A tireoide participa da regulação hormonal e metabólica do organismo e pode afetar a fertilidade quando não funciona corretamente, necessitando de cuidados específicos, inclusive na reprodução assistida.
A tireoide é uma glândula endócrina localizada na região anterior do pescoço, responsável pela produção de hormônios essenciais para o equilíbrio metabólico, o funcionamento de diversos órgãos e a regulação do eixo reprodutivo. Alterações na função tireoidiana são relativamente frequentes em mulheres em idade reprodutiva e, muitas vezes, podem ser assintomáticas.
No contexto da reprodução assistida, a avaliação adequada da tireoide é uma etapa importante do planejamento terapêutico, pois disfunções tireoidianas podem interferir na ovulação, na receptividade endometrial, na implantação embrionária e na manutenção da gestação.
Continue a ler para compreender melhor como funciona a avaliação da tireoide na reprodução assistida!
Funções da tireoide e sua relação com a fertilidade

A tireoide produz os hormônios tiroxina (T4) e tri-iodotironina (T3), cuja liberação é regulada pelo hormônio estimulador da tireoide (TSH), secretado pela glândula hipófise. Essas substâncias atuam de forma sistêmica, influenciando o metabolismo energético, a função cardiovascular, o sistema nervoso, o crescimento de tecidos, o sistema reprodutor, entre outras atividades do organismo.
Na mulher, os hormônios tireoidianos agem em harmonia com os hormônios ovarianos e hipofisários, participando da regulação do ciclo menstrual, da ovulação e da manutenção da fase lútea (pós-ovulatória, quando o útero se torna mais receptivo para o embrião).
Quando os hormônios da tireoide estão em níveis desequilibrados, pode ocorrer anovulação, distúrbios menstruais, dificuldade para engravidar e maior risco de abortamento espontâneo. Mesmo se a gravidez prosseguir, a mulher com disfunção tireoidiana precisa de acompanhamento rigoroso para reduzir as chances de complicações.
Principais disfunções tireoidianas
As disfunções da tireoide mais relevantes no contexto reprodutivo são o hipotireoidismo e o hipertireoidismo, que podem ocorrer de forma clínica ou subclínica.
O hipotireoidismo, caracterizado pela redução da produção dos hormônios T3 e T4, é a alteração tireoidiana mais frequentemente associada a problemas de fertilidade. Pode causar irregularidade menstrual, anovulação, aumento do risco de abortamento e complicações gestacionais.
O hipertireoidismo, embora menos comum, também pode prejudicar a fertilidade e aumentar o risco de desfechos obstétricos adversos. Nesse caso, o que ocorre é a hiperatividade da tireoide e o aumento excessivo da produção dos hormônios.
Mesmo na presença de níveis hormonais aparentemente normais, a positividade de autoanticorpos tireoidianos tem sido associada a maior risco de infertilidade, falha de implantação e perdas gestacionais. Portanto, também é importante considerar o rastreio de disfunções subclínicas da tireoide, bem como de doenças autoimunes associadas.
Avaliação da tireoide na reprodução assistida
O tratamento de reprodução assistida começa muito antes da estimulação ovariana e da fertilização in vitro (FIV). A anamnese aprofundada, realizada na avaliação clínica inicial do casal, é uma etapa fundamental para identificar condições que possam interferir nos resultados do tratamento.
Nesse contexto, a investigação da função tireoidiana faz parte da avaliação hormonal básica. A identificação precoce de alterações permite a correção antes do início do tratamento de reprodução, aumentando a segurança e as chances de sucesso.
A avaliação da tireoide na reprodução assistida envolve, principalmente, a dosagem sérica do TSH, que é o exame inicial de escolha para rastreamento das disfunções tireoidianas. Em situações específicas, podem ser solicitadas dosagens adicionais, como T4 livre e autoanticorpos tireoidianos, como o anti-TPO e anti-tireogloblulina.
De modo geral, recomenda-se que mulheres em tratamento de reprodução assistida mantenham níveis de TSH dentro de uma faixa considerada ideal para a fertilidade e a gestação. Valores discretamente elevados, mesmo sem sintomas evidentes, podem justificar intervenção clínica antes da tentativa de gravidez.
Em pacientes com diagnóstico prévio de doença tireoidiana, o acompanhamento deve ser ainda mais rigoroso, com ajustes de medicação sempre que necessário. Durante a estimulação ovariana e ao longo da gestação, as necessidades hormonais podem se modificar, exigindo acompanhamento cauteloso.
Função tireoidiana e os resultados da FIV
Disfunções tireoidianas não tratadas ou mal controladas podem levar a resultados negativos nos ciclos de FIV, podendo eventualmente levar a menores taxas de implantação embrionária e, mais provavelmente, a maiores taxas de abortamento.
Por esse motivo, a correção das alterações tireoidianas antes da transferência dos embriões é considerada uma conduta importante para otimizar a receptividade endometrial e reduzir os riscos ao longo da gestação. Em alguns casos, pode ser preciso adiar a transferência até que o equilíbrio hormonal esteja adequadamente estabelecido.
A avaliação da tireoide na reprodução assistida deve ser individualizada, tendo em vista o histórico clínico da paciente, os resultados laboratoriais e o tipo de tratamento de reprodução proposto. O manejo adequado dessas alterações contribui não apenas para o sucesso do tratamento, mas também para uma gestação mais segura.
O acompanhamento conjunto entre especialistas em reprodução humana e médico endocrinologista, quando necessário, é mais uma medida importante para garantir o cuidado integral à paciente com diagnóstico de disfunção tireoidiana.
Antes de ir, confira o artigo sobre dosagens hormonais e saiba quais outras avaliações são importantes na investigação da infertilidade!





