Congelamento de óvulos: por quanto tempo posso guardar óvulos?

Por Equipe Origen

Publicado em 27/10/2026

O congelamento de óvulos é cada vez mais utilizado para preservação da fertilidade feminina. Uma das grandes vantagens é que a viabilidade dos óvulos congelados é mantida ao longo de vários anos.

Nas últimas décadas, o congelamento de óvulos deixou de ser uma técnica experimental para se tornar uma prática consolidada na medicina reprodutiva. Mudanças no planejamento familiar, maior inserção da mulher no mercado de trabalho, busca por estabilidade financeira, além de condições médicas que podem comprometer a fertilidade, contribuíram para o aumento expressivo da procura por essa técnica.

Entre as dúvidas mais frequentes das mulheres que consideram preservar sua fertilidade, uma das principais é: por quanto tempo os óvulos podem permanecer congelados sem perder a viabilidade?

Para responder essa pergunta, é preciso primeiramente compreender como funciona o congelamento de óvulos, quais métodos são utilizadas atualmente e como esse material será usado no futuro, quando houver intenção de gravidez.

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O avanço das técnicas de congelamento de óvulos

As primeiras tentativas de congelamento de óvulos datam das décadas de 1980 e 1990, utilizando o chamado congelamento lento. Com esse método, a redução gradual da temperatura tinha como objetivo minimizar os danos celulares. No entanto, os resultados iniciais eram limitados, principalmente devido à formação de cristais de gelo no interior das células.

O óvulo é a maior célula do corpo humano e possui alto teor de água. Durante o congelamento lento, essa característica favorecia a formação de cristais de gelo intracelulares, que podiam danificar estruturas fundamentais, como o fuso meiótico e a membrana celular, afetando a viabilidade do óvulo após o descongelamento.

O grande avanço ocorreu com o desenvolvimento da vitrificação, técnica de congelamento ultrarrápido que revolucionou a criopreservação de óvulos e embriões, tornando o procedimento mais seguro.

O que é a vitrificação e por que ela revolucionou o congelamento de óvulos?

A vitrificação consiste em um congelamento extremamente rápido, no qual o óvulo é exposto a altas concentrações de crioprotetores e, em seguida, submetido a temperaturas muito baixas em frações de segundo. Esse processo impede a formação de cristais de gelo, transformando o conteúdo celular em um estado vítreo em pouquíssimo tempo.

Graças à vitrificação, as taxas de sobrevivência dos óvulos após o descongelamento ultrapassam agora 90% em centros especializados. Além disso, os gametas vitrificados apresentam taxas de fertilização, desenvolvimento embrionário e gravidez semelhantes às de óvulos frescos, desde que a técnica seja realizada adequadamente.

Esse avanço foi determinante para que o congelamento de óvulos passasse a ser amplamente indicado tanto para preservação da fertilidade por motivos pessoais quanto médicos.

Afinal, por quanto tempo os óvulos podem ficar congelados?

Não há exatamente um limite de tempo para o armazenamento de óvulos vitrificados. Uma vez congelados em temperaturas criogênicas, geralmente em torno de -196 °C em nitrogênio líquido, os processos metabólicos celulares ficam paralisados. Dessa forma, os óvulos não envelhecem e não sofrem degradação enquanto estiverem armazenados, eles permanecem em um estado de “pausa” biológica.

Isso significa que o envelhecimento celular é suspenso no momento do congelamento. Na prática, a idade biológica do óvulo será a idade da mulher no momento da coleta, independentemente de quanto tempo ele permaneça armazenado.

Há relatos científicos de nascimentos saudáveis a partir de óvulos que permaneceram congelados por mais de 10 anos, bem como de um bebê nascido a partir de um embrião que ficou criopreservado por mais de 30 anos. Portanto, o fator determinante para o sucesso da técnica e a qualidade do óvulo não é o tempo de congelamento, sendo a idade e a reserva ovariana da mulher no momento da criopreservação fatores crucias.

Do ponto de vista legal e regulatório, o tempo máximo de armazenamento pode variar conforme normas éticas e regulamentações locais, além de contratos estabelecidos entre a paciente e a clínica. Essas questões são sempre discutidas de forma individualizada durante o planejamento do tratamento.

Como é feito o congelamento de óvulos?

O congelamento de óvulos envolve etapas semelhantes às iniciais de um ciclo de fertilização in vitro (FIV). O processo começa com uma avaliação médica detalhada, incluindo anamnese, exames hormonais e ultrassonográficos (em resumo, avaliação da reserva ovariana).

Em seguida, a paciente é submetida à estimulação ovariana controlada, com o uso de medicações hormonais para estimular o desenvolvimento de múltiplos folículos ovarianos. O crescimento folicular é acompanhado por ultrassonografias seriadas e dosagens hormonais.

Quando os folículos atingem o tamanho adequado, é realizada a punção ovariana, procedimento minimamente invasivo feito por via transvaginal, sob sedação. Os óvulos coletados são avaliados no laboratório e aqueles considerados maduros são submetidos à vitrificação.

E o que acontece no momento do uso dos óvulos congelados?

Os óvulos congelados só podem ser utilizados dando sequência às etapas da FIV. Quando a mulher decide engravidar, os óvulos são descongelados e fertilizados em laboratório.

Após a fertilização, os embriões são cultivados em incubadora nos primeiros dias e, em seguida, transferidos para o útero. Portanto, tanto o congelamento quanto o descongelamento dos óvulos fazem parte de um processo integrado à reprodução assistida, especificamente à FIV.

Não há um consenso sobre o tempo máximo que óvulos, espermatozoides e embriões podem ficar armazenados, mas já há evidências de que a qualidade celular é preservada por vários anos.

A decisão de congelar óvulos deve ser tomada com base em informação de qualidade, avaliação médica individualizada e orientação especializada em reprodução assistida.

Confira também o texto sobre criopreservação, que traz mais informações acerca do congelamento de gametas e embriões!

Importante Este texto tem apenas caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. Atualizamos nosso conteúdo com frequência, mas o conhecimento médico e a ciência evoluem rapidamente, por isso alguns conteúdos podem não refletir as informações mais recentes. Dessa forma, a consulta médica é o melhor momento para se informar e tirar dúvidas. Além disso, podem existir diferenças plausíveis baseadas em evidências científicas nas opiniões e condutas de diferentes profissionais de saúde.
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