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Tubas uterinas: o que são e qual sua função na fertilidade?

Por Equipe Origen

Publicado em 01/09/2021

As tubas uterinas fazem parte do sistema reprodutor da mulher, constituindo o trato genital superior, juntamente ao útero e aos ovários. São órgãos de função fundamental para que a gravidez aconteça de forma espontânea. Contudo, existem algumas condições que prejudicam a permeabilidade tubária e causam infertilidade feminina, sendo necessário o tratamento cirúrgico ou as técnicas de reprodução assistida.

O aparelho sexual feminino é composto por vagina, vulva, cérvice, útero, tubas uterinas e ovários. No trato superior, os ovários são responsáveis pelo desenvolvimento e maturação dos óvulos, o útero é o local onde o feto recebe aporte sanguíneo — com oxigênio e nutrientes para se desenvolver — e as tubas fazem a ligação entre ovários e útero.

Para entender com mais clareza qual é a função das tubas uterinas, acompanhe este post. Veja também quais são os possíveis problemas tubários e como a mulher pode engravidar nesses casos!

O que são as tubas uterinas e qual é sua função?

As tubas uterinas são dois tubos, de aproximadamente 10 cm cada, que conectam o útero aos ovários. São compostas por três camadas, tecido mucoso, muscular e seroso — assim como o útero. Anatomicamente, as trompas se dividem em 4 partes:

  • intramural (parte uterina);
  • istmo, porção medial do órgão, com menor calibre;
  • ampola, parte mais dilatada, onde ocorre a fertilização do óvulo;
  • infundíbulo, extremidade distal, mais próxima aos ovários.

A função das tubas uterinas é captar o óvulo e conduzi-lo para o local da fecundação. É no interior de uma das tubas que o embrião se forma. Assim, no momento da ovulação, as fímbrias se movimentam, capturam o óvulo que é liberado pelo ovário e o levam para a região da ampola — as fímbrias são franjas localizadas no infundíbulo, que se abrem próximo ao ovário.

Quais condições podem afetar as tubas uterinas?

Como vimos, a função das tubas uterinas é essencial para o processo de fecundação que ocorre na gravidez espontânea. Entretanto, existem algumas doenças e condições que prejudicam a permeabilidade tubária, provocando infertilidade. Veja quais!

Endometriose

A endometriose é uma das principais causas de infertilidade feminina e pode afetar várias funções do sistema reprodutor, incluindo a permeabilidade tubária. Isso ocorre porque, nessa doença, existem implantes de endométrio (tecido que recobre a parede uterina) fora do útero. Esse tecido ectópico provoca uma inflamação nos órgãos lesionados, o que pode resultar em formação de cicatrizes e distorção anatômica das tubas uterinas.

Salpingite

A salpingite é uma inflamação nas tubas uterinas que normalmente faz parte da doença inflamatória pélvica (DIP), um quadro que envolve outros processos patológicos simultâneos, como a endometrite (inflamação no endométrio). A DIP é uma condição polimicrobiana e está fortemente associada com as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).

Nesses casos, a salpingite pode levar ao acúmulo de líquido no interior das tubas uterinas, condição chamada hidrossalpinge, dificultando a movimentação dos espermatozoides até o óvulo. Além disso, tanto a DIP quanto a endometriose são causas de gravidez ectópica, uma vez que, quando a fecundação acontece, o embrião não consegue migrar até o útero e se implanta na própria tuba.

Laqueadura

A laqueadura é uma cirurgia eletiva de contracepção definitiva que envolve a obstrução das tubas uterinas. Para isso, as trompas são cortadas, amarradas ou bloqueadas com grampos, anéis cirúrgicos ou outros métodos. Dessa forma, os gametas masculino e feminino não conseguem se unir para gerar um embrião.

Apesar de ser uma escolha consciente, algumas mulheres mudam de planos após anos de laqueadura e decidem ter mais filhos. A cirurgia de recanalização tubária nem sempre tem bons resultados e a restauração da fertilidade também depende de outros fatores, como idade da paciente e situação da reserva ovariana.

Malformações congênitas

Em raros casos, a mulher nasce com as tubas uterinas subdesenvolvidas devido a falhas no processo de formação dos órgãos reprodutores, ainda no período intrauterino. Isso pode ser parte de um quadro de agenesia que envolve ainda a ausência ou a malformação do útero e da parte superior da vagina.

Como tratar os problemas tubários?

Alguns problemas tubários podem ser corrigidos com cirurgia, como nos casos de endometriose e reversão de laqueadura. Entretanto, as chances de gestação natural após a intervenção cirúrgica também dependem de outras condições. Para mulheres com mais de 35 anos ou outros fatores de infertilidade identificados, a fertilização in vitro (FIV) é a melhor alternativa para engravidar.

A FIV é a técnica mais complexa da reprodução assistida. Nesse tipo de tratamento, os óvulos e espermatozoides são coletados e analisados em laboratório, a fertilização ocorre fora do útero e somente após alguns dias de cultivo em incubadoras é que os embriões são colocados no útero materno.

Como a transferência embrionária é feita diretamente para a cavidade do útero, a FIV é fortemente indicada para mulheres com obstrução nas tubas uterinas. As taxas de êxito são altas, mas o sucesso do tratamento é determinado por aspectos como idade da mulher, qualidade dos óvulos e espermatozoides e receptividade do útero.

Agora, leia também nosso texto institucional que aborda, em detalhes, todas as etapas da fertilização in vitro.