Os pólipos endometriais afetam a parte interna do útero e podem causar infertilidade.
O embrião se implanta no revestimento intrauterino (endométrio) e o feto se desenvolve durante os 9 meses de gravidez dentro do útero, órgão que oferece as condições necessárias para nutri-lo e protegê-lo. Para que isso aconteça da forma esperada, o tecido endometrial precisa estar livre de doenças e a cavidade uterina deve apresentar estrutura adequada.
O útero, no entanto, pode ser alterado por algumas doenças, incluindo os pólipos endometriais. Apesar de serem benignos em sua maioria, esses pólipos podem criar obstáculos para o embrião se implantar, representando uma das causas de infertilidade feminina.
Preste atenção neste post e compreenda o que são pólipos endometriais, os sintomas mais comuns, suas causas e fatores de risco, entre outras informações importantes!
O que é pólipo endometrial?
Um pólipo endometrial é uma lesão benigna que cresce dentro da cavidade uterina, projetando-se do endométrio. Pode ser aderido ao tecido uterino por um pedículo ou apresentar base mais larga, sendo, portanto, classificado como pediculado ou séssil.
Pólipos endometriais podem surgir sozinhos ou múltiplos, apresentando tamanhos diversos, desde milimétricos até grandes o suficiente para ocupar a cavidade uterina. São lesões sensíveis aos hormônios reprodutivos, especialmente o estrogênio, o que significa que condições que aumentam a exposição a esse hormônio são fatores de risco para o desenvolvimento da doença.
Os sintomas dos pólipos endometriais estão relacionados principalmente ao sangramento uterino anormal. São eles:
- sangramento intermenstrual (escapes) ou após a relação sexual;
- menstruação abundante;
- sangramento após a menopausa.
Algumas mulheres também relatam cólicas e dor na relação sexual. Além disso, em muitos casos, os pólipos endometriais são assintomáticos, especialmente quando são pequenos, sendo descobertos somente no contexto de investigação de infertilidade.
O que pode causar os pólipos endometriais?
A causa dos pólipos endometriais não é exatamente conhecida, mas sabe-se que alguns fatores aumentam o risco para o surgimento das lesões, principalmente porque estão associados ao estímulo estrogênico excessivo.
O estrogênio é o hormônio que estimula o crescimento das células endometriais para deixar o tecido intrauterino mais espesso e apropriado para receber um embrião. Os pólipos podem ser estrógeno-dependentes porque suas células tendem a ter um número maior de receptores para estrogênio e menor sensibilidade à progesterona (hormônio que contém a ação mitótica estrogênica), o que favorece seu crescimento.
Veja os fatores de risco para os pólipos endometriais:
- desequilíbrios hormonais (níveis elevados de estrogênio em relação à progesterona);
- idade acima dos 40 anos, mas também podem surgir em mulheres mais jovens;
- obesidade, visto que o excesso de tecido adiposo está associado ao aumento na produção de estrogênio;
- endometrite;
- uso de medicamentos hormonais ou tamoxifeno (fármaco para tratamento de câncer de mama);
- predisposição genética.
Como eles podem afetar a fertilidade?

Os pólipos endometriais podem interferir na saúde do útero e, consequentemente, na fertilidade feminina devido às seguintes alterações:
- obstrução ou interferência no transporte dos espermatozoides, em casos de pólipos volumosos;
- arquitetura endometrial modificada, o que pode prejudicar a implantação do embrião;
- espaço reduzido na cavidade uterina para o crescimento do feto, quando os pólipos são grandes;
- redução da expressão de genes que influenciam no processo de nidação;
- ambiente uterino mais hostil para o desenvolvimento embrionário;
- risco aumentado para aborto espontâneo.
Os pólipos endometriais podem prejudicar tanto a fertilidade espontânea quanto a reprodução assistida. Sendo assim, é importante investigar e, conforme orientação médica, remover essas lesões antes de tratamentos de reprodução assistida. Em casos de FIV, pode-se optar por congelar os óvulos ou embriões antes da transferência embrionária para evitar falhas no tratamento e perda de embriões saudáveis.
Como tratar?
Os pólipos endometriais são tratados principalmente com polipectomia histeroscópica (procedimento cirúrgico). Cada caso é avaliado individualmente para a prescrição do tratamento mais adequado, tendo em vista o tamanho do pólipo, a idade da mulher, a presença de sintomas, entre outros fatores.
Primeiramente, o diagnóstico é feito com base na avaliação clínica e em exames de imagem, como ultrassonografia pélvica transvaginal, histerossonografia ou histeroscopia diagnóstica, além de biópsia endometrial.
Em alguns casos, quando as lesões são pequenas e assintomáticas, pode-se adotar a conduta expectante (observação com seguimento ecográfico), especialmente em pacientes jovens e sem fatores de risco para malignidade.
Contudo, o tratamento padrão ouro é a retirada dos pólipos endometriais por histeroscopia (ambulatorial ou cirúrgica, dependendo do tamanho). O procedimento é feito por via vaginal e guiado por microcâmera de alta precisão.
Em pacientes que vão para a reprodução assistida para tentar a gravidez com a fertilização in vitro (FIV), recomenda-se a remoção dos pólipos endometriais antes da realização da transferência embrionária ou antes do tratamento, com a finalidade de melhorar a receptividade endometrial e aumentar as chances de implantação do embrião.
Entretanto, a retirada dos pólipos endometriais na reprodução assistida também deve ser personalizada, pois é importante considerar a saúde geral da mulher, idade, quantidade e qualidade dos embriões, entre outros fatores que podem ser favorecidos (ou não) pelo procedimento cirúrgico.
Para se aprofundar no assunto, leia agora o texto institucional da Clínica Origen sobre pólipo endometrial!





