DIU: posso congelar meus óvulos sem remover o dispositivo?

Por Equipe Origen

Publicado em 27/01/2026

O uso de DIU, na maioria dos casos, não impede a mulher de congelar os óvulos

Quem tem um dispositivo intrauterino (DIU) e pensa em preservar a fertilidade pode ter a mesma dúvida: será que posso congelar os óvulos sem precisar tirar o DIU? Essa questão surge porque muitas mulheres não sabem se o dispositivo pode interferir na ovulação e nos processos necessários para o congelamento de óvulos.

O DIU é um importante método anticonceptivo, utilizado por muitas mulheres que desejam uma contracepção segura e de longa duração. Essas mulheres podem não querer engravidar nos próximos anos, mas é possível manter o plano de maternidade para um futuro um pouco mais distante. Nesse cenário, conhecer a possibilidade de congelar os óvulos para uso futuro é um caminho interessante.

Leia o post todo e descubra se é possível manter o DIU e realizar o congelamento de óvulos!

O que é o DIU e como ele funciona?

O DIU é um pequeno dispositivo com ação anticoncepcional que é inserido dentro do útero. Ele pode funcionar como uma barreira para os espermatozoides e alterar as características do endométrio (tecido intrauterino).

Existem diferentes tipos de DIU, os dois mais conhecidos são:

  • DIU de cobre (Tcu-380);
  • DIU Mirena®, que é um dispositivo hormonal (Sistema Intrauterino de Levonorgestrel).

O DIU de cobre atua liberando íons que tornam o ambiente uterino hostil para os espermatozoides. Ele causa uma reação inflamatória que afeta a movimentação e a sobrevivência dos gametas masculinos, além de comprometer a implantação embrionária devido às alterações endometriais.

O mecanismo de ação do DIU hormonal consiste na liberação de pequenas doses de levonorgestrel, que ajuda a deixar o muco cervical mais espesso e afinar o endométrio. As mulheres que utilizam esse tipo de dispositivo passam a ter fluxo menstrual reduzido e menos cólicas, sendo também indicado, em alguns casos, como tratamento de doenças ginecológicas hormônio-dependentes, como o mioma uterino, adenomiose ou endometriose.

Ambos os tipos de DIU têm ação contraceptiva prolongada: o de cobre dura até 10 anos e o hormonal no mínimo 5 anos. Outro ponto em comum é que eles agem localmente (no útero), portanto, não bloqueiam a ovulação, o que é importante no contexto do congelamento de óvulos.

O que é o congelamento de óvulos?

O congelamento de óvulos é um método de preservação da fertilidade. Trata-se de uma possibilidade de “guardar” óvulos que ainda têm boa qualidade para serem utilizados no futuro, quando a mulher estiver pronta para engravidar.

Há dois contextos importantes para a preservação da fertilidade: social e terapêutico. O congelamento social dos óvulos é feito devido à escolha das mulheres que preferem adiar a maternidade para depois dos 37 anos ou mais. Já a preservação terapêutica ou oncológica é indicada diante de doenças ou tratamentos médicos que podem afetar os ovários, como quimioterapia, radioterapia e cirurgia ovariana.

Para congelar os óvulos, a mulher deve passar em consulta com seu ginecologista ou um médico especialista em medicina reprodutiva e iniciar o processo com a avaliação da reserva ovariana, que é feita com ultrassonografia pélvica transvaginal e dosagens hormonais. Exames genéticos e sorologias também podem ser solicitados para garantir a preservação de óvulos livres de alterações.

Os outros procedimentos a serem realizados são: estimulação ovariana, que induz o desenvolvimento e o amadurecimento de vários óvulos em um ciclo; e a coleta dos óvulos, feita por punção guiada por ultrassom.

Depois de coletados, os óvulos são identificados e armazenados em tanques de nitrogênio. Após alguns anos, quando decidir engravidar, a mulher pode solicitar o descongelamento desses óvulos e dar continuidade às etapas da fertilização in vitro (FIV), que vão incluir:

  • coleta e preparo do sêmen;
  • fertilização dos óvulos em laboratório;
  • cultivo embrionário;
  • transferência dos embriões para o útero.

Afinal, preciso remover o DIU para fazer o congelamento de óvulos?

Geralmente, não é necessário retirar o DIU para congelar os óvulos, visto que ele não interfere na ovulação e no procedimento. A etapa de estimulação ovariana pode ser realizada normalmente, sem ser prejudicada pelo dispositivo e sem alterar a ação contraceptiva que ele exerce.

Mesmo com o DIU hormonal, não é necessária a retirada do dispositivo. A liberação de hormônios resulta somente em alterações locais no colo do útero e no endométrio. Sendo assim, embora algumas mulheres parem de menstruar, seus ovários continuam funcionando normalmente. Muitas vezes, esses tipos de DIU dispensam o uso de medicações para o bloqueio ovulatório.

Vale lembrar que cada pessoa é única, portanto o médico vai avaliar individualmente a resposta dos ovários às medicações hormonais. Em casos específicos, por exemplo quando a mulher já tem baixa reserva ovariana, pode ser necessário aumentar as doses de hormônios para melhorar o número de óvulos para a coleta ou considerar outras condutas.

A decisão sobre tirar ou manter o DIU para congelar os óvulos deve ser tomada junto com o médico especialista. Como você viu, é possível realizar o procedimento sem remover o dispositivo, mas a avaliação individual garante mais segurança e melhores resultados.

Confira ainda o texto sobre criopreservação e entenda a importância dessa técnica para o congelamento de óvulos, sêmen e embriões!

Importante Este texto tem apenas caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. Atualizamos nosso conteúdo com frequência, mas o conhecimento médico e a ciência evoluem rapidamente, por isso alguns conteúdos podem não refletir as informações mais recentes. Dessa forma, a consulta médica é o melhor momento para se informar e tirar dúvidas. Além disso, podem existir diferenças plausíveis baseadas em evidências científicas nas opiniões e condutas de diferentes profissionais de saúde.

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