O coito programado não é indicado para infertilidade masculina, mas saiba quais técnicas de reprodução assistida podem ser recomendadas nesses casos.
As pessoas com dificuldade para engravidar podem ter dúvidas sobre quais técnicas de reprodução assistida existem e em quais situações cada uma delas pode ser indicada. Entre essas dúvidas, temos: o coito programado pode ser uma opção para os casos de infertilidade masculina?
O coito programado, assim como a inseminação artificial, é uma técnica de reprodução assistida de baixa complexidade que, muitas vezes, é associada de forma genérica ao tratamento da infertilidade. No entanto, é importante esclarecer que as técnicas são diferentes e que nem todas são adequadas para todos os casos.
Por isso, falamos muito em personalização da investigação da infertilidade e da indicação do tratamento. Cada caso é único e deve ter suas especificidades consideradas.
Confira o post na íntegra e entenda melhor o coito programado e as indicações para os casos de infertilidade masculina!
Como o coito programado funciona?
O coito programado (ou relação sexual programada) é considerado a técnica menos complexa da reprodução assistida. Ele consiste em identificar o período fértil da mulher e orientar o casal a ter relações sexuais nos dias mais favoráveis para concepção, isto é, próximo à data da liberação do óvulo. A técnica pode envolver, ou não, o uso de medicamentos (na grande maioria dos casos) para indução da ovulação.
Por não envolver nenhuma manipulação dos gametas, o coito programado não é indicado para casos de infertilidade por fator masculino. Isso porque, quando há alterações no sêmen (baixa concentração, motilidade reduzida ou alterações morfológicas), a simples programação do momento da relação sexual não é suficiente para superar essas dificuldades.
No coito programado, o foco do tratamento está exclusivamente no controle do ciclo ovulatório feminino. De forma geral, o processo envolve:
- acompanhamento do ciclo ovulatório por meio de ultrassonografias seriadas;
- identificação do período fértil;
- orientação para relações sexuais em dias específicos;
- na maioria dos casos, uso de medicamentos para induzir a ovulação.
Como os gametas masculinos entram no corpo feminino naturalmente durante a relação sexual, não são empregadas técnicas para melhora da qualidade do sêmen e seleção de espermatozoides. Sendo assim, o coito programado é indicado somente quando os parâmetros seminais são considerados normais no resultado do espermograma.
Quais técnicas podem ser indicadas para infertilidade masculina?
Quando a infertilidade masculina é diagnosticada, outras técnicas de reprodução assistida podem ser indicadas, conforme o tipo e a gravidade da alteração identificada. Veja as possibilidades:
Inseminação artificial (inseminação intrauterina)
A inseminação artificial pode ser indicada em casos leves de infertilidade masculina. Nessa técnica:
- o sêmen é coletado e preparado em laboratório;
- os espermatozoides com motilidade e morfologia adequadas são selecionados;
- a amostra é introduzida no útero, no período fértil.
Esse processo aumenta a concentração de espermatozoides próximos ao óvulo, facilitando a fecundação quando há alterações seminais discretas na motilidade ou na morfologia espermática. O número de tentativas deve ser no máximo 4 e as taxas de sucesso são de até 20% por ciclo. Contudo, diante de condições mais graves, até mesmo a ausência de gametas no sêmen (azoospermia), a FIV é a melhor alternativa.
Fertilização in vitro (FIV)

A FIV é uma técnica de alta complexidade, indicada quando as alterações seminais são mais graves ou quando outras técnicas não foram eficazes. Nesse tipo de tratamento:
- os óvulos são coletados após estimulação ovariana;
- os espermatozoides também são coletados e selecionados a partir de métodos avançados de preparo seminal;
- a fecundação ocorre em laboratório;
- os embriões gerados são transferidos para o útero após um curto período de cultivo (monitoramento em incubadora).
Mesmo diante de fatores masculinos mais complexos, como a azoospermia, é possível realizar procedimentos específicos. Nesse cenário, podemos destacar a recuperação de espermatozoides com TESE, Micro-TESE, PESA e MESA. Essas técnicas possibilitam a coleta dos gametas que não se juntaram ao sêmen, mas que podem ser encontrados nos órgãos (testículos e epidídimos).
Ainda que sejam coletados em quantidade reduzida, em comparação com a que poderia ser obtida de forma convencional, esses espermatozoides podem ser utilizados na FIV com injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI), técnica em que um único gameta é injetado dentro de cada óvulo.
Essas abordagens utilizadas no contexto da FIV permitem superar barreiras que o coito programado e a inseminação artificial não conseguem contornar.
Para resumir: o coito programado é uma técnica simples, mas que pode trazer bons resultados quando realizado diante de condições leves de infertilidade feminina. Contudo, não é indicado para o tratamento da infertilidade masculina, visto que não envolve seleção de espermatozoides.
Quando o fator masculino está presente, a escolha do tratamento deve considerar técnicas que permitam atuar sobre o sêmen, ou seja: a inseminação artificial ou a FIV. A escolha entre as duas depende da gravidade da alteração seminal e de outras características do casal. A avaliação especializada é necessária para definir o caminho certo em cada caso.
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