Ter filhos é um processo natural na vida humana, mas não é tão simples para todas as pessoas. A dificuldade para engravidar é uma realidade que afeta muitos casais, seja por fatores femininos, masculinos, ambos conjuntamente ou até por infertilidade sem causa aparente (ISCA).
A medicina reprodutiva oferece diferentes caminhos para auxiliar as pessoas que enfrentam os desafios da infertilidade. As técnicas de reprodução assistida são recursos eficazes que ajudam a superar diversos obstáculos, como disfunção ovulatória, obstrução das tubas uterinas, alterações no sêmen, entre muitos outros.
A reprodução assistida se refere a um conjunto de procedimentos de avaliação e intervenção utilizados para favorecer o processo de concepção quando a gravidez não acontece naturalmente.
As técnicas de reprodução assistida podem ser indicadas após uma investigação detalhada da fertilidade do casal e variam conforme o diagnóstico, o tempo de tentativas de gravidez e a idade da mulher, entre outros fatores.
Continue a ler este artigo para entender melhor quais são as técnicas de reprodução assistida, qual é a melhor e como a escolha da técnica mais adequada é feita!
Quais são as técnicas de reprodução assistida?

São três técnicas principais que representam caminhos para facilitar a concepção. Há também técnicas complementares importantes para situações específicas, como a doação de gametas, a criopreservação de gametas e embriões, o teste genético pré-implantacional (PGT), entre outras.
As principais técnicas de reprodução assistida são: coito programado, inseminação artificial (ambas de baixa complexidade) e fertilização in vitro ou FIV (de alta complexidade). Conheça um pouco mais sobre cada uma delas:
Coito programado
O coito programado — chamado também de relação sexual programada — é a técnica de reprodução assistida de menor complexidade, indicada em casos leves de infertilidade feminina. O objetivo é identificar o período mais fértil do ciclo da mulher e orientar o casal a manter relações nesse intervalo.
Essa técnica pode envolver o uso de medicamentos para estimular a ovulação ou ser feita com o acompanhamento do ciclo pré-ovulatório natural. As indicações são feitas para mulheres com disfunções ovulatórias e ISCA, preferencialmente se forem jovens (com menos de 35 anos), tiverem tubas uterinas saudáveis (sem obstrução) e o parceiro apresentar sêmen com parâmetros normais.
As taxas de sucesso são ao redor de 15% a 20%, ou seja, as mesmas de um casal sem infertilidade. A quantidade de filhos que a mulher ou o casal deseja ter deve ser também levada em conta para a indicação desta técnica, uma vez que não preserva a fertilidade.
Inseminação intrauterina (IIU)
A inseminação artificial, ou inseminação intrauterina (IIU), é uma técnica de baixa complexidade em que os espermatozoides são preparados em um procedimento laboratorial e inseridos no útero durante o período ovulatório da mulher. Pode ser feito com estimulação ovariana ou em ciclos não estimulados (naturais).
O sêmen pode ser do parceiro ou de um doador e passa por métodos de capacitação espermática para selecionar os espermatozoides de melhor qualidade.
A inseminação artificial pode ser indicada para casos leves de alteração seminal, ISCA, dificuldade em manter relações sexuais programadas, além de reprodução de casais homoafetivos femininos e de mulheres solteiras.
A idade da mulher sempre deve ser levada em conta, que idealmente deve ser igual ou inferior aos 35 anos. As taxas de sucesso são ao redor de 15% a 20%, ou seja, as mesmas de um casal sem infertilidade. A quantidade de filhos que a mulher ou o casal deseja ter deve ser também levada em conta para a indicação desta técnica, uma vez que não preserva a fertilidade.
Fertilização in vitro (FIV)
A FIV é a técnica de reprodução assistida de maior complexidade. Consiste em coletar os gametas e fecundar os óvulos com os espermatozoides em laboratório, formando embriões que são monitorados em incubadora de alta performance por até 7 dias, antes de serem transferidos para o útero da futura mãe ou congelados para transferência em outro ciclo.
A FIV pode ser indicada diante de diversas condições, como:
- idade materna avançada;
- infertilidade por tempo prolongado;
- endometriose;
- obstrução das tubas uterinas;
- alterações graves no sêmen;
- reprodução de casais homoafetivos masculinos e femininos;
- preservação da fertilidade — são feitas as primeiras etapas da FIV e o congelamento de óvulos ou embriões. Futuramente, o tratamento será retomado quando a paciente decidir engravidar;
- risco de alterações genéticas nos embriões — nesse caso, realiza-se o PGT durante a FIV;
- falhas anteriores em técnicas de baixa complexidade.
As taxas de sucesso podem ser superiores a 50%, além de, em casos de embriões excedentes, estes poderem ser guardados para uma gestação futura sem o efeito da idade materna.
Qual é a melhor técnica de reprodução assistida?
Essa é uma dúvida comum entre os pacientes que buscam as técnicas de reprodução assistida, mas a resposta não pode ser generalizada. A FIV é, de fato, a técnica que apresenta as maiores taxas de sucesso e possibilita contornar diversos fatores de infertilidade
Em muitas situações, a FIV pode ser a melhor escolha porque permite o uso de protocolos individualizados e de importantes técnicas complementares, como o PGT, o congelamento de óvulos, a ovodoação, a barriga solidária, entre outros.
De modo geral, a FIV se destaca entre as técnicas de reprodução assistida devido às taxas mais elevadas de sucesso, que podem ultrapassar os 50% de chance de gravidez por ciclo de tentativa, dependendo da idade da mulher, ao passo que o coito programado e a inseminação artificial apresentam entre 15% e 20% de chance de sucesso.
No entanto, isso não significa que a FIV seja sempre a melhor escolha. Em muitos casos, técnicas de baixa complexidade podem trazer bons resultados, desde que sejam bem indicadas, com base nas características e fatores de infertilidade de cada casal.
Sendo assim, a escolha das técnicas deve ser personalizada, considerando:
- a idade da mulher;
- o tempo de tentativa de gravidez;
- os resultados dos exames (masculinos e femininos);
- o histórico de doenças ginecológicas ou andrológicas;
- as expectativas e possibilidades do casal.
A decisão sobre a melhor técnica de reprodução assistida para cada caso deve ser esclarecida e norteada pelo apoio do médico especialista, após uma investigação aprofundada das condições reprodutivas do homem e da mulher. Além disso, o profissional leva em conta os aspectos emocionais, financeiros e o desejo do casal, oferecendo uma abordagem humanizada, realista e segura.
Agora, leia também o texto sobre FIV- fertilização in vitro e entenda como essa técnica é realizada!





