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O que é gestação compartilhada?

O que é gestação compartilhada?

A reprodução assistida possibilitou que inúmeros casais — com problemas de infertilidade ou não — tivessem a chance de ter filhos biológicos. Os casais homoafetivos são um exemplo disso. Porém, existem algumas diferenças entre os casais masculinos e femininos. A gestação compartilhada, por exemplo, é utilizada apenas por casais homoafetivos femininos.

Os filhos gerados por reprodução assistida, principalmente, por meio da fertilização in vitro (FIV), são formados a partir dos gametas de uma das parceiras com os gametas de um doador anônimo.

O foco deste artigo será a gestação compartilhada, técnica permitida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e ainda desconhecida por muitos casais.

Boa leitura!

Como a reprodução assistida pode ajudar casais homoafetivos a terem filhos?

O uso de técnicas de reprodução assistida por casais homoafetivos é permitido pelo CFM desde 2013. Entre as técnicas disponíveis, os casais homoafetivos masculinos podem utilizar apenas a FIV para ter filhos. Porém, para os casais femininos, a inseminação artificial também é uma opção.

O avanço das técnicas de fertilização in vitro possibilitou a criação de técnicas complementares, utilizadas para aumentar as suas chances de sucesso. Entre elas, duas são muito importantes para casais homoafetivos: a doação de gametas e a gestação por útero de substituição.

A doação de gametas acontece quando uma pessoa, de forma voluntária, doa parte dos seus óvulos ou do seu sêmen. Segundo as regras do CFM (nº 2168/2017), a doação não pode envolver ganhos financeiros e ela deve ser anônima.

A gestação por útero de substituição — também chamada de barriga solidária — é mais utilizada por casais masculinos. Uma mulher cede o seu útero e gesta o embrião do casal. O processo também deve seguir as regras do CFM, como não ter caráter comercial, devendo ser preferencialmente parente de até quarto grau de um dos parceiros.

Para casais masculinos, a reprodução assistida envolve a doação de óvulos e o útero de substituição. E para casais femininos, fazem parte a doação de sêmen e a gestação compartilhada.

O que é gestação compartilhada?

A gestação compartilhada possibilita que, entre um casal homoafetivo feminino, ambas participem ativamente do processo. Na técnica, uma das mulheres fornece os óvulos para a fecundação. Eles são fecundados e transferidos para o útero da sua parceira, que passa pela gestação. Por isso, ela pode ser realizada apenas na fertilização in vitro.

O processo é realizado por um desejo do casal de que ambas façam parte do processo, mas ele não é obrigatório. Os embriões também poderiam ser implantados na doadora dos óvulos.

Antes de tomar a decisão sobre quem irá doar os óvulos e quem irá gestar, ambas devem fazer uma avaliação da sua saúde reprodutiva. Alguns critérios como a idade ou a presença de alguma doença relacionada à infertilidade fazem a diferença no sucesso da FIV.

Apesar do nome parecido, a gestação compartilhada é diferente da doação de óvulos compartilhada. Essa técnica é realizada quando duas mulheres que estão fazendo o tratamento da FIV compartilham o material biológico (no caso, os óvulos) e parte dos custos. Ou seja, os óvulos viáveis que não foram utilizados por uma delas são doados para outra mulher. Em seguida, os gametas são fecundados com os espermatozoides dos seus respectivos parceiros.

Como a gestação compartilhada é realizada?

As primeiras etapas da gestação compartilhada são as mesmas realizadas por um casal formado por um homem e uma mulher na fertilização in vitro. A estimulação ovariana é realizada por uma das parceiras para desenvolver o maior número possível de folículos ovarianos. Os óvulos se localizam dentro dessas estruturas, por isso, quanto mais folículos disponíveis para o tratamento, melhor.

Quando eles estiverem no tamanho ideal, os óvulos são coletados e fecundados em um laboratório com os espermatozoides do doador anônimo escolhido durante o processo de doação de sêmen. Em paralelo, a mulher que irá receber os embriões passa por uma fase chamada preparação endometrial. O endométrio, camada interna do útero, é responsável pela implantação e nutrição do embrião.

Para isso, a paciente recebe uma medicação hormonal com o objetivo de aumentar a espessura do endométrio, processo semelhante ao que acontece naturalmente com a mulher durante o seu ciclo menstrual.

Os embriões formados na fecundação passam alguns dias em uma incubadora. As suas primeiras divisões celulares são observadas pela equipe de embriologistas. Apenas os embriões de maior chance de implantação são transferidos para o útero da parceira da doadora.

Na gestação compartilhada, uma das mulheres fornece os óvulos para a sua parceira gestar o embrião até o final da gravidez. A única técnica de reprodução assistida que pode realizá-la é a fertilização in vitro, pois a sua fecundação é realizada fora do corpo da mulher, em um laboratório.

A reprodução assistida possibilita que casais homoafetivos tenham filhos biológicos, como mostramos nesse artigo. Para saber mais sobre o assunto, toque aqui e confira!

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Comunicado

SARS Cov-2 (COVID 19): vacinas, reprodução assistida e grávidas
• Posição atual conjunta •

03 de fevereiro de 2021

Grandes avanços dos estudos colaborativos incluem hoje pelo menos 85 vacinas pré-clínicas em investigação ativa em animais, 65 em ensaios clínicos em humanos, com 20 vacinas que chegaram aos estágios finais de testagem, sendo 12 já em uso em diferentes países/situações. As principais vacinas disponíveis estão constituidas por partículas de RNA mensageiro (Pfizer-Biontech e Moderna), vírus inativado (CoronaVac,Sinopharma e Covaxin, Bharat Biotech), com adenovirus (Oxford-AstraZeneca, Johnson&Johnson e Sputnik V, Gamaleya).

A pandemia segue, e neste momento a discussão se centraliza no uso das vacinas disponíveis e as pacientes submetidas às técnicas de reprodução assistida, grávidas e populações de risco entre as grávidas.

Nossas sociedades, avaliando também as diretrizes emitidas por sociedades mundiais como a ESHRE, a ASRM, a IFFS e a ACOG (SOGC), consideram que dentro da disponibilidade possível:

1) A vacinação tem efetividade e não induz a risco aumentado de contrair a infecção por Covid 19. Embora ainda não hajam estudos humanos de longo prazo sobre a vacinação contra Covid-19 e gravidez, nenhuma das vacinas contém vírus Sars Cov-2 vivo.

2) Para indivíduos vulneráveis,que apresentam alto risco de infecção e / ou morbidade por COVID-19, dentre os quais estão as grávidas, não receber a vacina supera o risco de ser vacinado, previamente ou durante a gravidez. Inclui-se ainda neste grupo os profissionais de saúde e aqueles outros, de linha de frente, com maior risco de exposição.

3) Não há razão para atrasar as tentativas de gravidez ou tratamentos de reprodução assistida quando de vacina não disponível ou se pacientes fora de grupos de risco.

4) Decisões da utilização (ou não) das vacinas devem ser compartilhadas entre pacientes e médicos, respeitando-se os princípios éticos de autonomia, beneficência e não maleficência.

5) Esta informação sobre vacinas deve ser incluidas como um termo específico em um consentimento informado já existente. Red Latinoamericana de Reproducción Asistida – REDLARA

6) Seguirão atualizações, a cada momento que novos conhecimentos solidifiquem os dados atuais.

  • REDLARA - Red Latinoamericana de Reproducción Asistida
  • SBRA - Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida
  • SAMeR - Sociedad Argentina de Medicina Reproductiva
  • AMMR - Asociación Mexicana de Medicina de la Reproducción
  • PRONÚCLEO - Associação Brasileira de Embriologistas em Medicina Reprodutiva
  • SAEC - Sociedad Argentina de Embriología Clínica
  • SOCMER - Sociedad Chilena de Medicina Reproductiva
  • ACCER - Asociación de Centros Colombianos de Reproducción Humana
  • SURH - Sociedad Uruguaya de Reproducción Humana
  • AVEMERE - Asociación Venezolana de Medicina Reproductiva y Embriología

Referências
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