Transferência de embriões: sempre blastocisto?

Por Equipe Origen

Publicado em 21/08/2026

A transferência embrionária pode ser feita no 2º, 3º ou no 5º dia, e a escolha depende de diversos fatores ligados ao desenvolvimento dos embriões e ao perfil de cada casal.

No contexto da fertilização in vitro (FIV), um dos temas mais discutidos é o momento ideal para realizar a transferência embrionária. Os embriões podem ser transferidos no segundo ou terceiro dia de desenvolvimento (D2 ou D3) ou no 5º dia, quando atingem o estágio de blastocisto.

Apesar de o blastocisto ser conhecido por sua capacidade de implantação mais elevada, isso não significa que toda transferência deva ser feita obrigatoriamente nesse estágio. A decisão é complexa, envolve o acompanhamento cuidadoso do desenvolvimento embrionário e deve ser individualizada para cada casal.

Continue a ler e entenda melhor os protocolos de transferência embrionária!

O que acontece na FIV até o momento da transferência de embriões?

Seja um embrião D2, D3 ou D5, a transferência é o último momento da FIV, realizada somente após uma série de etapas, que incluem:

  • estimulação ovariana e captação dos óvulos;
  • preparo do sêmen;
  • fecundação dos óvulos em laboratório;
  • cultivo embrionário, período em que os embriões são acompanhados diariamente em incubadora;
  • transferência dos embriões selecionados para o útero.

Durante o cultivo, os embriões passam por estágios sucessivos de divisão celular até se tornarem blastocistos, constituindo mais células, portanto possuem uma estrutura organizada e maior potencial de implantação. Contudo, nem todos conseguem evoluir até esse estágio e podem precisar de transferência em D2 ou D3.

Cultivo e qualidade embrionária: o que influencia a evolução do embrião?

A evolução até a fase de blastocisto depende da qualidade embrionária, que por sua vez está relacionada à qualidade dos óvulos e espermatozoides. Um ponto muito relevante na seleção de embriões é a constituição genética. Nesse sentido, é preciso considerar o conceito de euploidia, ou seja, o número correto de cromossomos.

A idade da mulher é um dos fatores que exercem influência nesse processo, porque a taxa de óvulos euploides diminui com o passar dos anos. Isso explica por que técnicas como o congelamento de óvulos em idade mais jovem são estratégias importantes para preservar a fertilidade.

É por isso que a clínica deve analisar, junto ao casal, se vale a pena prolongar o cultivo até o 5º dia. Uma vez que nem todos os embriões chegam ao estágio de blastocisto, manter a transferência em D2 ou D3, antes que o embrião interrompa seu desenvolvimento, pode ser uma opção mais adequada em algumas situações.

D2, D3 ou D5: quando transferir os embriões, afinal?

A questão central não é apenas se o blastocisto implanta mais, também é preciso observar quantos embriões têm potencial para chegar até esse estágio.

Vamos refletir: um embrião de 2, 3 e um embrião de 5 dias têm as mesmas chances de implantação? Não, mas essa comparação não é simples de ser feita. Apenas um percentual de embriões D3 chega ao estágio de blastocisto (D5). A conta a se fazer é: quantos óvulos eu preciso para chegar a uma gestação.

Na FIV, quanto mais óvulos são coletados, maiores as chances de sucesso, justamente porque muitos se perdem pelo caminho. Por mais avançadas que sejam as técnicas laboratoriais, nem todos os óvulos geram embriões de qualidade e nem todos os embriões evoluem até o estágio esperado para se implantar no útero.

Além da qualidade dos embriões, o sucesso da implantação envolve outras condições. Mesmo blastocistos de excelente padrão podem não se implantar, porque esse processo depende ainda de:

  • boa receptividade do endométrio;
  • condições imunológicas e hormonais;
  • anatomia adequada do útero;
  • saúde geral da mulher.

Seja qual for o protocolo de transferência embrionária escolhido, a decisão sobre transferir em estágio D2, D3 ou D5 deve ser personalizada, considerando todas as características clínicas e laboratoriais.

Como a transferência é feita na FIV?

No dia da transferência, o(s) embrião(ões) selecionado(s) é colocado no interior do útero por meio de um cateter fino. É um procedimento rápido e guiado por ultrassonografia. Geralmente, é feito antes o preparo endometrial, quer seja de forma natural ou com hormônios reprodutivos, para melhorar a receptividade uterina.

Quando há um número maior de embriões viáveis do que o permitido para a transferência, os excedentes podem ser congelados, garantindo novas oportunidades ao casal no futuro, sem a necessidade de repetir todas as etapas da FIV.

A Origen trabalha com o cultivo embrionário até o 5º e 6º dias, avaliando cuidadosamente a taxa de desenvolvimento dos embriões. Em casos específicos, é possível ter blastocistos de 7 dias, os quais são congelados para transferência em ciclo posterior.

Esclarecemos, então, que a transferência de embriões não é sempre realizada com blastocistos, embora esse seja o estágio mais utilizado atualmente. A decisão é individualizada e baseada no potencial de desenvolvimento embrionário, quantidade de óvulos e embriões disponíveis, entre outros aspectos importantes.

O diálogo entre o casal e a equipe médica é a base para definir se a transferência de embriões será em D2, D3 ou estágio de blastocisto, com o objetivo de oferecer a melhor chance de implantação e gestação.

Complemente suas informações com a leitura deste post: transferência de blastocistos!

Importante Este texto tem apenas caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. Atualizamos nosso conteúdo com frequência, mas o conhecimento médico e a ciência evoluem rapidamente, por isso alguns conteúdos podem não refletir as informações mais recentes. Dessa forma, a consulta médica é o melhor momento para se informar e tirar dúvidas. Além disso, podem existir diferenças plausíveis baseadas em evidências científicas nas opiniões e condutas de diferentes profissionais de saúde.
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