As disfunções ovulatórias representam a principal causa de infertilidade feminina, a oligovulação é uma delas.
A ovulação tem função central na fertilidade feminina: é preciso que um óvulo seja liberado regularmente para que existam chances de fecundação. Algumas disfunções podem interferir nesse processo, e uma delas é a oligovulação.
Quando a ovulação acontece de forma infrequente, a probabilidade de gravidez diminui. O principal sinal de disfunção ovulatória são os ciclos menstruais irregulares, mas, em algumas situações, não há nenhum indício do problema.
Leia este artigo e compreenda o que é oligovulação, suas causas, impactos na fertilidade e condutas médicas!
Como a ovulação acontece?
A ovulação geralmente ocorre na metade do ciclo menstrual. Todo o processo pré e pós-ovulatório é regulado por um eixo hormonal que envolve as glândulas hipotálamo, hipófise e ovários.
O ciclo feminino é iniciado com a menstruação. Já nos primeiros dias, o hipotálamo e a hipófise trabalham em conjunto para liberar os hormônios folículo-estimulante (FSH) e luteinizante (LH), que estimulam os ovários.
Sob estímulo dos hormônios gonadotróficos, os ovários começam a desenvolver um grupo de folículos ovarianos para que um deles consiga liberar um óvulo. Cerca de duas semanas após o início do ciclo, ocorre a ruptura do folículo dominante e a ovulação.
Quando o óvulo é liberado, as células que constituíam o folículo ovariano dão origem ao corpo-lúteo, que produz os hormônios que preparam o útero para receber um embrião. Se houver fertilização do óvulo e implantação embrionária, inicia-se uma gravidez. Caso contrário, a menstruação acontece o um novo ciclo menstrual começa.
Diante de alterações hormonais, metabólicas ou estruturais, a ovulação pode ficar infrequente ou parar de acontecer, caracterizando uma disfunção ovulatória, problema que está no topo da lista de causas de infertilidade feminina.
O que é oligovulação?
Oligovulação é a situação em que a ovulação não acontece todos os ciclos menstruais. Em vez de ovular mensalmente, a mulher tem ovulações esporádicas, com frequência diminuída (por exemplo, 6 a 9 ciclos ovulatórios por ano). Ciclos menstruais muito longos (com mais de 40 dias) também podem ser um indício de oligovulação.
Outra disfunção ovulatória que merece atenção é a anovulação crônica (ausência de ovulação). Esse caso é ainda mais complexo, pois a mulher pode ficar vários meses sem ovular, de modo que suas chances de gravidez são nulas durante esse período. A ausência de menstruação é um sinal clássico de anovulação.
Veja quais são as principais causas e fatores de risco dos problemas ovulatórios:
- síndrome dos ovários policísticos (SOP);
- disfunções da tireoide (hipotireoidismo ou hipertireoidismo);
- distúrbios da hipófise (tumores, hiperprolactinemia e outros);
- obesidade, peso muito baixo e transtornos alimentares;
- fatores do estilo de vida que interferem na produção hormonal regular (exercício físico excessivo, estresse elevado, dietas restritivas, uso de anabolizantes etc.);
- idade materna avançada, que está associada à redução da reserva ovariana;
- determinados medicamentos e tratamentos médicos que também podem afetar a função ovulatória.
A oligovulação tem relação com a infertilidade?

Sim, essa relação é clara: como a oligovulação significa a liberação irregular de óvulos, as chances de fertilização são menores.
As taxas de gravidez são naturalmente moderadas, mesmo entre os casais férteis. Ou seja: para uma mulher que ovula regularmente e não tem outros problemas nos órgãos reprodutores, assim como seu parceiro tem parâmetros seminais normais, as chances de engravidar são de 15% a 20% em um ciclo.
Quando existe alguma alteração nas funções reprodutivas (femininas ou masculinas), a probabilidade de concepção pode ser mínima ou até inexistente, dependendo do fator presente. Sendo assim, é recomendável que o casal busque avaliação médica ao enfrentar dificuldade para engravidar.
Como tratar um problema de ovulação?
Primeiro passo: faça investigação diagnóstica com um especialista em ginecologia e/ou reprodução humana. Dependendo das causas da disfunção ovulatória, o médico clínico ou endocrinologista também pode detectar alterações em exames de rotina.
A avaliação especializada na área de medicina reprodutiva é particularmente indicada devido a sua abrangência, pois nesse contexto a mulher e o homem são simultaneamente avaliados. Assim, o médico pode ter um panorama de todos os fatores de infertilidade conjugal e propor um tratamento personalizado.
O percurso diagnóstico inclui entrevista clínica, dosagens hormonais, ultrassonografia pélvica transvaginal, entre outros exames que forem necessários com base nas suspeitas médicas.
O tratamento da oligovulação pode envolver uso de medicamentos para tratar as disfunções endócrinas, além de indutores de ovulação. Mudanças no estilo de vida também são recomendadas, como controle de peso corporal, dieta equilibrada, entre outras.
As técnicas de reprodução assistida são opções seguras para superar a oligovulação e a infertilidade. O casal que apresenta somente a disfunção ovulatória (vale ressaltar que a idade ideal da mulher para estes casos é de 35 anos ou menos, principalmente se quiser mais de um filho) pode começar a estimulação ovariana controlada associada a tratamentos de baixa complexidade (coito programado ou inseminação artificial).
Para os casos mais complexos, por exemplo baixa reserva ovariana, idade materna avançada ou falhas nos tratamentos de baixa complexidade, a fertilização in vitro (FIV) pode ser eficaz. Com essa técnica, há um controle rigoroso de todas as etapas que antecedem a gravidez: desde o estímulo à ovulação até a transferência do embrião (óvulo fertilizado em laboratório) para o útero materno.
A oligovulação é uma causa relevante de infertilidade feminina, mas, quando identificada corretamente, há diversas condutas que podem melhorar as chances de gravidez. O olhar individualizado de profissionais experientes pode encurtar esse caminho.
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