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Uso de sêmen doado em ciclos de FIV

Uso de sêmen doado em ciclos de FIV

Diversos fatores podem contribuir para a infertilidade. Se outrora parecia que esse problema não teria solução, os constantes avanços tecnológicos têm demonstrado que a ciência tem trabalhado para combater tanto as causas quanto o resultado da infertilidade.

Casais que sofrem com esse problema podem, por exemplo, recorrer a métodos de reprodução assistida como a FIV (fertilização in vitro).

Antes de determinar qual o melhor método de reprodução assistida a ser utilizado, é importante entender quais são as causas da infertilidade. Ela pode ocorrer devido a problemas do homem, da mulher, de ambos ou não ter causa aparente (ISCA).

Neste texto, daremos enfoque à infertilidade masculina e aos métodos mais comuns para tratá-la.

A infertilidade masculina pode ser causada por fatores diferentes, e é geralmente identificada por análises do esperma (espermograma), a fim de determinar tanto seu volume quanto o número, concentração, forma e motilidade dos espermatozoides.

Homens que sofrem, por exemplo, de azoospermia, não possuem espermatozoides em seu sêmen.

A depender do tipo de azoospermia, tratamentos diferentes podem ser indicados. Para os casos em que não se encontram espermatozoides no ejaculado e nos testículos, a alternativa é o uso de sêmen doado.

Leia o texto e conheça mais sobre a doação de sêmen e como essa técnica pode possibilitar que casais inférteis tenham filhos.

O que é a doação de sêmen?

Essa técnica relativamente antiga pode ser incorporada em métodos de reprodução assistida como a FIV.

Existem muitos bancos de sêmen tanto no Brasil quanto pelo mundo, nos quais esse serviço é oferecido como forma de auxiliar casais que desejam engravidar.

Não há remuneração no Brasil para quem deseja doar esperma, sendo este considerado um ato voluntário e altruísta.

Nele, um homem fértil doa esperma que poderá ser utilizado por outros casais que não estejam conseguindo ter um filho por fatores masculinos graves.

Para doar o sêmen, o doador passa por uma série de exames, pois ele precisa ser fértil e não ter determinadas doenças que representariam um risco à mulher e ao descendente.

A doação pode ser feita somente nesses bancos específicos ou em clínicas de reprodução assistida.

Regras para a doação de sêmen

A doação de sêmen obedece a regras específicas de acordo com cada país. No Brasil, o homem que pretende doar sêmen deve estar com idade entre 18 e 45 anos e precisa se deslocar para um banco de sêmen.

O doador é submetido a uma série de exames para avaliar riscos de transmissão de doenças infectocontagiosas ou doenças de alto risco de transmissão. Após a aprovação, o sêmen será armazenado em nitrogênio liquido.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) determina que a doação seja anônima, isto é, doador e o receptor não podem se conhecer.

Como é feita a doação de sêmen

Recomenda-se que o doador fique de 2 a 5 dias sem ter relações sexuais ou ejaculações antes da doação.

A coleta é feita por meio de masturbação. O sêmen coletado é tratado a fim de separar os espermatozoides de todos os outros elementos do sêmen.

Essa amostra colhida é analisada e depois armazenada para ser utilizada futuramente tanto em FIV como na inseminação artificial.

A doação de sêmen e a FIV

Há dois métodos de reprodução assistida nos quais a doação de sêmen pode ser utilizada. O primeiro é a inseminação artificial, método menos indicado devido às taxas de sucesso, e o segundo é a FIV.

A FIV é o método mais indicado para muitos problemas de fertilidade. Quando o sêmen é doado, a única diferença da técnica tradicional é que os espermatozoides utilizados na etapa de fecundação não são do homem que será o pai da criança, mas de um doador anônimo.

Todas as outras etapas – estimulação ovariana, punção folicular, fecundação, cultivo embrionário e transferência dos embriões – ocorrem da mesma forma.

A doação de sêmen não pode ser utilizada na relação sexual programada (RSP), pois nesse caso a fecundação ocorre de modo natural.

Indicações

A doação de sêmen é uma técnica fundamental para que casais inférteis por fator masculino sem a presença de espermatozoide no testículo tenham filhos. Ela é também recomendada para casais homoafetivos ou mulheres solteiras que desejam ser mães.

A doação de sêmen pode ser uma importante etapa da FIV que auxilia aqueles que sofrem com infertilidade masculina e desejam ter filhos. Leia mais sobre doação de sêmen aqui.

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Comunicado

Nota conjunta com atualização de posicionamento sobre a COVID-19 e os tratamentos de reprodução assistida

Informações complementares à nota emitida em 21 de março de 2020

A Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida – SBRA e a Red Latinoamericana de Reproducción Asistida – REDLARA, acompanhando as demais sociedades mundiais e face à presença da pandemia de Covid-19, emitiram comunicado em 17 e 21 de março de 2020. Globalmente, e na América Latina não foi diferente, ciclos iniciados foram completados, decisões de congelamento tomadas, transferências discutidas e, na maioria das vezes, postergadas. Desde o início, entendemos que poderiam haver situações a serem individualizadas, como os casos oncológicos, em que pacientes necessitariam com urgência da preservação de seus gametas previamente a procedimentos cirúrgicos ou eventual quimioterapia que pudesse afetar sua fertilidade futura. Ao mesmo tempo, havia outros casos susceptíveis de individualização.

Passados 30 dias, com novos dados sobre a Covid-19, reconhecendo novos cenários para diferentes países, regiões ou cidades, além da realidade de um período claro de extensão da pandemia, que a infertilidade é definida pela OMS como doença, assim como a própria OMS define o direito de autonomia dos pacientes e:

CONSIDERANDO que, sob a luz de novas evidências científicas, este posicionamento deverá seguir sendo atualizado em momentos sucessivos;

CONSIDERANDO que, segundo a literatura médica, não se identificou até o momento a presença de vírus nos gametas e tratos genitais masculino ou feminino;

CONSIDERANDO que, até o momento, não há evidências a respeito das repercussões do Covid-19 sobre a gestação inicial;

CONSIDERANDO a preocupação com relação às evidências científicas emergentes quanto à possibilidade de transmissão vertical – isto é, da mãe para o bebê;

CONSIDERANDO que os serviços de reprodução assistida devam seguir as recomendações governamentais, respeitando as particularidades locais;

CONSIDERANDO a observação das medidas de distanciamento social, com cuidados na preservação dos pacientes e equipes, quando da assistência;

CONSIDERANDO as condutas para mitigar a sobrecarga do sistema de saúde local;

CONSIDERANDO que o adiamento dos tratamentos de reprodução assistida abrange determinados casos extremamente sensíveis ao tempo e, portanto, inadiáveis, com risco de condenar pessoas a uma infertilidade irreversível – ou seja, esterilidade; e

CONSIDERANDO o respeito à autonomia do paciente,

RECOMENDAM que ciclos de reprodução assistida possam ser realizados sob juízo do profissional assistente, em decisão compartilhada com os usuários do serviço, de forma personalizada, fundamentados e bem documentados, com precaução e bom-senso, evitando-se transferências embrionárias neste momento.

Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida – SBRA
Red Latinoamericana de Reproducción Asistida – REDLARA


Referências