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Criptorquidia: diagnóstico e tratamento

Por Equipe Origen

Publicado em 10/07/2024

Uma das possíveis causas da infertilidade masculina é a criptorquidia, condição que afeta os testículos, que são os órgãos responsáveis pela secreção do hormônio testosterona e a produção dos espermatozoides.

Os testículos são as gônadas ou glândulas sexuais do homem, eles se formam a partir da sétima semana de desenvolvimento gestacional. Se o cromossomo Y estiver presente no embrião, inicia-se a diferenciação gonadal que leva à formação testicular e às demais características fenotípicas do sexo masculino.

Além dos testículos, o aparelho genital do homem é constituído por: pênis, bolsa escrotal, epidídimos, ductos deferentes, vesículas seminais, próstata e uretra. Cada um desses órgãos tem uma função específica na fertilidade masculina.

Ainda durante o desenvolvimento fetal, os testículos migram da cavidade abdominal para o interior do escroto pelo canal inguinal. Isso ocorre a partir do sexto mês de gestação, e as gônadas chegam à sua posição definitiva no oitavo mês.

Com a leitura deste post, você vai compreender o que é criptorquidia e saber como são feitos o diagnóstico e o tratamento dessa condição. Confira!

O que é criptorquidia?

Criptorquidia é uma alteração congênita que se refere à falha na descida de um ou ambos os testículos para a bolsa escrotal. É mais comum em meninos nascidos prematuros, visto que a descida testicular se completa no oitavo mês de gestação.

A condição é mais comum de modo unilateral, mas em 10% dos casos pode afetar os dois testículos. A maior parte se resolve espontaneamente durante os primeiros meses de vida, quando as gônadas finalizam seu posicionamento no escroto.

Na maioria das vezes, a criptorquidia é diagnosticada logo no nascimento. Caso contrário, o diagnóstico ocorre ainda na primeira infância, se houver acompanhamento pediátrico regular. Poucos casos são identificados somente no início da adolescência ou na vida adulta.

O principal sinal de criptorquidia é a ausência do testículo no saco escrotal, é isso que deve ser observado pelo médico e pelos cuidadores da criança. Muitas vezes, a condição é acompanhada por hérnia inguinal.

Um verdadeiro testículo não descido interrompe seu processo de migração descendente e fica parado na cavidade abdominal, no canal inguinal ou no retroperitônio (espaço atrás das vísceras). Há também o testículo ectópico, que se desvia de seu curso normal e se aloja em locais anômalos, como na bolsa inguinal superficial, região do períneo ou até na face interna da coxa.

A associação da ausência dos testículos no escroto com outras anomalias genitais, como o micropênis, sugere outras condições, como o estado intersexual, também conhecido como hermafroditismo.

Como se chega ao diagnóstico?

O diagnóstico de criptorquidia é feito, sobretudo, com exame físico. Os exames de imagem, como ultrassonografia e ressonância magnética, têm baixa sensibilidade para identificar essa alteração. Algumas vezes, a videolaparoscopia é indicada.

Todos os meninos precisam passar pelo exame testicular quando nascem. Depois disso, também devem ser avaliados periodicamente para o pediatra observar a localização e o crescimento dos testículos.

Ao exame físico, o médico pode detectar a ausência do testículo na bolsa escrotal. A criança deve ser examinada em ambiente aquecido para evitar a retração testicular. Também é importante diferenciar a criptorquidia de testículos retráteis ou hipermóveis, os quais se retraem facilmente para o canal inguinal quando há reflexo cremastérico (ascensão do órgão mediante o toque na parte interna da coxa).

A confirmação da criptorquidia, quando não há testículos palpáveis fora do escroto no exame físico, é feita com videolaparoscopia diagnóstica, que localiza os testículos intra-abdominais ou determina a agenesia (ausência, não formação) testicular.

Qual é a forma de tratamento?

A criptorquidia é corrigida exclusivamente com cirurgia, o procedimento é chamado de orquidopexia cirúrgica, cuja finalidade é mover e fixar o testículo no escroto. O órgão é trazido para a bolsa escrotal e suturado no local. Se houver hérnia inguinal associada, deve também ser tratada.

Idealmente, a cirurgia deve ser feita no primeiro ano de vida do menino, pois a correção precoce melhora as taxas de fertilidade futura, além de reduzir o risco de complicações. Ainda, quanto menor a criança for no momento da orquidopexia, menor será a distância para reposicionar o testículo.

A falta ou o atraso no tratamento da criptorquidia relaciona-se com as seguintes consequências: infertilidade (principalmente, se a condição for bilateral) e aumento no risco de torção testicular e câncer.

O que fazer se a criptorquidia causar infertilidade?

A bolsa escrotal permanece fora da cavidade abdominal, com temperatura abaixo da média corporal, o que é ideal para fornecer o ambiente apropriado para que os testículos cumpram suas funções adequadamente.

Fora de seu local normal, os testículos podem ter prejuízos em seu funcionamento, resultando em alterações espermáticas como: ausência de espermatozoides no sêmen (azoospermia); baixa contagem de gametas (oligozoospermia); ou alterações na morfologia e na motilidade dos espermatozoides (teratozoospermia e astenozoospermia, respectivamente).

Quando a criptorquidia é diagnosticada tardiamente e o testículo precisa ser removido, o órgão contralateral pode continuar a produzir testosterona e espermatozoides em quantidades normais ou não. Em casos mais graves, quando a condição é bilateral, é possível que o homem perca completamente suas funções testiculares, necessitando de reposição hormonal.

O homem que fica infértil devido à criptorquidia pode precisar das técnicas de reprodução assistida para engravidar sua parceira. A fertilização in vitro (FIV) é uma opção promissora quando há alterações espermáticas. Nos casos mais graves, a doação de sêmen é uma alternativa.

Leia mais um texto e conheça outras causas de infertilidade masculina!