O que pode afetar a espermatogênese?

Por Equipe Origen

Publicado em 04/08/2026

Varicocele, infecções genitais, alterações genéticas e até o estilo de vida podem prejudicar a espermatogênese e a fertilidade masculina.

A espermatogênese, o sêmen, os espermatozoides: tudo isso é importante quando falamos em fertilidade masculina. Para o casal que está em fase de tentativas de gravidez, é importante compreender o que cada um desses termos significa exatamente e saber qual é o papel deles no processo de concepção.

Vamos começar diferenciando o sêmen e os espermatozoides, que estão relacionados, mas têm funções específicas:

  • o sêmen é o fluído que o homem libera durante a ejaculação. Ele contém os espermatozoides, bem como outras secreções produzidas pelas vesículas seminais e próstata. A função do líquido seminal é nutrir, proteger e transportar os espermatozoides pelo trato reprodutivo feminino para que eles cheguem ao local da fertilização do óvulo;
  • os espermatozoides são as células reprodutivas masculinas, os gametas responsáveis por fecundar o óvulo. A qualidade e a quantidade dessas células são fatores determinantes para a fertilidade masculina.

Agora, continue a leitura para entender o que é espermatogênese!

O que é espermatogênese?

A espermatogênese é o processo de produção e maturação dos espermatozoides. Ela ocorre nos túbulos seminíferos, dentro dos testículos, e tem início na puberdade. Ao longo de toda a vida do homem, os gametas podem continuar sendo produzidos, mas ocorre uma redução natural na concentração de testosterona em torno dos 50 anos, fator que também pode afetar a produção e a qualidade das células reprodutivas.

Durante a espermatogênese, células precursoras chamadas espermatogônias passam por diversas divisões e transformações até se tornarem espermatozoides maduros. Esse ciclo completo leva aproximadamente 74 dias.

A espermatogênese depende de ação hormonal, regulada pelo eixo hipotálamo-hipófise-gonadal. Os principais hormônios envolvidos são o folículo-estimulante (FSH) e o luteinizante (LH), secretados pela hipófise, e a testosterona, produzida nos próprios testículos.

Outro fator importante para que a espermatogênese aconteça é a temperatura do ambiente testicular, que precisa ser ligeiramente inferior à corporal para que as células germinativas se desenvolvam adequadamente.

Em resumo, a espermatogênese ocorre em três etapas:

  • fase proliferativa, quando as espermatogônias se dividem e dão origem a espermatócitos;
  • fase meiótica, na qual os espermatócitos passam por divisões celulares que reduzem o número de cromossomos, formando espermátides;
  • fase de diferenciação (espermiogênese), marcada pela transformação das espermátides em espermatozoides maduros, com cabeça, peça intermediária e cauda, que são estruturas essenciais para a capacidade de fertilização.

Depois de formados, os espermatozoides são transportados para os epidídimos (órgãos localizados atrás dos testículos), onde ganham motilidade e ficam armazenados até a ejaculação.

O que pode afetar a espermatogênese?

A espermatogênese é um processo sensível, que pode ser alterado por diversos fatores internos e externos. Veja quais condições podem prejudicá-la:

Alterações hormonais

Distúrbios que afetam os níveis de testosterona ou de outros hormônios que estimulam a espermatogênese podem reduzir a produção ou alterar a qualidade espermática. Algumas causas de deficiência hormonal no homem são:

  • hipogonadismo;
  • disfunções da hipófise ou do hipotálamo;
  • uso de esteroides anabolizantes;
  • medicações que atuam na produção de neurotransmissores;
  • doenças da tireoide etc.

Varicocele

A varicocele (dilatação das veias testiculares) é causada por um mau funcionamento das válvulas que fazem o retorno venoso nos testículos. É uma das causas mais comuns de infertilidade masculina, pois pode aumentar a temperatura intratesticular e o estresse oxidativo, prejudicando a quantidade de espermatozoides produzidos e a qualidade das células.

Infecções no trato genital

Infecções na região genital, como a caxumba e as que são causadas por patógenos sexualmente transmissíveis (por exemplo, clamídia, gonorreia), podem causar danos às células germinativas. Além de afetar a espermatogênese, os processos inflamatórios associados a essas doenças podem resultar em formação de tecido cicatricial que obstrui a passagem dos espermatozoides.

Fatores ambientais/ocupacionais e hábitos de vida

A exposição frequente a calor excessivo, agrotóxicos, solventes, metais pesados ou radiação também oferece risco à espermatogênese. Hábitos como o tabagismo, consumo excessivo de álcool, uso de drogas ilícitas, má alimentação e sedentarismo são outros fatores com possíveis impactos negativos.

Idade e fatores genéticos

O envelhecimento pode reduzir a produção de testosterona e, por consequência, a qualidade dos espermatozoides. Já algumas alterações genéticas, como a síndrome de Klinefelter e microdeleções no cromossomo Y, podem comprometer totalmente a espermatogênese.

Como tratar as alterações espermáticas?

Durante a avaliação do casal infértil, tanto o homem quanto a mulher devem ser examinados. Em até 40% dos casos, há fator masculino envolvido. As alterações espermáticas podem ser detectadas no espermograma.

A análise seminal avalia, entre outros aspectos: o volume do sêmen, a concentração, a motilidade e a morfologia dos espermatozoides. Se o espermograma (após ao menos duas coletas com intervalo de no mínimo 15 dias) apresentar resultados alterados, podem ser solicitados exames hormonais, testes genéticos, ultrassom escrotal e outros exames para identificar as causas das alterações espermáticas.

Mesmo quando a espermatogênese é parcial ou limitada, a reprodução assistida oferece alternativas para o casal que deseja engravidar. Veja algumas técnicas que podem ser indicadas para a superação do fator masculino:

  • preparo seminal associado à inseminação artificial, em casos leves, quando ainda há espermatozoides móveis e em número suficiente;
  • fertilização in vitro (FIV) com injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI), técnica em que um único espermatozoide é injetado de cada vez dentro de um óvulo. É uma opção especialmente relevante para casais que conseguem recuperar um baixo número de gametas masculinos;
  • TESE e Micro-TESE, técnicas de recuperação espermática que podem ser realizadas quando o homem apresenta azoospermia (ausência de espermatozoides no ejaculado) ou espermatozoides de qualidade baixíssima na amostra coletada. Dessa forma, o objetivo é recuperar um número viável de gametas que ainda estão nos testículos;
  • doação de sêmen nos casos em que a espermatogênese não acontece ou não é possível recuperar um número mínimo de gametas próprios com qualidade suficiente.

Para chegar à escolha das técnicas de reprodução assistida, o casal é avaliado de forma conjunta e o plano de tratamento é personalizado. Caso exista, além da falha na espermatogênese, algum fator feminino, é preciso definir procedimentos e protocolos específicos para também superá-lo.

Confira ainda o texto sobre infertilidade masculina e conheça melhor as causas envolvidas!

Importante Este texto tem apenas caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. Atualizamos nosso conteúdo com frequência, mas o conhecimento médico e a ciência evoluem rapidamente, por isso alguns conteúdos podem não refletir as informações mais recentes. Dessa forma, a consulta médica é o melhor momento para se informar e tirar dúvidas. Além disso, podem existir diferenças plausíveis baseadas em evidências científicas nas opiniões e condutas de diferentes profissionais de saúde.
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