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Cultivo embrionário: como é feito?

Por Equipe Origen

Publicado em 10/05/2022

Na reprodução assistida, trabalhamos com técnicas de baixa e alta complexidade, empregadas no tratamento de casais inférteis. A técnica mais complexa é a fertilização in vitro (FIV), que passa por várias etapas em laboratório, uma delas é o cultivo embrionário.

Os tratamentos na área da reprodução assistida já são realizados há muitas décadas. Com os avanços da medicina e as novas tecnologias desenvolvidas, hoje temos ferramentas mais sofisticadas para aperfeiçoar a FIV e aumentar as chances de gravidez — a exemplo da incubadora de cultivo embrionário com sistema time-lapse.

Para entender como a FIV é realizada, o que é cultivo embrionário, como as incubadoras de cultivo funcionam e quais são as chances de sucesso do tratamento, acompanhe este post!

O que é o cultivo embrionário?

O cultivo embrionário é uma das etapas da FIV e consiste na observação dos embriões durante seus primeiros dias de desenvolvimento, enquanto eles permanecem em incubadora.

Antes dessa etapa, vários outros procedimentos são realizados, começando pela estimulação ovariana, que requer a administração de medicações hormonais para aumentar a função dos ovários. Com isso, conseguimos coletar um grande número de óvulos maduros, ao passo que, na ovulação natural, somente um óvulo amadurece e é liberado para a fecundação.

O líquido folicular que contém os óvulos é aspirado dos ovários antes que a paciente ovule. Então, os gametas femininos são coletados em laboratório. A amostra de esperma também é colhida e submetida ao preparo seminal para selecionar os espermatozoides móveis e com morfologia adequada.

Depois das etapas de estimulação hormonal, coleta e preparo dos gametas, chega o momento central da FIV: a fertilização. Nos tratamentos atuais, a técnica mais indicada é a FIV ICSI — com injeção intracitoplasmática de espermatozoides.

No dia seguinte, já é possível verificar quantos embriões se formaram, os quais ficam em cultivo embrionário por até 7 dias. Depois desse período de avaliação é que eles são transferidos para o útero. Variando de 2 a 5 dias após a coleta ovular, os embriões que chegam ao estágio de blastocisto com 6 ou 7 dias são congelados para transferência em um ciclo posterior.

Apesar das intervenções clínicas e laboratoriais nas etapas anteriores — amadurecimento dos óvulos, coleta dos gametas e fertilização por ICSI —, a formação e o desenvolvimento dos embriões acontecem de forma semelhante na FIV e na gravidez espontânea.

Quando o espermatozoide penetra no óvulo e seus núcleos se fundem, origina-se o zigoto. Essa célula única entra em um processo de sucessivas divisões celulares. Cinco a sete dias após a fecundação, o embrião já apresenta centenas de células e encontra-se no estágio de blastocisto, estando pronto para se implantar na camada interna do útero.

Durante o período de cultivo embrionário, todo esse processo de desenvolvimento é monitorado. Nem todos os óvulos que são fertilizados conseguem avançar até a fase de blastocisto. Em muitos casos, é preciso fazer a transferência para o útero com dois ou três dias de cultivo (em fase de clivagem) para que os embriões continuem se desenvolvendo em ambiente intrauterino.

O protocolo de transferência é individualizado, com base em vários aspectos, como quantidade de óvulos fecundados, morfologia dos embriões — observada desde o início do cultivo embrionário — e potencial de implantação.

Como é feito o cultivo de embriões em incubadora?

O cultivo embrionário é necessário somente para observação do desenvolvimento inicial dos embriões, ou seja, eles se desenvolvem naturalmente, não há interferência durante esse processo.

A incubadora utilizada na FIV para o cultivo dos embriões simula os aspectos do microambiente tubário, isto é, recria as condições do ambiente que os embriões encontrariam na tuba uterina na concepção natural. Dessa forma, eles têm possibilidades de se desenvolver por alguns dias fora do corpo materno, apenas pelo período suficiente para serem avaliados, uma vez que podem ocorrer falhas nesse processo de desenvolvimento.

Na incubadora tradicional, ainda era necessário retirar os embriões do equipamento para analisá-los com o microscópio. Os avanços na reprodução assistida possibilitaram a implementação da incubadora com sistema time-lapse, que contém microscópio e câmera internos.

O sistema time-lapse para cultivo embrionário é automatizado e permite a captação de imagens várias vezes ao dia, com tempo programado. Portanto, não é preciso abrir a incubadora para analisar os embriões, assim podemos poupá-los de exposição ao ambiente externo e mudanças de temperatura que poderiam prejudicar sua qualidade.

Com a incubadora time-lapse conseguimos promover condições ainda mais próximas das que são encontradas no ambiente uterino. Além disso, podemos avaliar o momento mais adequado para realizar a transferência para o útero, bem como a análise genética e o congelamento dos embriões, quando necessário.

As novas regras do Conselho Federal de Medicina (CFM) incluem as seguintes determinações:

  • o número de embriões a serem transferidos é de até 2 para mulheres com idade máxima de 37 anos e de até 3 para mulheres com idade superior a essa;
  • o número total de embriões gerados em laboratório não pode exceder a 8. Os embriões que ultrapassam o número permitido para a transferência são colocados em criopreservação.

Quais são as taxas de sucesso da FIV?

A FIV é a técnica de reprodução assistida com as taxas mais altas de êxito, chegando a mais de 50% de chance de gravidez por ciclo. O sucesso do tratamento depende da idade da mulher, da qualidade do material genético e da receptividade uterina. Ainda assim, as taxas são altas.

As novas tecnologias empregadas na FIV, a exemplo do cultivo embrionário com incubadora time-lapse, contribuem para um tratamento bem-sucedido.

Leia agora o texto que fizemos para explicar como é feita a FIV ICSI!