A fertilidade feminina está diretamente relacionada à reserva de óvulos disponíveis nos ovários. Uma das maneiras mais eficientes de fazer a avaliação da reserva ovariana é por meio da contagem de folículos antrais, realizada com ultrassonografia pélvica transvaginal.
Os folículos são as unidades funcionais dos ovários, eles abrigam os óvulos que ainda poderão se desenvolver para a ovulação ao longo da vida fértil da mulher. Em cada ciclo menstrual, um grupo de folículos começa a crescer, mas geralmente é apenas um que libera um óvulo maduro.
O exame de ultrassonografia pélvica tem um papel importante na avaliação da fertilidade feminina, tanto para verificar o estado da reserva ovariana quanto para investigar alterações anatômicas nos órgãos reprodutores.
Leia este post e entenda a importância da contagem dos folículos antrais na avaliação da reserva ovariana!
O que são folículos antrais?
Os folículos ovarianos são pequenas estruturas dentro dos ovários onde os óvulos se desenvolvem. Desde o nascimento, a mulher já possui todos os folículos que terá ao longo da vida, cerca de 1 a 2 milhões. No entanto, esse número diminui progressivamente com o tempo, chegando a aproximadamente 400 mil na puberdade.
Com a ovulação, um óvulo é liberado em cada ciclo menstrual. Dessa forma, ao longo de aproximadamente 35 anos de vida reprodutiva da mulher, somente cerca de 400 folículos ovarianos amadurecem e ovulam. Os demais se degeneram. Por isso, a utilização de anticoncepcionais hormonais não preserva a reserva.
Quando a mulher começa a ovular, gastaria 400 óvulos de um total de 400 mil, ou seja, evitar a ovulação “economiza” cerca de 0,1% das células germinativas. Como não há produção de novos folículos, a reserva ovariana passa por redução contínua até chegar na menopausa.
O desenvolvimento folicular ocorre em etapas, e os folículos passam por diferentes estágios até se tornarem maduros o suficiente para liberar um óvulo. Assim, os folículos ovarianos se dividem em:
- primordiais — pequenos e imaturos, formam a reserva ovariana inicial;
- primários e secundários — encontram-se em estágios intermediários de maturação;
- folículos antrais — contêm uma cavidade cheia de líquido (antro) e são visíveis ao ultrassom;
- folículo dominante — um dos folículos antrais é selecionado durante o ciclo menstrual para ovular, enquanto os demais sofrem atresia (degeneração/involução/absorção).
Os folículos antrais são particularmente importantes porque indicam o potencial de resposta dos ovários a estímulos hormonais, seja em ciclos naturais (com os hormônios endógenos) ou em tratamentos de reprodução assistida (com medicações utilizadas na estimulação ovariana).
Por que o ultrassom conta os folículos antrais?
A contagem de folículos antrais (CFA) é um exame simples, realizado por ultrassom transvaginal, geralmente no início do ciclo menstrual (entre o segundo e o sétimo dia). Nesse período, é possível visualizar melhor os folículos em desenvolvimento presentes nos ovários, os quais apresentam entre 2 e 10 mm de diâmetro.
Esse exame é relevante porque:
- permite uma estimativa confiável da reserva ovariana — a contagem de folículos antrais reflete a quantidade de óvulos disponíveis e prontos para o desenvolvimento, ajudando a prever como os ovários responderão aos estímulos hormonais;
- planejamento de tratamentos personalizados — essa contagem é útil para ajustar o protocolo de estimulação ovariana de acordo com a necessidade individual das pacientes, garantindo maior eficiência no tratamento reprodução humana e reduzindo riscos, como a hiperestimulação ovariana;
- identificação de condições médicas — uma contagem muito baixa pode indicar insuficiência ovariana precoce, enquanto um número elevado de pequenos folículos antrais pode estar associado à síndrome dos ovários policísticos (SOP).
Embora a contagem dos folículos antrais seja um marcador importante, ela pode ser interpretada em conjunto com outros exames, como a dosagem do hormônio antimülleriano (AMH) e do hormônio folículo-estimulante (FSH), para uma avaliação mais completa da reserva ovariana.
Os resultados da contagem variam conforme a idade e a condição clínica de cada mulher. Em geral, considera-se:
- baixa reserva ovariana, quando há menos de 5 folículos antrais nos dois ovários;
- reserva ovariana normal, quando há entre 6 e 14 folículos antrais;
- alta reserva ovariana, quando há mais de 14 folículos antrais.
Idade, genética e algumas condições clínicas podem influenciar esses números. Por isso, a análise dos resultados deve ser feita por um especialista e em conjunto com a avaliação de outros dados da paciente.
Vale esclarecer que as mulheres com baixa reserva ovariana podem engravidar naturalmente. Da mesma forma, aquelas com alta reserva podem enfrentar dificuldades devido a outros fatores.
No entanto, em tratamentos de reprodução assistida, uma boa resposta ovariana aumenta a chance de coletar óvulos maduros suficientes para a fertilização, melhorando as perspectivas de sucesso.
Qual é a relação entre avaliação da reserva ovariana e estimulação ovariana?
A estimulação ovariana é, normalmente, a primeira etapa dos tratamentos de reprodução assistida — coito programado, inseminação artificial e fertilização in vitro (FIV). A técnica envolve o uso de medicamentos hormonais para estimular o crescimento de múltiplos folículos nos ovários, aumentando o número de óvulos disponíveis para fertilização.
A avaliação da reserva ovariana, incluindo a contagem dos folículos antrais, é determinante para que o protocolo de estimulação ovariana seja definido de forma individualizada, de forma que as doses de medicação hormonal sejam adaptadas às necessidades do corpo de cada mulher.
Para mulheres com baixa reserva ovariana, são utilizados protocolos que maximizam a resposta dos ovários, por exemplo, doses mais altas de hormônios ou o uso de estratégias diferenciadas, como o DuoStim, que envolve dois estímulos no mesmo ciclo menstrual, ou mesmo o TetraStim, em que em dois ciclos menstruais se realizam quatro coletas de óvulos.
Para mulheres com reserva ovariana alta, pode-se utilizar protocolos com doses mais baixas de hormônios como conduta de prevenção diante do risco de síndrome de hiperestimulação ovariana, que tem efeitos colaterais prejudiciais ao preparo uterino e ao processo de implantação embrionária.
O ultrassom para contagem de folículos antrais é uma ferramenta indispensável na avaliação da reserva ovariana. Embora essa contagem não determine, por si só, as chances de gravidez natural, ela fornece informações importantes para orientar as decisões médicas em tratamentos de reprodução assistida.
Tem interesse em mais informações? Leia nosso texto que explica os detalhes da estimulação ovariana!