Infertilidade feminina: causas uterinas

Por Equipe Origen

Publicado em 05/10/2026

Alterações na anatomia e no funcionamento do útero podem interferir na implantação do embrião e na manutenção da gestação, mesmo quando a ovulação e as tubas uterinas estão preservadas.

Quando uma gravidez não acontece, é natural que surjam questionamentos e expectativas em torno dos exames e diagnósticos. Hoje sabemos que a infertilidade pode ser causada por fatores masculinos e femininos (ou ambos). Por isso, de forma geral, quando há dificuldade de engravidar, a investigação precisa ser feita tanto no homem como na mulher.

Neste texto, vamos abordar fatores femininos específicos de infertilidade: as causas uterinas. Trata-se de alterações relacionadas à morfologia ou ao funcionamento do útero que podem dificultar a implantação do embrião ou o desenvolvimento da gestação.

Se você está com dificuldade para engravidar, é importante conhecer melhor o útero e os possíveis fatores de infertilidade.

Fatores de infertilidade feminina

A infertilidade feminina pode estar relacionada a diversos fatores, que costumam ser organizados em três grandes grupos: ovarianos, tubários e uterinos. Cada um deles pode atuar de maneira isolada ou associada, o que reforça a importância de uma avaliação completa e individualizada.

Aqui, o foco são as causas uterinas, que dizem respeito às condições que afetam o útero, órgão fundamental para que o embrião se implante e a gestação se desenvolva de forma saudável.

O papel do útero na fertilidade

O útero é o órgão em que ocorre a implantação do embrião e o desenvolvimento da gestação. Para que esse processo aconteça, é necessário que:

  • a cavidade uterina tenha formato e dimensões adequadas;
  • o endométrio esteja receptivo;
  • não haja alterações que dificultem a implantação ou aumentem o risco de perda gestacional.

Quando há alterações anatômicas ou doenças que comprometem essas condições, a infertilidade feminina por causa uterina pode ser diagnosticada. Essas alterações podem ser congênitas (presentes desde o nascimento) ou adquiridas ao longo da vida.

Malformações uterinas

As malformações uterinas são alterações congênitas que ocorrem durante o desenvolvimento embrionário do sistema reprodutor feminino. Elas podem variar em tipo e gravidade e, em alguns casos, estar associadas à infertilidade feminina ou a dificuldades na manutenção da gestação.

Dentre as principais malformações uterinas, destacam-se:

  • útero septado, caracterizado pela presença de um septo que divide parcial ou totalmente a cavidade uterina;
  • útero bicorno, no qual a cavidade apresenta uma divisão superior;
  • útero unicorno onde apenas há uma cavidade diminuída e uma trompa;
  • útero didelfo, em que há duplicação parcial ou total do útero.

Essas condições nem sempre causam sintomas ou infertilidade e, em algumas pessoas, podem passar despercebidas por muitos anos. Em outros casos, podem estar associadas a dificuldade para engravidar ou a perdas gestacionais recorrentes. O diagnóstico costuma ser feito por exames de imagem, e o manejo depende do tipo de malformação, da história reprodutiva e dos objetivos do casal.

Pólipos endometriais

Os pólipos endometriais são formações benignas que se projetam do endométrio, por isso são chamados “endometriais”. Dependendo do tamanho, da localização e do número, eles podem interferir na implantação do embrião, estando associados, em alguns casos, à infertilidade feminina.

Nem toda mulher com pólipos endometriais tem dificuldade para engravidar, mas, quando identificados durante a investigação da infertilidade, sua remoção pode ser considerada, na grande maioria dos casos, parte do tratamento. Podem estar associados à inflamação do endométrio.

Miomas uterinos

Os miomas uterinos são tumores benignos do músculo uterino e estão entre as alterações uterinas mais frequentes. Eles podem se localizar em diferentes regiões do útero e afetar a fertilidade.

Alguns miomas, especialmente os que alteram a cavidade uterina (miomas submucosos), podem estar associados à infertilidade feminina. Outros, localizados em regiões mais distantes do útero (miomas subserosos), podem não interferir diretamente na fertilidade.

A abordagem dos miomas no contexto da infertilidade deve ser individualizada, considerando sintomas, tamanho, localização e o plano reprodutivo da mulher ou do casal.

Aderências uterinas

As aderências uterinas, também conhecidas como sinequias, correspondem à formação de tecido fibroso no interior da cavidade uterina. Elas podem surgir após procedimentos intrauterinos, infecções ou processos inflamatórios.

Essas aderências podem reduzir o espaço da cavidade uterina ou alterar o endométrio, interferindo na implantação do embrião e contribuindo para a infertilidade feminina. O diagnóstico e o tratamento dependem da extensão das aderências e de sua repercussão clínica.

Infecções uterinas

Algumas infecções uterinas, especialmente quando se tornam crônicas, podem afetar o endométrio e sua receptividade. Essas condições nem sempre apresentam sintomas claros, o que reforça a importância de uma investigação cuidadosa em casos de infertilidade sem causa aparente. Quando identificadas, podem ser tratadas, o que pode melhorar o ambiente uterino para a gestação.

Tratamento e possibilidades da reprodução assistida

Uma dúvida frequente é se as causas uterinas de infertilidade feminina podem ser tratadas. Em muitos casos, sim. Algumas alterações uterinas podem ser corrigidas por meio de tratamentos clínicos ou cirúrgicos, o que pode restaurar condições favoráveis à gravidez.

Quando isso não é possível ou quando os resultados esperados não são alcançados, as técnicas de reprodução assistida, como a fertilização in vitro (FIV), podem representar uma alternativa importante. A escolha da melhor estratégia depende de uma avaliação criteriosa e do diálogo entre a equipe médica e o casal.

Se você deseja aprofundar seu conhecimento e entender melhor como os diferentes fatores podem estar envolvidos na dificuldade para engravidar, convidamos você a ler o conteúdo completo sobre infertilidade feminina. Informação de qualidade é parte fundamental do cuidado com a saúde reprodutiva.

Importante Este texto tem apenas caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. Atualizamos nosso conteúdo com frequência, mas o conhecimento médico e a ciência evoluem rapidamente, por isso alguns conteúdos podem não refletir as informações mais recentes. Dessa forma, a consulta médica é o melhor momento para se informar e tirar dúvidas. Além disso, podem existir diferenças plausíveis baseadas em evidências científicas nas opiniões e condutas de diferentes profissionais de saúde.
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