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Cigarro e infertilidade: afinal, existe relação?

Cigarro e infertilidade: afinal, existe relação?

Atualmente, sabe-se que há uma ligação entre cigarro e infertilidade, porém muitas pessoas ainda começam a fumar na adolescência. Nesse momento de suas vidas, elas ainda não estão preocupadas com os danos que as substâncias presentes no cigarro podem causar a longo prazo.

Casais com dificuldade em ter filhos costumam procurar auxílio médico. Na clínica de reprodução assistida, é feita uma minuciosa investigação das causas da infertilidade, e muitos dos problemas diagnosticados podem ser resultado do hábito de fumar.

Neste artigo, vamos falar dos efeitos nocivos do cigarro na saúde reprodutiva tanto de homens como de mulheres. Algumas dessas consequências são reversíveis quando interrompido o uso do tabaco, mas oferecem maiores desafios às técnicas de reprodução assistida.

Cigarro e infertilidade feminina

As mulheres têm a sua fertilidade comprometida pelo tabagismo de vários modos. O consumo de cigarro diminui o nível de estrogênio e pode mudar a reserva ovariana.

Esses danos levam à irregularidade ou ausência da menstruação, diminuição da taxa de ovulação e à menopausa precoce. Uma mulher que fuma mais de 20 cigarros por dia tem sua capacidade fértil reduzida em 43%.

Outro efeito do tabaco é a diminuição da mobilidade do embrião nas trompas. A demora da chegada do embrião ao útero pode reduzir sua viabilidade ou até levar a uma gravidez tubária.

A fumaça do cigarro contém várias substâncias que interferem na divisão das células do embrião, podendo torná-lo inviável.

A nicotina diminui a irrigação da placenta, o que causa seu envelhecimento e descolamento, aborto ou menor crescimento do feto. Isso pode resultar em parto prematuro de bebês abaixo do peso.

Abandonar o hábito de fumar pode reverter parte desses danos, exceto os causados aos ovários e útero.

Cigarro e infertilidade masculina

Na infertilidade masculina, o cigarro pode afetar tanto a produção de espermatozoides quanto o DNA desses gametas.

Vários estudos já provaram que o volume de sêmen produzido pelos fumantes é menor e que há alterações na sua composição.

Os homens que fumam têm uma quantidade menor de espermatozoides viáveis. Além disso, a capacidade de nadar (motilidade) e o formato (morfologia) desses espermatozoides sofrem alterações. Também são encontradas células infecciosas no sêmen dos fumantes (piospermia).

Outra alteração no sêmen é a baixa concentração da protamina. Essa proteína tem a função de ajudar na formação dos cromossomos durante a fecundação. Se os erros nesse processo forem muitos, o embrião torna-se inviável e pode abortar.

Danos ao DNA dos espermatozoides são outra causa que inviabiliza o embrião. Substâncias presentes no cigarro, como nicotina, metais pesados e substâncias radioativas, geram no organismo “estresse oxidativo”, o que leva à quebra do DNA desses gametas.

Esse conjunto de fatores diminui muito o potencial de fertilização dessas células.

Efeitos na reprodução humana assistida

Ao compararem as taxas de fertilidade de pacientes que fariam a FIV (fertilização in vitro)pesquisadores israelenses observaram que essa taxa é menor nos casais em que um ou os dois parceiros são fumantes. A infertilidade é ainda maior nos casais em que o homem fuma, mesmo que a mulher não seja fumante.

Outros estudos mostram que os efeitos do tabaco sobre os ovários tornam baixa a taxa de sucesso na FIV. Além do mais, o dia a dia nas clínicas de reprodução assistida mostra que o sucesso dos tratamentos é bem menor entre pacientes fumantes.

Os efeitos nocivos do tabagismo vão muito além dos que envolvem a reprodução e são bem conhecidos por todos. Uma vez que cigarro e infertilidade estão claramente ligados, aqueles que querem ter filhos devem abandonar o hábito de fumar.

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Comunicado

SARS Cov-2 (COVID 19): vacinas, reprodução assistida e grávidas
• Posição atual conjunta •

03 de fevereiro de 2021

Grandes avanços dos estudos colaborativos incluem hoje pelo menos 85 vacinas pré-clínicas em investigação ativa em animais, 65 em ensaios clínicos em humanos, com 20 vacinas que chegaram aos estágios finais de testagem, sendo 12 já em uso em diferentes países/situações. As principais vacinas disponíveis estão constituidas por partículas de RNA mensageiro (Pfizer-Biontech e Moderna), vírus inativado (CoronaVac,Sinopharma e Covaxin, Bharat Biotech), com adenovirus (Oxford-AstraZeneca, Johnson&Johnson e Sputnik V, Gamaleya).

A pandemia segue, e neste momento a discussão se centraliza no uso das vacinas disponíveis e as pacientes submetidas às técnicas de reprodução assistida, grávidas e populações de risco entre as grávidas.

Nossas sociedades, avaliando também as diretrizes emitidas por sociedades mundiais como a ESHRE, a ASRM, a IFFS e a ACOG (SOGC), consideram que dentro da disponibilidade possível:

1) A vacinação tem efetividade e não induz a risco aumentado de contrair a infecção por Covid 19. Embora ainda não hajam estudos humanos de longo prazo sobre a vacinação contra Covid-19 e gravidez, nenhuma das vacinas contém vírus Sars Cov-2 vivo.

2) Para indivíduos vulneráveis,que apresentam alto risco de infecção e / ou morbidade por COVID-19, dentre os quais estão as grávidas, não receber a vacina supera o risco de ser vacinado, previamente ou durante a gravidez. Inclui-se ainda neste grupo os profissionais de saúde e aqueles outros, de linha de frente, com maior risco de exposição.

3) Não há razão para atrasar as tentativas de gravidez ou tratamentos de reprodução assistida quando de vacina não disponível ou se pacientes fora de grupos de risco.

4) Decisões da utilização (ou não) das vacinas devem ser compartilhadas entre pacientes e médicos, respeitando-se os princípios éticos de autonomia, beneficência e não maleficência.

5) Esta informação sobre vacinas deve ser incluidas como um termo específico em um consentimento informado já existente. Red Latinoamericana de Reproducción Asistida – REDLARA

6) Seguirão atualizações, a cada momento que novos conhecimentos solidifiquem os dados atuais.

  • REDLARA - Red Latinoamericana de Reproducción Asistida
  • SBRA - Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida
  • SAMeR - Sociedad Argentina de Medicina Reproductiva
  • AMMR - Asociación Mexicana de Medicina de la Reproducción
  • PRONÚCLEO - Associação Brasileira de Embriologistas em Medicina Reprodutiva
  • SAEC - Sociedad Argentina de Embriología Clínica
  • SOCMER - Sociedad Chilena de Medicina Reproductiva
  • ACCER - Asociación de Centros Colombianos de Reproducción Humana
  • SURH - Sociedad Uruguaya de Reproducción Humana
  • AVEMERE - Asociación Venezolana de Medicina Reproductiva y Embriología

Referências
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