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Reprodução assistida: você sabe o que é?

Reprodução assistida: você sabe o que é?

A reprodução assistida (RA) é uma das áreas da medicina que mais se destacou nas últimas décadas, motivada por diferentes fatores, incluindo o desenvolvimento tecnológico e os modos de vida comuns à sociedade contemporânea.

No primeiro caso, a incorporação de novas tecnologias à área médica, incluindo à RA, proporcionou uma grande evolução nos cuidados com a saúde.

Atualmente, por exemplo, o acesso a ferramentas diagnósticas mais precisas e procedimentos minimamente invasivos, possibilitaram diagnóstico e cura mais rápida dos pacientes, a partir de tratamentos individualizados, garantindo, dessa forma, melhores resultados.

Os modos de vida, por outro lado, podem influenciar negativamente os percentuais de sucesso ou mesmo interferir na saúde. É o que acontece com a saúde reprodutiva: a tendência de adiar a gravidez, comum no mundo todo, além de hábitos como alimentação pouco saudável, sedentarismo, alcoolismo e tabagismo, têm contribuído para aumentar os casos de infertilidade.

Embora a reprodução assistida se apresente como solução para os problemas de fertilidade, femininos ou masculinos, ainda gera muitas dúvidas. Continue a leitura até o final e entenda melhor o funcionamento dessa área da medicina.

O que é reprodução assistida?

Reprodução assistida é um termo usado para descrever os tratamentos disponíveis para ajudar pessoas com dificuldade em conceber uma criança naturalmente. Geralmente envolve o manuseio e/ou a manipulação dos gametas (óvulos e espermatozoides), para realizar procedimentos mais simples ou complexos, de acordo com a necessidade de cada paciente.

É uma subespecialidade da Ginecologia Obstetrícia ou da Urologia. Na Ginecologia e Obstetrícia o profissional tem conhecimento das duas especialidades: a ginecológica, que estuda o sistema reprodutor e o aparelho genital feminino, e a obstétrica, que estuda o período da gestação ao puerpério (pós-parto), fisiologia e patologias relacionadas a elas.

Enquanto o profissional de Urologia, estuda o sistema reprodutor e o aparelho genital masculino, assim como o seu funcionamento e doenças que podem afetar os homens.

O especialista em reprodução assistida, portanto, ao mesmo tempo que está capacitado para diagnosticar e tratar doenças que podem afetar a saúde reprodutiva feminina ou masculina resultando em infertilidade, também possuem o conhecimento sobre a manipulação das técnicas, que permitem aumentar as chances de gravidez quando há dificuldades.

Os tratamentos de reprodução assistida são considerados padrão quando há infertilidade feminina ou masculina e já proporcionaram o nascimento de milhões de crianças no mundo todo.

Quem pode recorrer à reprodução assistida?

Não são apenas os casais com dificuldades reprodutivas que podem se beneficiar com os tratamentos, eles também são importantes para realizar o sonho de ter filhos biológicos em outras situações.

Desde 2013 o Conselho Federal de Medicina (CFM), órgão responsável por regulamentar a reprodução assistida no Brasil, ampliou a possibilidade para a utilização das técnicas.

Atualmente, por exemplo, elas são extensivas aos casais homoafetivos femininos e masculinos, a pessoas solteiras que desejam uma gravidez independente ou para evitar a transmissão de doenças hereditárias às futuras gerações.

Conheça as técnicas de reprodução assistida e indicação de cada uma

As três principais técnicas de reprodução assistida são a relação sexual programada (RSP), a inseminação artificial (IA) e a fertilização in vitro (FIV). Elas proporcionam a solução de praticamente todos os problemas de fertilidade, femininos e masculinos.

São classificadas como de baixa e alta complexidade e, dessa forma, indicadas de acordo com a gravidade do problema, assim como a necessidade de cada casal ou pessoa submetidos ao tratamento.

RSP e IA são as técnicas de baixa complexidade, assim classificadas por preverem a fecundação de forma natural, nas tubas uterinas, in vivo. Enquanto na fertilização in vitro, de alta complexidade, a fecundação acontece em laboratório, in vitro.

RSP e IA são mais adequadas para mulheres com até 35 anos, que ainda possuem boa reserva ovaria – boa quantidade de folículos, bolsas que armazenam os óvulos, presentes nos ovários – e as tubas uterinas saudáveis.

Possibilitam o tratamento de mulheres com endometriose nos estágios iniciais e distúrbios de ovulação, geralmente como consequência da síndrome dos ovários policísticos (SOP), em ambos os casos.

Na RSP, entretanto, o espermograma também deve estar normal, pois o objetivo do tratamento é programar o melhor momento para manter a relação sexual e estimular o desenvolvimento de mais folículos.

A IA, por outro lado, possibilita o tratamento quando há alterações leves ou moderadas na forma (morfologia) ou motilidade (movimento), quando há alterações no muco uterino, secreção feminina que facilita o transporte dos espermatozoides durante o período fértil e problemas de disfunção sexual.

A técnica também pode ser utilizada por casais homoafetivos femininos ou mulheres solteiras que desejam uma gravidez independente, desde que atendam aos critérios de idade e permeabilidade tubária. Para isso, devem contar um doador de espermatozoides.

A fertilização in vitro, por outro lado, é a técnica mais adequada para mulheres acima dos 36 anos, que naturalmente já possuem baixa reserva ovariana, quando há obstruções nas tubas uterinas, endometriose em estágios mais avançados, fatores femininos e masculinos de maior gravidade ou quando houve falha em tratamentos anteriores.

Na FIV, após a fecundação, os embriões são cultivados em laboratório por alguns dias e posteriormente transferidos para o útero.

Também é o tratamento indicado para os casais homoafetivos masculinos terem filhos, que, nesse caso, devem contar com uma doadora de óvulos: uma das técnicas complementares à FIV, o útero de substituição ou cessão temporária do útero, permite que parentes de até quarto grau das pacientes em tratamento cedam o útero para o desenvolvimento da gravidez.

Outra técnica complementar à FIV, o teste genético pré-implantacional, que possibilita a análise das células embrionárias detectando distúrbios genéticos, evita a transmissão de doenças hereditárias para as futuras gerações, pois permite a seleção dos embriões sem a doença, para serem transferidos.

O tratamento por FIV pode ser feito com gametas (óvulos e espermatozoides) e embriões, frescos ou congelados. A criopreservação é um recurso importante para pessoas que pretendem adiar os planos de ter filhos, proporcionando a preservação da fertilidade, ou quando há a doação, que deve, entretanto, ser anônima.

Todas as técnicas, se forem bem indicadas, registram bons índices de gravidez: na RSP e IA são semelhantes às da gestação natural, entre 15% e 20% por ciclo de tratamento, enquanto na FIV os percentuais são mais altos, em média 40%.

Conheça tudo sobre o tratamento por FIV tocando aqui.

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Comunicado

SARS Cov-2 (COVID 19): vacinas, reprodução assistida e grávidas
• Posição atual conjunta •

03 de fevereiro de 2021

Grandes avanços dos estudos colaborativos incluem hoje pelo menos 85 vacinas pré-clínicas em investigação ativa em animais, 65 em ensaios clínicos em humanos, com 20 vacinas que chegaram aos estágios finais de testagem, sendo 12 já em uso em diferentes países/situações. As principais vacinas disponíveis estão constituidas por partículas de RNA mensageiro (Pfizer-Biontech e Moderna), vírus inativado (CoronaVac,Sinopharma e Covaxin, Bharat Biotech), com adenovirus (Oxford-AstraZeneca, Johnson&Johnson e Sputnik V, Gamaleya).

A pandemia segue, e neste momento a discussão se centraliza no uso das vacinas disponíveis e as pacientes submetidas às técnicas de reprodução assistida, grávidas e populações de risco entre as grávidas.

Nossas sociedades, avaliando também as diretrizes emitidas por sociedades mundiais como a ESHRE, a ASRM, a IFFS e a ACOG (SOGC), consideram que dentro da disponibilidade possível:

1) A vacinação tem efetividade e não induz a risco aumentado de contrair a infecção por Covid 19. Embora ainda não hajam estudos humanos de longo prazo sobre a vacinação contra Covid-19 e gravidez, nenhuma das vacinas contém vírus Sars Cov-2 vivo.

2) Para indivíduos vulneráveis,que apresentam alto risco de infecção e / ou morbidade por COVID-19, dentre os quais estão as grávidas, não receber a vacina supera o risco de ser vacinado, previamente ou durante a gravidez. Inclui-se ainda neste grupo os profissionais de saúde e aqueles outros, de linha de frente, com maior risco de exposição.

3) Não há razão para atrasar as tentativas de gravidez ou tratamentos de reprodução assistida quando de vacina não disponível ou se pacientes fora de grupos de risco.

4) Decisões da utilização (ou não) das vacinas devem ser compartilhadas entre pacientes e médicos, respeitando-se os princípios éticos de autonomia, beneficência e não maleficência.

5) Esta informação sobre vacinas deve ser incluidas como um termo específico em um consentimento informado já existente. Red Latinoamericana de Reproducción Asistida – REDLARA

6) Seguirão atualizações, a cada momento que novos conhecimentos solidifiquem os dados atuais.

  • REDLARA - Red Latinoamericana de Reproducción Asistida
  • SBRA - Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida
  • SAMeR - Sociedad Argentina de Medicina Reproductiva
  • AMMR - Asociación Mexicana de Medicina de la Reproducción
  • PRONÚCLEO - Associação Brasileira de Embriologistas em Medicina Reprodutiva
  • SAEC - Sociedad Argentina de Embriología Clínica
  • SOCMER - Sociedad Chilena de Medicina Reproductiva
  • ACCER - Asociación de Centros Colombianos de Reproducción Humana
  • SURH - Sociedad Uruguaya de Reproducción Humana
  • AVEMERE - Asociación Venezolana de Medicina Reproductiva y Embriología

Referências
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