PGT e freeze-all: qual é a relação?

Por Equipe Origen

Publicado em 20/10/2026

O PGT é realizado em conjunto com o freeze-all, um procedimento importante para manter os embriões viáveis para serem usados após os resultados da análise genética.

O teste genético pré-implantacional (PGT) é uma técnica de medicina reprodutiva utilizada para avaliar características genéticas e cromossômicas dos embriões antes da transferência para o útero.

Há diferentes tipos com finalidades específicas: PGT-A para rastrear aneuploidias (alterações no número dos cromossomos); PGT-M para pesquisa de doenças monogênicas hereditárias; PGT-SR, que analisa rearranjos na estrutura cromossômica; PGT-P, ainda pouco utilizado, que avalia o risco de desenvolver doenças ao longo da vida, como câncer, diabetes e doença coronariana.

O PGT não é um procedimento de rotina em todos os ciclos de fertilização in vitro (FIV), mas é indicado em situações específicas, como quando há risco aumentado de alterações cromossômicas, histórico familiar de doenças genéticas, abortos recorrentes ou falhas de implantação repetidas em ciclos de FIV.

Esse teste permite identificar embriões com alterações genéticas para selecionar aqueles com maior potencial de desenvolvimento saudável, ajudando a reduzir riscos relacionados à implantação embrionária, à evolução da gestação e à saúde da criança.

Confira este post e entenda o que é freeze-all e por que ele é importante quando há indicação para o PGT!

Como o PGT é feito?

O PGT é realizado somente entre as etapas da fertilização in vitro, ou seja, não é possível realizar a análise genética pré-implantacional dos embriões fora do contexto da FIV.

Após a estimulação ovariana e a coleta de óvulos, a fecundação é realizada em laboratório. Os embriões resultantes são cultivados por até 7 dias em incubadora que fornece o ambiente adequado para o início do desenvolvimento embrionário.

O teste genético é realizado quando os embriões chegam ao estágio de blastocisto, o que ocorre geralmente com 5 ou 6 dias de desenvolvimento (alguns até com 7). Nessa fase, o número de células é suficiente para a biópsia, sem comprometer a viabilidade embrionária.

O procedimento de biópsia envolve a retirada de algumas células da parte do embrião chamada trofectoderma, que dará origem à placenta. A análise dessas células é feita em um laboratório especializado. As técnicas modernas, como o sequenciamento de nova geração (NGS), permitem identificar com alta precisão as possíveis alterações genéticas nos embriões.

É importante saber que o PGT não aumenta o número de embriões disponíveis, mas melhora a seleção daqueles que apresentam maior probabilidade de resultar em uma gestação saudável.

O que é freeze-all?

O termo freeze-all refere-se à estratégia de congelar todos os embriões formados em um ciclo de FIV, em vez de realizar a transferência para o útero no mesmo ciclo reprodutivo (ou mês) em que eles foram gerados. Isso significa que, após a biópsia para o PGT, todos os embriões são vitrificados (congelados) e a transferência é programada para o ciclo seguinte.

Os embriões permanecem congelados enquanto os resultados do PGT são processados, o que costuma levar alguns dias. A transferência é realizada somente quando se sabe quais embriões são geneticamente normais.

Além dessa necessidade de tempo para os resultados do PGT, outras situações clínicas podem justificar a indicação para o freeze-all, por exemplo: risco de síndrome de hiperestimulação ovariana (SHO) ou quando o endométrio não está em condições ideais para receber embriões.

Outra circunstância em que o freeze-all pode ser realizado é a preservação da fertilidade, quando: há indicação para tratamentos oncológicos; risco de insuficiência ovariana prematura; escolha de adiar a maternidade. Entretanto, ainda que a criopreservação de embriões seja uma opção, as mulheres buscam mais o congelamento de óvulos nesses casos.

Por que o freeze-all é necessário no contexto do PGT?

O freeze-all é realizado no contexto do PGT principalmente para dar tempo ao laboratório de realizar a análise genética dos embriões enquanto eles permanecem criopreservados em segurança. A transferência deve ocorrer após o resultado da biópsia para garantir que apenas embriões sem anormalidades genéticas sejam transferidos.

O PGT requer a realização da biópsia quando o embrião atinge o estágio de blastocisto. No entanto, o resultado da análise genética não fica pronto imediatamente.

Na concepção natural, o embrião costuma se implantar no útero entre o 5º e o 7º dia de desenvolvimento, exatamente quando se torna blastocisto. A FIV procura reproduzir esse timing biológico. Portanto, não é possível simplesmente manter os embriões em cultura no laboratório enquanto se aguarda o resultado do exame, pois o momento ideal de implantação passaria.

Assim, após a biópsia, os embriões são congelados para preservar seu potencial de desenvolvimento e, posteriormente, podem ser transferidos para o útero no momento mais adequado do ciclo reprodutivo.

O freeze-all é necessário em tratamentos que incluem o PGT, mas não é realizado em todos os ciclos de FIV sem o teste genético. Cada caso é conduzido com etapas e procedimentos que correspondem a um planejamento individualizado.

Quer entender mais sobre como funciona o congelamento de óvulos, sêmen e embriões e suas indicações? Leia este texto: criopreservação!

Importante Este texto tem apenas caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. Atualizamos nosso conteúdo com frequência, mas o conhecimento médico e a ciência evoluem rapidamente, por isso alguns conteúdos podem não refletir as informações mais recentes. Dessa forma, a consulta médica é o melhor momento para se informar e tirar dúvidas. Além disso, podem existir diferenças plausíveis baseadas em evidências científicas nas opiniões e condutas de diferentes profissionais de saúde.
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