Fragmentação do DNA espermático na FIV: qual é a conduta?

Por Equipe Origen

Publicado em 27/01/2026

A fragmentação do DNA espermático é uma possível causa de infertilidade masculina, mas que pode ser superada com as condutas certas.

A qualidade dos espermatozoides é baseada em parâmetros clássicos do espermograma, como concentração, motilidade e morfologia, mas também depende de outros fatores, incluindo a integridade do DNA espermático.

Altos índices de fragmentação do DNA espermático podem prejudicar o desenvolvimento embrionário saudável e a capacidade de implantação embrionária, portanto é um problema que precisa ser investigado em determinados casos.

A fragmentação do DNA espermático não é identificada na análise seminal convencional. São necessários testes específicos para detectar essa alteração, como você verá ao longo do post. Continue a leitura e compreenda também quais condutas podem ser adotadas para aumentar as chances de gravidez nesses casos!

O que é fragmentação do DNA espermático?

A fragmentação do DNA espermático refere-se a quebras nas fitas de DNA dos espermatozoides. Mesmo que o espermograma revele normozoospermia (parâmetros seminais dentro do normal), pode haver níveis elevados de gametas com DNA fragmentado, fator que afeta a qualidade espermática.

Veja quais são as possíveis causas de aumento na fragmentação do DNA espermático:

  • estresse oxidativo decorrente da exposição a toxinas ambientais ou calor excessivo;
  • hábitos de vida, como tabagismo e uso de outras drogas;
  • infecções no trato reprodutor (prostatite, epididimite e outras);
  • varicocele, doença causada por falhas no retorno venoso testicular, resultando no aumento do estresse oxidativo e da temperatura intraescrotal;
  • idade paterna avançada, pois com o passar do tempo os mecanismos de reparo do DNA celular tornam-se menos eficientes;
  • defeitos na espermatogênese, como falhas no processo de maturação dos gametas.

Os impactos da alta taxa de fragmentação do DNA espermático na fertilidade vão desde aumento do risco de falhas de implantação dos embriões no útero até maior probabilidade de abortamentos espontâneos, tanto em gestações naturais quanto em tratamentos de reprodução assistida.

Como esse problema é diagnosticado?

A identificação dos níveis de fragmentação do DNA espermático requer testes específicos, pois essa alteração não é revelada no espermograma, que é geralmente o primeiro exame masculino a ser realizado durante o percurso de investigação da fertilidade conjugal.

Os testes de fragmentação do DNA espermático incluem:

  • Método TUNEL (Terminal deoxynucleotidyl transferase dUTP nick end labeling);
  • SCSA (Sperm Chromatin Structure Assay);
  • Ensaio COMETA;
  • Teste de dispersão da cromatina do esperma (Halo).

Os testes de fragmentação de DNA espermático não fazem parte da investigação rotineira da infertilidade conjugal, mas podem ser indicados quando há histórico de falha de implantação em ciclos de FIV, abortos recorrentes e infertilidade sem causa aparente (ISCA).

Qual é a conduta diante da fragmentação do DNA espermático?

A conduta pode incluir mudanças no estilo de vida, tratamentos das condições que causam a fragmentação do DNA espermático e técnicas de reprodução assistida. A partir da realização dos testes e da constatação de altas taxas de gametas com DNA fragmentado, o médico pode definir um plano terapêutico personalizado. Veja as opções:

Adoção de hábitos saudáveis

Alterações no estilo de vida são importantes condutas complementares, pois podem ajudar na melhora da qualidade dos gametas. Nesse sentido, é recomendável evitar condições que aumentam o estresse oxidativo, por exemplo:

  • parar de fumar;
  • evitar a exposição a calor excessivo e toxinas ambientais;
  • melhorar a dieta antioxidante;
  • entre outros hábitos que podem favorecer a saúde testicular e geral, como evitar o uso abusivo de álcool e controle do peso corporal.

Tratamento de doenças associadas

Também é necessário realizar o tratamento de condições clínicas que estejam relacionadas à fragmentação do DNA espermático, como:

  • varicocele, que, em alguns casos, pode ser tratada com correção cirúrgica;
  • infecções genitais, remediadas com antibióticos;
  • controle metabólico, em casos de obesidade e diabetes;
  • entre outros quadros.

Técnicas de reprodução assistida

No âmbito da reprodução humana assistida, trabalhamos com técnicas que ajudam a superar diversos fatores de infertilidade. Para os casos de infertilidade masculina, as opções são:

  • preparo seminal: é realizado com métodos de capacitação espermática que selecionam os melhores espermatozoides em relação à motilidade e à morfologia. Um dos recursos mais recentes é o dispositivo de microfluidos ZyMot, que facilita a seleção de gametas móveis e entrega uma amostra com baixo índice de fragmentação do DNA espermático;
  • fertilização in vitro (FIV) com injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI): permite que um único espermatozoide seja micromanipulado de cada vez e injetado dentro de um óvulo;
  • uso de espermatozoides retirados dos testículos com técnicas de recuperação espermática (TESE e Micro-TESE), pois algumas vezes o índice de fragmentação aumenta após a passagem dos gametas pelos epidídimos;
  • eventualmente o PGT (teste genético pré-implantacional): ferramenta de análise de células embrionárias antes da transferência dos embriões para o útero, sendo útil para identificar aqueles com alterações genéticas;
  • monitoramento laboratorial em incubadora com sistema avançado (time-lapse): favorece um controle rigoroso das condições do ambiente do desenvolvimento embrionário inicial, melhorando o processo de seleção dos embriões com melhor qualidade e potencial de implantação;
  • doação de sêmen: nos casos mais graves de infertilidade masculina, o casal pode ainda contar com o uso de uma amostra seminal de um doador quando a gravidez não acontece com gametas próprios.

Na reprodução assistida, e mais especificamente na FIV, a conduta é individualizada e o plano de tratamento é personalizado, seja devido à fragmentação do DNA espermático ou qualquer outro fator de infertilidade.

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Importante Este texto tem apenas caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. Atualizamos nosso conteúdo com frequência, mas o conhecimento médico e a ciência evoluem rapidamente, por isso alguns conteúdos podem não refletir as informações mais recentes. Dessa forma, a consulta médica é o melhor momento para se informar e tirar dúvidas. Além disso, podem existir diferenças plausíveis baseadas em evidências científicas nas opiniões e condutas de diferentes profissionais de saúde.

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Anúncios em redes sociais e sites têm veiculado notícias falsas relacionadas ao recebimento de doações de gametas masculinos e femininos pela Origen. A clínica jamais recebeu doações de espermatozoides ou óvulos.