Varicocele, infecções genitais, alterações genéticas e até o estilo de vida podem prejudicar a espermatogênese e a fertilidade masculina.
A espermatogênese, o sêmen, os espermatozoides: tudo isso é importante quando falamos em fertilidade masculina. Para o casal que está em fase de tentativas de gravidez, é importante compreender o que cada um desses termos significa exatamente e saber qual é o papel deles no processo de concepção.
Vamos começar diferenciando o sêmen e os espermatozoides, que estão relacionados, mas têm funções específicas:
- o sêmen é o fluído que o homem libera durante a ejaculação. Ele contém os espermatozoides, bem como outras secreções produzidas pelas vesículas seminais e próstata. A função do líquido seminal é nutrir, proteger e transportar os espermatozoides pelo trato reprodutivo feminino para que eles cheguem ao local da fertilização do óvulo;
- os espermatozoides são as células reprodutivas masculinas, os gametas responsáveis por fecundar o óvulo. A qualidade e a quantidade dessas células são fatores determinantes para a fertilidade masculina.
Agora, continue a leitura para entender o que é espermatogênese!
O que é espermatogênese?
A espermatogênese é o processo de produção e maturação dos espermatozoides. Ela ocorre nos túbulos seminíferos, dentro dos testículos, e tem início na puberdade. Ao longo de toda a vida do homem, os gametas podem continuar sendo produzidos, mas ocorre uma redução natural na concentração de testosterona em torno dos 50 anos, fator que também pode afetar a produção e a qualidade das células reprodutivas.
Durante a espermatogênese, células precursoras chamadas espermatogônias passam por diversas divisões e transformações até se tornarem espermatozoides maduros. Esse ciclo completo leva aproximadamente 74 dias.
A espermatogênese depende de ação hormonal, regulada pelo eixo hipotálamo-hipófise-gonadal. Os principais hormônios envolvidos são o folículo-estimulante (FSH) e o luteinizante (LH), secretados pela hipófise, e a testosterona, produzida nos próprios testículos.
Outro fator importante para que a espermatogênese aconteça é a temperatura do ambiente testicular, que precisa ser ligeiramente inferior à corporal para que as células germinativas se desenvolvam adequadamente.
Em resumo, a espermatogênese ocorre em três etapas:
- fase proliferativa, quando as espermatogônias se dividem e dão origem a espermatócitos;
- fase meiótica, na qual os espermatócitos passam por divisões celulares que reduzem o número de cromossomos, formando espermátides;
- fase de diferenciação (espermiogênese), marcada pela transformação das espermátides em espermatozoides maduros, com cabeça, peça intermediária e cauda, que são estruturas essenciais para a capacidade de fertilização.
Depois de formados, os espermatozoides são transportados para os epidídimos (órgãos localizados atrás dos testículos), onde ganham motilidade e ficam armazenados até a ejaculação.
O que pode afetar a espermatogênese?
A espermatogênese é um processo sensível, que pode ser alterado por diversos fatores internos e externos. Veja quais condições podem prejudicá-la:
Alterações hormonais
Distúrbios que afetam os níveis de testosterona ou de outros hormônios que estimulam a espermatogênese podem reduzir a produção ou alterar a qualidade espermática. Algumas causas de deficiência hormonal no homem são:
- hipogonadismo;
- disfunções da hipófise ou do hipotálamo;
- uso de esteroides anabolizantes;
- medicações que atuam na produção de neurotransmissores;
- doenças da tireoide etc.
Varicocele
A varicocele (dilatação das veias testiculares) é causada por um mau funcionamento das válvulas que fazem o retorno venoso nos testículos. É uma das causas mais comuns de infertilidade masculina, pois pode aumentar a temperatura intratesticular e o estresse oxidativo, prejudicando a quantidade de espermatozoides produzidos e a qualidade das células.
Infecções no trato genital
Infecções na região genital, como a caxumba e as que são causadas por patógenos sexualmente transmissíveis (por exemplo, clamídia, gonorreia), podem causar danos às células germinativas. Além de afetar a espermatogênese, os processos inflamatórios associados a essas doenças podem resultar em formação de tecido cicatricial que obstrui a passagem dos espermatozoides.
Fatores ambientais/ocupacionais e hábitos de vida
A exposição frequente a calor excessivo, agrotóxicos, solventes, metais pesados ou radiação também oferece risco à espermatogênese. Hábitos como o tabagismo, consumo excessivo de álcool, uso de drogas ilícitas, má alimentação e sedentarismo são outros fatores com possíveis impactos negativos.
Idade e fatores genéticos
O envelhecimento pode reduzir a produção de testosterona e, por consequência, a qualidade dos espermatozoides. Já algumas alterações genéticas, como a síndrome de Klinefelter e microdeleções no cromossomo Y, podem comprometer totalmente a espermatogênese.
Como tratar as alterações espermáticas?
Durante a avaliação do casal infértil, tanto o homem quanto a mulher devem ser examinados. Em até 40% dos casos, há fator masculino envolvido. As alterações espermáticas podem ser detectadas no espermograma.
A análise seminal avalia, entre outros aspectos: o volume do sêmen, a concentração, a motilidade e a morfologia dos espermatozoides. Se o espermograma (após ao menos duas coletas com intervalo de no mínimo 15 dias) apresentar resultados alterados, podem ser solicitados exames hormonais, testes genéticos, ultrassom escrotal e outros exames para identificar as causas das alterações espermáticas.
Mesmo quando a espermatogênese é parcial ou limitada, a reprodução assistida oferece alternativas para o casal que deseja engravidar. Veja algumas técnicas que podem ser indicadas para a superação do fator masculino:
- preparo seminal associado à inseminação artificial, em casos leves, quando ainda há espermatozoides móveis e em número suficiente;
- fertilização in vitro (FIV) com injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI), técnica em que um único espermatozoide é injetado de cada vez dentro de um óvulo. É uma opção especialmente relevante para casais que conseguem recuperar um baixo número de gametas masculinos;
- TESE e Micro-TESE, técnicas de recuperação espermática que podem ser realizadas quando o homem apresenta azoospermia (ausência de espermatozoides no ejaculado) ou espermatozoides de qualidade baixíssima na amostra coletada. Dessa forma, o objetivo é recuperar um número viável de gametas que ainda estão nos testículos;
- doação de sêmen nos casos em que a espermatogênese não acontece ou não é possível recuperar um número mínimo de gametas próprios com qualidade suficiente.
Para chegar à escolha das técnicas de reprodução assistida, o casal é avaliado de forma conjunta e o plano de tratamento é personalizado. Caso exista, além da falha na espermatogênese, algum fator feminino, é preciso definir procedimentos e protocolos específicos para também superá-lo.
Confira ainda o texto sobre infertilidade masculina e conheça melhor as causas envolvidas!





