O congelamento de óvulos é uma estratégia eficaz para preservar a fertilidade, e geralmente envolve a continuidade da FIV no futuro
O congelamento de óvulos é uma técnica de reprodução assistida que tem atraído a atenção das mulheres nos últimos anos. Isso porque o procedimento se tornou uma alternativa importante para quem deseja preservar a fertilidade e adiar a maternidade, seja por motivos pessoais, profissionais ou de saúde.
Uma dúvida comum que surge em relação ao congelamento de óvulos é se será preciso realizar a fertilização in vitro (FIV) no futuro. Antes de responder, é importante entender como a idade influencia a fertilidade e qual é o papel da criopreservação de gametas nesse contexto.
Faça a leitura atentamente e encontre a resposta para a sua dúvida!
Qual é o impacto do passar do tempo na fertilidade feminina?
Com o passar dos anos, a fertilidade feminina sofre uma redução gradual, uma vez que tanto a quantidade quanto a qualidade dos óvulos diminuem naturalmente.
Os homens produzem novos espermatozoides continuamente, mas com as mulheres isso não acontece. Elas nascem com um número pré-determinado de óvulos, os quais integram a chamada reserva ovariana, e esse número vai diminuindo ao longo da vida.
No início dos ciclos menstruais, na puberdade, a menina tem mais de 300 mil folículos ovarianos (unidades que armazenam os óvulos). A cada mês, vários deles são recrutados e começam a se desenvolver, e geralmente apenas um óvulo amadurece e é liberado na ovulação. Dessa forma, ocorre um gasto progressivo na reserva ovariana.
A redução da reserva se torna mais acentuada a partir dos 35 anos. Além da quantidade, a qualidade dos óvulos diminui, reduzindo as chances de fertilização e aumentando o risco de alterações cromossômicas no embrião, que podem levar à falha de implantação no útero e abortamento.
Sendo assim, muitas mulheres que decidem priorizar outros projetos de vida, mas desejam engravidar em idade mais tardia, encontram no congelamento de óvulos uma forma de fazer um planejamento reprodutivo com mais tranquilidade. Entretanto, as mulheres com mais de 35 anos também podem e devem congelar se desejam ou não sabem se querem engravidar. Apenas será necessário um maior número de óvulos.
Qual é a importância do congelamento de óvulos hoje?

O congelamento de óvulos é uma técnica importante na sociedade moderna, pois permite pausar o relógio biológico e preservar as chances de engravidar no futuro. Quando coletados em idade mais jovem (antes dos 35), os óvulos mantêm a qualidade para serem utilizados com segurança anos depois.
A técnica tem evidente relevância, considerando que a gestação tardia é uma tendência no cenário atual. Hoje, a mulher tem mais autonomia para decidir sobre o momento de ser mãe e, muitas vezes, decide postergar a maternidade para se dedicar primeiramente à carreira profissional, à consolidação da independência financeira, dentre outros projetos pessoais.
O congelamento de óvulos, assim como o de sêmen, também tem importância no contexto da preservação oncológica ou terapêutica da fertilidade. Nesses casos, a criopreservação de gametas e embriões é indicada para mulheres e homens que precisam realizar tratamentos médicos que oferecem risco às funções das gônadas (ovários e testículos), como quimioterapia, radioterapia e cirurgias ovarianas e testiculares.
Como é feito o congelamento de óvulos?
O congelamento de óvulos é feito em algumas etapas: avaliação da reserva ovariana, estimulação ovariana, coleta dos óvulos e vitrificação.
Primeiramente, a mulher realiza exames para avaliar a situação da reserva ovariana, o que é feito com ultrassonografia pélvica e dosagens hormonais. Sorologias e exames genéticos também podem ser indicados.
Após os resultados dos exames e a definição do protocolo hormonal, realiza-se a estimulação ovariana para que os ovários intensifiquem suas funções, resultando em mais óvulos maduros para a coleta, pois serão recrutados os óvulos que seriam naturalmente perdidos naquele ciclo. Vale lembrar que, como não “gasta” óvulos, a mulher pode realizar este procedimento quantas vezes forem necessárias para a obtenção de uma quantidade ideal ou a que ela deseja.
Durante o período de estimulação, são feitos ultrassons para acompanhar o crescimento dos folículos e determinar o momento apropriado para induzir a ovulação. Depois dessa etapa, é hora da coleta dos óvulos, procedimento que envolve a aspiração dos folículos ovarianos guiada por ultrassonografia.
Após serem analisados e identificados, os óvulos são congelados pelo método de vitrificação, que consiste no congelamento ultrarrápido com a preservação da qualidade celular, sem danos estruturais.
Os óvulos ficam guardados em tanques de nitrogênio líquido, podendo ser utilizados até vários anos depois. Quando descongelados, as taxas de fertilização e gravidez são semelhantes às dos tratamentos com óvulos frescos (coletados no mesmo ciclo da fecundação).
Preciso da FIV após congelar os óvulos?
Geralmente sim, mas não é obrigatório prosseguir com a FIV após congelar os óvulos. A mulher pode tentar engravidar naturalmente no futuro, ou seja, utilizando os gametas que ainda estão em seus ovários. Contudo, é preciso lembrar que, com o passar do tempo, as chances de concepção espontânea são cada vez menores, devido à redução no número e na qualidade dos óvulos.
Por isso, em muitos dos casos, as mulheres que congelam seus óvulos e decidem engravidar após os 35 ou 40 anos, após não conseguirem uma gestação espontânea depois de um período não inferior há seis meses, dão continuidade às etapas da FIV. Após estimulação ovariana e coleta dos óvulos, o tratamento segue com:
- fertilização em laboratório;
- cultivo dos embriões em incubadora;
- transferência dos embriões para o útero.
Portanto, como já realizou as primeiras etapas da FIV, a paciente que decide engravidar com os óvulos congelados precisa solicitar o descongelamento e prosseguir com o tratamento seguindo o passo a passo listado acima.
O congelamento de óvulos não garante a gravidez no futuro, mas amplia as possibilidades, visto que a mulher pode contar com óvulos de melhor qualidade, o que aumenta as chances de sucesso na FIV mesmo em idade mais avançada.
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