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Endometrioma bilateral: veja os riscos, inclusive para a fertilidade

Por Equipe Origen

Publicado em 27/06/2024

A endometriose é uma doença preocupante em vários aspectos. Ela pode causar dores intensas, afetar o bem-estar físico e emocional da mulher, interferindo ainda em seus afazeres pessoais, profissionais e sociais devido aos sintomas. Além disso, há várias consequências na fertilidade, principalmente quando há o diagnóstico de endometrioma bilateral.

Uma das doenças ginecológicas mais associadas à infertilidade feminina, a endometriose pode lesionar muitas partes da região pélvica, incluindo órgãos reprodutores importantes como os ovários e as tubas uterinas. As lesões são causadas por implantes de tecido endometrial funcional, semelhante ao que reveste a parede do útero por dentro.

As células de defesa do organismo são ativadas devido à presença de endométrio ectópico (fora do útero) — que não deveria existir em outros órgãos —, causando respostas inflamatórias localizadas. Dependendo do estágio das lesões, também podem surgir aderências de tecido cicatricial que alteram a anatomia e a função dos órgãos.

Os endometriomas são manifestações da endometriose, e é sobre eles que vamos falar neste post, destacando os riscos para a fertilidade feminina. Acompanhe!

O que são endometriomas?

A endometriose tem classificações de acordo com suas características morfológicas, que incluem localização e profundidade das lesões. Em resumo, a doença pode ser classificada como:

  • peritoneal/superficial, caracterizada por implantes que se apresentam superficialmente pelo tecido que recobre os órgãos pélvicos (peritônio);
  • endometriose profunda, na qual as lesões penetram no peritônio e se infiltram nos órgãos, causando aderências;
  • cisto endometriótico ovariano.

Os endometriomas pertencem à última classificação que acabamos de listar: são os cistos ovarianos formados por tecido endometriótico. Podem variar de tamanho, apresentando desde milímetros até vários centímetros.

O cisto endometriótico de ovário também é chamado de “cisto de chocolate”, em razão de seu conteúdo escuro, amarronzado e espesso, resultante do acúmulo de sangue envelhecido.

Não raro, a mulher que tem endometrioma também apresenta outros subtipos de endometriose, como as lesões profundas. Nesses casos, podem surgir sintomas como dor pélvica crônica, dor na relação sexual, cólicas intensas e dificuldades urinárias e intestinais no período menstrual.

Outra característica importante desses cistos é que eles podem se desenvolver somente em um dos ovários ou nos dois — lembrando que os ovários são um par de órgãos situados um de cada lado do útero e fazem comunicação com a cavidade uterina intermediados pelas tubas ou trompas de falópio.

O endometrioma bilateral, portanto, é um subtipo de endometriose caracterizado pela presença de cisto endometriótico nos dois ovários. Os unilaterais são mais comuns, mas os bilaterais também podem se desenvolver, impondo consequências graves à fertilidade da mulher e à sua saúde, de modo geral, visto que os ovários produzem hormônios fundamentais para o corpo feminino.

Quais são os riscos associados ao endometrioma bilateral?

O principal risco é de infertilidade. O cisto unilateral também pode reduzir a capacidade ovulatória, mas o endometrioma bilateral é uma condição ainda mais crítica, pois causa danos nos dois ovários, de forma que nenhuma das gônadas permanece executando suas funções corretamente.

Nos ovários, estão guardados todos os óvulos (dentro dos folículos ovarianos) que a mulher poderá utilizar durante sua vida reprodutiva. Esses importantes órgãos têm as funções de desenvolver e liberar os gametas femininos para a fertilização, além de produzir os hormônios estrogênio e progesterona.

Com endometrioma bilateral, há grandes riscos de prejuízos no processo de foliculogênese (desenvolvimento dos folículos ovarianos). Os ovários podem sofrer efeitos compressivos, reduzindo o número de folículos ao redor dos cistos e, assim, diminuindo significativamente a reserva ovariana, principalmente quando são grandes. Além disso, a inflamação local interfere no amadurecimento dos óvulos, resultando em anovulação (ausência de ovulação).

Em resumo, a relação entre endometrioma bilateral e infertilidade se justifica pelos distúrbios de ovulação e, em médio e longo prazo, pela redução da reserva ovariana.

Como tratar a doença e preservar a fertilidade?

O endometrioma e outras formas de endometriose podem ser tratados com medicamentos e cirurgia. Entre os critérios para a escolha do tratamento estão: a idade da paciente, seus planos de gravidez, a intensidade dos sintomas e as modificações dos órgãos lesionados (quando há presença de aderências).

A cirurgia é uma indicação para mulheres com endometrioma bilateral. No entanto, assim como a doença em si afeta os ovários, há riscos de o procedimento cirúrgico causar danos ao tecido ovariano ao redor do cisto, resultando em redução iatrogênica da reserva ovariana.

Para evitar mais danos aos ovários, recomenda-se a coleta e o congelamento dos óvulos antes que a endometriose se agrave, também antes da cirurgia para retirada dos endometriomas. Essa prática é chamada na reprodução assistida de preservação da fertilidade.

Após o tratamento cirúrgico do endometrioma bilateral, a paciente poderá voltar ao acompanhamento com a equipe médica especializada em medicina reprodutiva quando decidir engravidar. Caso necessário, seus óvulos serão descongelados e fecundados com a técnica de fertilização in vitro (FIV) e os embriões serão transferidos para o útero.

Entenda melhor como essa complexa doença afeta o corpo da mulher, acessando o texto sobre endometriose!