A criptorquidia é geralmente identificada na primeira infância. Se não for corrigida em tempo, pode deixar o homem infértil, principalmente quando é bilateral.
A criptorquidia é uma condição congênita caracterizada pela ausência de um ou ambos os testículos na bolsa escrotal. Durante o desenvolvimento fetal, os testículos se formam na cavidade abdominal e, normalmente, migram para o escroto ainda na gestação ou nos primeiros meses de vida. Quando essa descida não ocorre, o testículo permanece em posição anômala, geralmente no canal inguinal ou no abdome.
Trata-se de uma das alterações genitais mais comuns na infância, sendo mais frequente em recém-nascidos prematuros. Em muitos casos, a correção acontece espontaneamente no início da infância, mas se não houver resolução espontânea nem tratamento da criptorquidia, podem ocorrer repercussões importantes na função testicular, incluindo impactos sobre a fertilidade masculina.
Entenda melhor a relação entre criptorquidia e infertilidade!
Criptorquidia unilateral e bilateral: qual a diferença?

A criptorquidia pode ser classificada de acordo com o número de testículos não descidos:
- criptorquidia unilateral: apenas um testículo não se encontra no escroto. É a forma mais frequente da condição;
- criptorquidia bilateral: ambos os testículos permanecem fora da bolsa escrotal, situação menos comum, porém clinicamente mais relevante.
Essa distinção é necessária para a compreensão do quadro e a definição do tratamento, pois o risco de infertilidade é muito maior nos casos bilaterais, embora a forma unilateral também possa prejudicar a espermatogênese (produção dos espermatozoides).
Relação entre criptorquidia e infertilidade masculina
A espermatogênese depende de uma temperatura inferior à do interior do corpo, razão pela qual os testículos se localizam na bolsa escrotal, fora da cavidade abdominal. Quando permanecem no abdome ou no canal inguinal, ficam expostos a temperaturas mais elevadas, o que pode causar alterações progressivas no tecido testicular.
Entre os principais mecanismos fisiopatológicos envolvidos na infertilidade associada à criptorquidia estão:
- redução do número de células germinativas;
- prejuízo à maturação dos espermatozoides;
- alterações na arquitetura dos túbulos seminíferos;
- disfunção das células de Sertoli e Leydig.
Nos casos de criptorquidia unilateral, muitos homens conseguem manter produção espermática adequada quando o testículo contralateral é saudável. No entanto, mesmo nessas condições, há um risco maior de alterações seminais em comparação com a população geral.
Já na criptorquidia bilateral, o prejuízo na fertilidade é mais expressivo. Homens com esse histórico, e que não tiveram tratamento na infância, apresentam maior probabilidade de oligozoospermia grave (baixa contagem de espermatozoides) ou até azoospermia (ausência de gametas no sêmen), o que pode dificultar ou impedir a concepção espontânea.
Importância do diagnóstico e do tratamento precoce
O diagnóstico da criptorquidia é essencialmente clínico, realizado por meio do exame físico. Exames de imagem também podem ser utilizados para localizar o testículo não palpável.
O tratamento padrão é a orquidopexia, cirurgia que posiciona o testículo na bolsa escrotal. As recomendações atuais indicam que o procedimento seja realizado preferencialmente entre 6 e 18 meses de idade, período em que há maior chance de preservar a função testicular.
Embora a correção cirúrgica não elimine completamente os riscos futuros, o tratamento precoce:
- melhora o potencial de preservação da espermatogênese;
- facilita o acompanhamento clínico ao longo da vida;
- reduz o risco de complicações associadas, como torção testicular e câncer de testículo.
Criptorquidia, infertilidade e avaliação na vida adulta
Homens adultos com histórico de criptorquidia, sobretudo na condição bilateral ou tratada tardiamente, devem ser avaliados quando há dificuldade para engravidar. A investigação da infertilidade masculina pode incluir:
- espermograma;
- dosagens hormonais;
- exames genéticos;
- avaliação urológica especializada.
A ausência de sintomas ao longo da vida não exclui alterações na fertilidade, já que muitos homens só descobrem o impacto reprodutivo da criptorquidia ao tentar engravidar a parceira.
Tratamento da infertilidade e reprodução assistida
Nos casos em que a criptorquidia resultou em redução da produção espermática, as técnicas de reprodução assistida podem oferecer alternativas para a obtenção da gravidez.
Dependendo do quadro de alteração seminal, as seguintes técnicas podem ser indicadas: inseminação artificial, para casos leves; fertilização in vitro (FIV) com injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI) para as situações mais complexas.
Mesmo em situações de azoospermia decorrente da criptorquidia, é possível tentar coletar um número viável de gametas nos órgãos reprodutores com as técnicas de recuperação espermática (TESE, Micro-TESE, PESA e MESA).
O acompanhamento em centros especializados em reprodução humana é um caminho para definir a melhor abordagem terapêutica de forma individualizada.
A criptorquidia, seja unilateral ou bilateral, é uma condição que pode afetar a fertilidade masculina, sobretudo quando não diagnosticada e tratada precocemente. Apesar de muitos homens com esse histórico conseguirem ter filhos, o risco de alterações na espermatogênese existe.
A avaliação adequada, o acompanhamento ao longo da vida e o acesso às técnicas modernas de reprodução assistida permitem que muitos pacientes com histórico de criptorquidia consigam ter filhos, mesmo diante de alterações testiculares complexas.
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