que extrapolam o número de folículos disponíveis.
Contar com orientação médica especializada é um caminho seguro para interpretar corretamente os exames de avaliação da reserva ovariana e apoiar as decisões sobre o momento ideal para engravidar ou preservar a fertilidade.
Saiba mais sobre os exames realizados no contexto da avaliação da fertilidade com a leitura do post: ultrassonografia pélvica!





