FIV e barriga solidária: indicações

Por Equipe Origen

Publicado em 21/08/2026

A combinação entre FIV e barriga solidária oferece caminhos para quem não pode gestar, tornando possível o plano de ter filhos.

A fertilização in vitro (FIV) é uma das principais técnicas de reprodução assistida e possibilita que muitos casais realizem o sonho de engravidar, mesmo diante de desafios mais complexos, como a impossibilidade de carregar o bebê no próprio útero.

É nesse contexto que surge a opção de fazer o tratamento com barriga solidária, técnica também chamada de útero de substituição, cessão temporária de útero ou barriga de aluguel, embora este último termo não seja mais utilizado.

Acompanhe as informações deste texto e entenda melhor o que é FIV com barriga solidária!

Como a FIV funciona?

Para começar, precisamos explicar o que é a FIV e como ela funciona: trata-se de uma técnica complexa e avançada de reprodução assistida, que envolve a coleta dos gametas (óvulos e espermatozoides) e a fertilização em laboratório. O embrião começa a se desenvolver em incubadora e é transferido para o útero depois de alguns dias de desenvolvimento.

As principais etapas da FIV incluem:

  • estimulação ovariana: a mulher recebe medicações hormonais para desenvolver mais óvulos;
  • coleta dos óvulos: por meio de punção, os folículos ovarianos são aspirados e os óvulos são coletados antes que a paciente ovule;
  • preparo seminal: o sêmen é coletado e submetido a métodos de capacitação espermática para que os melhores espermatozoides sejam selecionados;
  • fecundação: os óvulos são fertilizados em laboratório, geralmente com a técnica de injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI);
  • cultivo embrionário: os embriões se desenvolvem, a princípio, fora do útero materno, sob monitoramento constante de um embriologista;
  • transferência embrionária: um ou mais embriões são transferidos para o útero, o que pode ser feito entre dois e cinco dias (estágios de clivagem ou blastocisto, com mais dias de desenvolvimento), no momento adequado para que se cumpra o processo de implantação na camada intrauterina (endométrio).

A FIV é uma técnica versátil, que pode ser adaptada às necessidades de diferentes perfis, incluindo mulheres com idade avançada, problemas uterinos, casais homoafetivos e pessoas com vários outros fatores de infertilidade.

O que é barriga solidária?

A barriga solidária é a prática em que outra mulher, normalmente uma familiar do casal que deseja ter filho, cede temporariamente o útero para gestar o bebê. A gestante de substituição não tem vínculo genético direto com a criança, ou seja, os óvulos que dão origem ao embrião são coletados dos ovários da futura mãe.

No Brasil, o Conselho Federal de Medicina (CFM) determina que a prática de barriga solidária não pode ter fins lucrativos ou comerciais. Outro ponto importante é que a mulher que cede o útero deve ter parentesco de até 4º grau com um dos futuros pais (mãe, irmã, tia, sobrinha ou prima) e ter pelo menos um filho.

Quando não existe parente disponível para ser a cedente temporária de útero, o casal pode considerar outra mulher para ser participante, mas esses casos precisam ser analisados pelo conselho de medicina.

Por se tratar de uma prática totalmente altruísta, o termo “barriga de aluguel” não se aplica ao contexto brasileiro. Esse é o termo mais popular, mas ele não é adequado no Brasil, pois as normas éticas proíbem qualquer tipo de envolvimento financeiro. Portanto, a denominação mais correta é barriga solidária.

A mulher que cede o útero não pode receber um pagamento por sua participação como gestante, entretanto é responsabilidade do casal de futuros pais custear todo o acompanhamento médico, inclusive multiprofissional, antes e durante a gravidez, bem como no pós-parto.

Para quem a FIV com barriga solidária é indicada?

A FIV com barriga solidária é indicada para pessoas e casais que não podem gestar, mesmo tendo óvulos e espermatozoides viáveis. Entre as indicações principais, estão:

Ausência de útero

Mulheres que passaram por histerectomia total (cirurgia de retirada do útero) ou que tenham ausência congênita do órgão reprodutor, como nos casos da Síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser, podem ter filhos com uma barriga solidária.

Doenças uterinas incompatíveis com a gestação

Quando a mulher vivencia abortos recorrentes devido a malformações no útero, miomas volumosos que deformam a cavidade uterina, adenomiose grave ou outra condição, a cessão temporária de útero é uma opção para aumentar as chances de uma gravidez saudável.

Condições médicas que contraindicam a gestação

A FIV com barriga solidária também é uma alternativa nas situações em que a gravidez representa risco elevado para a saúde materna, como cardiopatias graves, insuficiência renal avançada ou doenças autoimunes específicas.

Casais homoafetivos masculinos

Os casais homoafetivos masculinos podem ter filhos biológicos contando com a participação de uma cedente temporária de útero. Nesses casos, eles também precisam de ovodoação. Os óvulos doados são fertilizados com os espermatozoides de um ou de ambos os parceiros e transferidos (cada transferência só pode conter material biológico de um dos membros do casal) para a barriga solidária.

Importante reiterar que a gestante de substituição não pode ser a doadora de óvulos.

Como é feita a FIV com barriga solidária?

O processo segue as etapas tradicionais da FIV, mas com algumas particularidades:

  • avaliação médica e psicológica da cedente e dos futuros pais;
  • estimulação ovariana e coleta dos óvulos da futura mãe ou de uma doadora, no caso de casais homoafetivos masculinos;
  • coleta do sêmen do futuro pai e preparo seminal;
  • fecundação dos óvulos;
  • cultivo embrionário;
  • preparação do útero da cedente com hormônios que transformam o endométrio em um ambiente receptivo;
  • transferência dos embriões para a barriga solidária.

A FIV com barriga solidária representa uma alternativa ética e segura para quem não pode gestar, permitindo que o plano de ter filhos siga adiante. Os futuros pais acompanham a gestação de perto e passam por todas as etapas da preparação para receber o bebê.

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Importante Este texto tem apenas caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. Atualizamos nosso conteúdo com frequência, mas o conhecimento médico e a ciência evoluem rapidamente, por isso alguns conteúdos podem não refletir as informações mais recentes. Dessa forma, a consulta médica é o melhor momento para se informar e tirar dúvidas. Além disso, podem existir diferenças plausíveis baseadas em evidências científicas nas opiniões e condutas de diferentes profissionais de saúde.
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