A polispermia oferece riscos à gestação, mas as técnicas da reprodução assistida podem ajudar na prevenção desse problema.
Durante a fertilização, ocorre um processo altamente regulado: apenas um espermatozoide deve penetrar no óvulo, garantindo que o embrião receba a quantidade correta de material genético.
Existe uma condição rara, chamada polispermia, que pode acontecer quando há falhas no processo de fertilização. Essa situação pode levar a sérias alterações cromossômicas, como a triploidia, e prejudicar a gestação.
A partir da leitura deste texto, você vai entender o que é polispermia, suas causas e a relação com a dificuldade para engravidar. Também vamos explicar se esse problema pode ocorrer na reprodução assistida e como prevenir. Confira as informações abaixo!
O que é polispermia?

A polispermia é caracterizada pela fertilização de um único óvulo por dois ou mais espermatozoides, o que resulta em um embrião com número anormal de cromossomos.
Quando um óvulo e um espermatozoide se unem, forma-se um embrião com 46 cromossomos, pois ele recebeu 23 da célula feminina e 23 do gameta masculino. Esse é o número normal do cariótipo do ser humano. Já as alterações cromossômicas numéricas (aneuploidias) podem levar a falhas de implantação do embrião no útero, abortamento ou desenvolvimento de um indivíduo com síndrome genética.
Na polispermia, como mais de um espermatozoide penetra no óvulo, o número de cromossomos do embrião se altera, criando uma composição genética instável, inviável para o desenvolvimento saudável do feto.
Entre as consequências da polispermia, está a triploidia, condição rara em que o embrião possui 69 cromossomos, em vez dos 46 habituais. Ou seja, existe um conjunto extra de cromossomos que é incompatível com o desenvolvimento embrionário normal
Na maioria dos casos, a triploidia resulta em aborto espontâneo. Caso a gestação prossiga, o feto pode apresentar malformações graves, como defeitos cardíacos, anomalias craniofaciais e restrição de crescimento intrauterino, resultando quase sempre em óbito fetal ou neonatal.
É oportuno mencionar que a triploidia difere de outras aneuploidias. Na triploidia, o embrião apresenta um conjunto extra de cromossomos, o que pode ocorrer devido à entrada de dois espermatozoides no óvulo, resultando, portanto, em 23 cromossomos herdados da célula materna mais 23 de cada gameta masculino (um total de 69).
Em outras aneuploidias, a fertilização ocorre normalmente (com somente um espermatozoide), mas falhas durante o processo de divisão celular podem deixar o embrião com um número maior ou menor de cromossomos, como na síndrome de Down, que o indivíduo apresenta 3 repetições do cromossomo 21. Isso pode acontecer por acaso (razão mais frequente), devido à baixa qualidade dos gametas, idade materna avançada e problemas genéticos.
A triploidia ocorre esporadicamente e não está associada a histórico familiar de síndromes genéticas. As causas da polispermia, de modo geral, podem ter relação com os seguintes fatores:
- enfraquecimento da zona pelúcida, a membrana protetora do óvulo, que geralmente impede a entrada de múltiplos espermatozoides;
- falhas na divisão celular (meiose).
Como evitar a polispermia?
A polispermia é uma falha rara e imprevisível no processo de fertilização natural. É possível, no entanto, realizar alguns exames que identificam se o problema ocorreu a fim de respaldar o manejo da gestação. A ultrassonografia obstétrica, por exemplo, é fundamental para identificar malformações estruturais e crescimento fetal anormal, além de permitir o estudo cromossômico do feto.
Na reprodução assistida também há riscos de polispermia, mas existem técnicas que podem ajudar na prevenção de alterações genéticas. Na fertilização in vitro (FIV), o monitoramento laboratorial rigoroso e o teste genético pré-implantacional (PGT) são caminhos que podem ser utilizados para aumentar as chances de ter uma gestação saudável.
Portanto, falhas na fecundação também podem ocorrer na reprodução assistida, mas isso depende da técnica empregada. Nos tratamentos de baixa complexidade (coito programado e inseminação artificial), não há nenhuma intervenção na etapa de fertilização, isto é, o óvulo é naturalmente fertilizado dentro do corpo da mulher, portanto o risco de polispermia é o mesmo que na concepção espontânea.
Na FIV, há um controle maior do processo conceptivo e os óvulos são fertilizados em laboratório. Ainda assim, na FIV clássica (quando se colocam milhares de espermatozoides ao redor do óvulo), não é impossível que ocorra polispermia.
Contudo, há formas de evitar esse problema, sobretudo em tratamentos de FIV com injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI). Nessa modalidade, as chances de falhas de fertilização são menores, pois apenas um espermatozoide é micromanipulado de cada vez, com o auxílio de um microscópio de alta resolução, e injetado dentro de um óvulo.
Mesmo na FIV com ICSI, é necessário o monitoramento cuidadoso dos embriões na etapa de cultivo, fase em que eles começam a se desenvolver em incubadora. Erros durante o desenvolvimento embrionário podem ocorrer, principalmente quando os gametas (óvulos e espermatozoides) são de baixa qualidade.
Por isso, uma técnica importante no contexto da FIV é o teste genético pré-implantacional para aneuploidia (PGT-A). Trata-se de uma análise feita após biópsia embrionária (quando indicada e discutidas suas vantagens e desvantagens) que ajuda a identificar embriões com número anormal de cromossomos antes da transferência para o útero.
Em suma, não é possível prevenir a polispermia na fertilização natural, mas a reprodução assistida oferece estratégias para minimizar os riscos. Consultar um médico especialista e contar com as técnicas avançadas da medicina reprodutiva são alternativas para aumentar as chances de uma gravidez saudável.
Quer mais informações sobre reprodução assistida? Leia este texto: fertilização in vitro (FIV).





