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Aspiração folicular na FIV

Aspiração folicular na FIV

O sistema reprodutor feminino prepara-se, a cada ciclo menstrual, para uma possível gravidez, e os ovários são os órgãos responsáveis pela liberação do óvulo a ser fecundado.

Quando a mulher se submete à FIV (fertilização in vitro), os óvulos são retirados por um procedimento chamado aspiração ou punção folicular.

Diversos motivos podem levar um casal a recorrer a uma técnica de reprodução assistida como a FIV. Esse procedimento é, atualmente, o que apresenta maiores taxas de sucesso na obtenção de uma gestação.

Cada uma de suas etapas é acompanhada por especialistas a fim de maximizar as chances de sucesso. São realizados exames e procedimentos que permitem a seleção dos melhores gametas para a etapa de fecundação e dos embriões formados, para a transferência ao útero.

A quantidade e a qualidade dos gametas femininos estão diretamente relacionadas à idade, de modo que, quanto mais o tempo passa, menor a quantidade e pior a qualidade dos óvulos. Com isso, ocorre uma diminuição na chance de gravidez.

A aspiração folicular é também uma etapa do procedimento que tem como objetivo preservar a fertilidade feminina ao coletar óvulos para serem congelados e utilizados posteriormente.

Acompanhe o texto a conheça mais sobre a aspiração folicular!

Como é feita a FIV?

A primeira etapa do procedimento de FIV é a estimulação ovariana. Essa etapa é importante para que mais folículos, contendo óvulos, cresçam.

Em um ciclo habitual, apenas um folículo cresce e somente um ovulo é liberado. Entretanto, a estimulação ovariana, com administração de medicamentos hormonais, leva ao crescimento de um número maior de folículos, permitindo a coleta de mais gametas femininos para serem fecundados. Esses folículos são então aspirados por uma agulha.

Simultaneamente ocorre a coleta do sêmen, que é manipulado em laboratório para capacitação dos espermatozoides, ou seja, seleção e concentração dos gametas para a fecundação do óvulo.

Os embriões formados são transferidos para o útero. Para que a implantação ocorra, o embrião deve ter determinada qualidade e o endométrio estar preparado para recebê-lo, condição denominada receptividade endometrial.

O que é e como é feita a aspiração folicular?

A aspiração folicular é a segunda etapa da FIV, ocorrendo após a estimulação ovariana e antes da fecundação. É um procedimento considerado relativamente simples que consiste na aspiração dos folículos que contêm os óvulos a serem fecundados. Esses folículos são aspirados por meio de uma agulha, guiada por ultrassonografia transvaginal.

O procedimento é realizado sob sedação e demora aproximadamente 10 minutos.

A agulha de punção, por ser um instrumento fino e longo, consegue chegar até os ovários para que a sucção seja realizada. Essa técnica passou a ser utilizada em 1981 pela facilidade de poder ser realizada em regime ambulatorial e por permitir rápida recuperação da paciente.

O líquido folicular é aspirado para um tubo de ensaio e levado a um microscópio para que o óvulo seja identificado. Cada folículo contém um óvulo.

Para que o procedimento seja realizado, aconselha-se que a paciente mantenha 8 horas de jejum total, senão ela não pode ser submetida à anestesia.

Qual a importância desse procedimento para a FIV?

A aspiração folicular é a forma de retirar os óvulos de dentro dos folículos para o laboratório em que será feita a fecundação e posterior desenvolvimento embrionário.

Após a identificação, avalia-se a maturidade dos óvulos. Aqueles que estão maduros são submetidos à ICSI, isto é, têm um espermatozoide injetado em seu citoplasma. Os óvulos imaturos não são capazes de fertilizar e por isso são descartados.

Os óvulos também podem ser congelados como forma de preservar a fertilidade feminina caso a mulher manifeste o desejo de postergar a gestação. Esse procedimento recebe o nome de criopreservação e consiste no congelamento de gametas em nitrogênio líquido, a uma temperatura de 196 graus negativos.

Eles podem permanecer congelados por tempo indeterminado, e sua utilização deve seguir as regras determinadas pela resolução 2168/2017 do CFM, que visa regular a ética em procedimentos de reprodução assistida como a FIV.

A FIV é uma técnica de reprodução assistida realizada em algumas etapas, sendo a coleta dos óvulos ou aspiração folicular um de seus passos iniciais. Entender cada passo desse procedimento é importante para facilitar a compreensão total do tratamento e de suas possibilidades de resultados.

Para saber mais sobre a aspiração folicular e as demais etapas da FIV, além de suas técnicas complementares, indicações e recomendações, leia nosso texto especial sobre a técnica.

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Comunicado

Nota conjunta com atualização de posicionamento sobre a COVID-19 e os tratamentos de reprodução assistida

Informações complementares à nota emitida em 21 de março de 2020

A Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida – SBRA e a Red Latinoamericana de Reproducción Asistida – REDLARA, acompanhando as demais sociedades mundiais e face à presença da pandemia de Covid-19, emitiram comunicado em 17 e 21 de março de 2020. Globalmente, e na América Latina não foi diferente, ciclos iniciados foram completados, decisões de congelamento tomadas, transferências discutidas e, na maioria das vezes, postergadas. Desde o início, entendemos que poderiam haver situações a serem individualizadas, como os casos oncológicos, em que pacientes necessitariam com urgência da preservação de seus gametas previamente a procedimentos cirúrgicos ou eventual quimioterapia que pudesse afetar sua fertilidade futura. Ao mesmo tempo, havia outros casos susceptíveis de individualização.

Passados 30 dias, com novos dados sobre a Covid-19, reconhecendo novos cenários para diferentes países, regiões ou cidades, além da realidade de um período claro de extensão da pandemia, que a infertilidade é definida pela OMS como doença, assim como a própria OMS define o direito de autonomia dos pacientes e:

CONSIDERANDO que, sob a luz de novas evidências científicas, este posicionamento deverá seguir sendo atualizado em momentos sucessivos;

CONSIDERANDO que, segundo a literatura médica, não se identificou até o momento a presença de vírus nos gametas e tratos genitais masculino ou feminino;

CONSIDERANDO que, até o momento, não há evidências a respeito das repercussões do Covid-19 sobre a gestação inicial;

CONSIDERANDO a preocupação com relação às evidências científicas emergentes quanto à possibilidade de transmissão vertical – isto é, da mãe para o bebê;

CONSIDERANDO que os serviços de reprodução assistida devam seguir as recomendações governamentais, respeitando as particularidades locais;

CONSIDERANDO a observação das medidas de distanciamento social, com cuidados na preservação dos pacientes e equipes, quando da assistência;

CONSIDERANDO as condutas para mitigar a sobrecarga do sistema de saúde local;

CONSIDERANDO que o adiamento dos tratamentos de reprodução assistida abrange determinados casos extremamente sensíveis ao tempo e, portanto, inadiáveis, com risco de condenar pessoas a uma infertilidade irreversível – ou seja, esterilidade; e

CONSIDERANDO o respeito à autonomia do paciente,

RECOMENDAM que ciclos de reprodução assistida possam ser realizados sob juízo do profissional assistente, em decisão compartilhada com os usuários do serviço, de forma personalizada, fundamentados e bem documentados, com precaução e bom-senso, evitando-se transferências embrionárias neste momento.

Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida – SBRA
Red Latinoamericana de Reproducción Asistida – REDLARA


Referências