A análise genética na FIV permite observar os embriões antes da transferência para o útero, mas não é possível escolher características estéticas
A fertilização in vitro (FIV) tem sido muito procurada e, tem ganhado evidente espaço por seu importante papel na reprodução assistida e sua relevância social, uma vez que possibilita a gravidez para casais que não conseguem ter filhos naturalmente por diferentes motivos.
Ao passo que a FIV se tornou mais conhecida, também surgiram algumas dúvidas, e até mitos, sobre suas aplicações. Nesse contexto, uma das questões mais comuns é: posso escolher as características do meu filho?
Cabelos, cor dos olhos, altura, sexo: essas e outras características do futuro ser humano podem ser escolhidas durante a formação dos embriões na FIV? Esse tema ainda é cercado de curiosidade. Entretanto, no Brasil, existem definições muito claras do Conselho Federal de Medicina (CFM) sobre o que é permitido e o que não é nas técnicas de reprodução assistida.
Leia o artigo inteiro e compreenda se é possível escolher as características do filho na FIV!
Como a FIV funciona?
A FIV envolve uma sequência de procedimentos para que os óvulos sejam fecundados em laboratório. Após alguns dias de desenvolvimento, os embriões são transferidos para o útero, que é o único local onde eles podem se desenvolver até o nascimento.
As etapas principais da FIV são:
- estimulação ovariana com medicações hormonais para obter o maior número possível de óvulos;
- aspiração dos folículos ovarianos e coleta dos óvulos em laboratório;
- preparo seminal para obter uma amostra com os espermatozoides capazes de fertilizar um óvulo;
- fertilização dos óvulos com a técnica de injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI);
- cultivo embrionário, período em que os embriões são monitorados em incubadora enquanto começam a se desenvolver;
- transferência dos embriões para o útero, que pode ser feita com eles a fresco (no mesmo ciclo em que foram gerados) ou congelados.
A FIV pode ainda incluir técnicas acessórias, dependendo dos fatores de infertilidade a superar, incluindo: teste genético pré-implantacional (PGT), ovodoação e doação de sêmen, barriga solidária, entre outras.
Há várias situações em que a FIV pode ser indicada, como:
- disfunções severas ou obstrução das tubas uterinas;
- endometriose avançada;
- baixa reserva ovariana(dependendo da idade e de quantos filhos a mulher deseja ter);
- alterações no sêmen, como a azoospermia, oligozoospermia, astenozoospermia ou teratozoospermia grave;
- falhas em tratamentos mais simples de reprodução assistida, como o coito programado e a inseminação artificial;
- risco de transmissão de alterações genéticas para os descendentes;
- idade materna avançada;
- tempo prolongado de infertilidade;
- gravidez de casais homoafetivos ou pessoas solteiras, entre outras que devem ser discutidas entre o especialista e o casal ou a mulher.
O que significa análise genética na FIV?

A análise genética na FIV é feita por meio do PGT ou teste genético pré-implantacional. Com essa técnica, é possível estudar as células dos embriões durante o período de cultivo, antes da transferência para o útero, e identificar alterações.
O objetivo do PGT não é escolher características estéticas, e sim detectar anormalidades nos genes ou cromossomos dos embriões que poderiam comprometer a saúde do bebê ou inviabilizar a gestação.
Assim, o teste contribui para:
- reduzir riscos de doenças hereditárias graves;
- pode diminuir as chances de falha de implantação e abortamento;
- selecionar embriões cromossomicamente normais para transferência, possibilitando uma gestação saudável.
Afinal, é possível escolher as características do bebê na FIV?
Embora isso seja possível com os recursos avançados de análise genética, a legislação não permite, com exceção de casos específicos que possam afetar a saúde da criança.
A análise genética poderia, em teoria, identificar determinadas características para escolher o embrião de acordo com as preferências dos pais, mas as normas do CFM deixam claro que isso não pode ser feito, pois o uso do PGT é restrito ao diagnóstico de doenças genéticas ou alterações cromossômicas.
No Brasil, somente é permitido escolher o sexo do bebê, mas em situações específicas: quando há risco de transmissão de doença genética ligada ao cromossomo sexual, como a síndrome do X frágil, que pode causar deficiência intelectual e outras condições que afetam o sexo masculino, como a hemofilia.
Nesses casos, a seleção do embrião pelo cromossomo sexual tem caráter preventivo e médico, não estético ou de preferência pessoal. Fora dessas situações, a determinação do sexo do bebê continua sendo natural e aleatória.
A análise genética dos embriões é uma ferramenta importante, mas não é indicada para todos os casais. As indicações mais comuns, mas que mesmo assim precisam ser discutidas, são para:
- mulheres com idade avançada, que têm mais riscos de aneuploidias (alterações cromossômicas numéricas);
- histórico familiar de síndromes genéticas hereditárias;
- abortamento de repetição;
- falhas repetidas em ciclos anteriores de FIV;
- resultados alterados em exames genéticos feitos durante a investigação da infertilidade, como o cariótipo com banda G.
Cada casal é avaliado de forma individualizada para receber um plano de tratamento personalizado, que pode ou não incluir a análise genética dos embriões, conforme suas características e condições médicas.
Portanto, não é possível escolher as características do filho na FIV apenas por preferências estéticas, o CFM não permite esse tipo de conduta. A exceção principal é para os casos de risco de doenças relacionadas ao sexo, situação em que o embrião pode ser selecionado de acordo com o cromossomo sexual.
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