A zona pelúcida é uma camada que envolve o óvulo, protege a célula e regula etapas importantes da fecundação e do desenvolvimento embrionário
O óvulo é uma das células protagonistas dos processos envolvidos na fertilidade, é o gameta feminino que, ao ser fertilizado por um espermatozoide (célula reprodutiva masculina), forma um embrião e dá início ao desenvolvimento de uma nova vida.
A estrutura do óvulo é composta por diferentes partes, cada uma com funções específicas. Um dos componentes presentes, pouco conhecido fora do meio científico, mas essencial para a fertilidade, é a zona pelúcida. Essa camada tem importante função para proteger o óvulo, tanto durante o processo de fecundação quanto nas primeiras etapas do desenvolvimento embrionário, até o momento da implantação no útero.
Leia com atenção e entenda melhor!
Como é a estrutura do óvulo?
A estrutura do óvulo inclui núcleo, citoplasma, zona pelúcida e corona radiata. Essa é a maior célula do corpo humano e sua organização é complexa, uma vez que precisa sustentar as primeiras divisões celulares do embrião até que ele esteja pronto para se libertar de sua camada protetora para se implantar no útero.
Veja como o óvulo é estruturado e qual é a importância de cada parte:
- núcleo é o local que contém o material genético da mulher, ou seja, metade da informação (23 cromossomos) que será transmitida para gerar as características do bebê;
- citoplasma é a substância gelatinosa que circunda o núcleo e concentra nutrientes que mantêm o óvulo viável até a fecundação e nos estágios iniciais de divisão embrionária;
- zona pelúcida é a membrana que envolve o óvulo e tem funções de proteção e regulação, conforme vamos detalhar a seguir;
- corona radiata é uma camada ainda mais externa que a zona pelúcida, composta por células que favorecem a nutrição do óvulo e sua interação com o espermatozoide durante a fertilização.
O que é a zona pelúcida?

A zona pelúcida é uma camada transparente e resistente que circunda o óvulo. Ela é formada por glicoproteínas e funciona como uma “capa protetora” que garante tanto a integridade física da célula quanto a regulação de processos biológicos fundamentais para a fecundação.
Embora seja fina, com a espessura de apenas alguns micrômetros, a zona pelúcida é altamente especializada e atua como uma barreira durante a chegada dos espermatozoides, permitindo que somente um deles consiga entrar para completar a fecundação.
Portanto, vários gametas masculinos podem se ligar à zona pelúcida, mas ela protege o óvulo, de modo que um único espermatozoide consegue de fato penetrá-la para chegar ao núcleo da célula feminina.
Quais são as funções da zona pelúcida?
A importância da zona pelúcida vai além da proteção mecânica. Veja abaixo as principais funções dessa membrana:
- reconhecimento dos espermatozoides: como foi dito, a zona pelúcida atua como uma barreira seletiva. Suas glicoproteínas interagem com receptores específicos presentes na membrana dos espermatozoides para permitir a penetração no óvulo;
- facilitação da penetração espermática: após a ligação inicial, a zona pelúcida desencadeia reações bioquímicas para que o espermatozoide atravesse essa camada e alcance o citoplasma do óvulo;
- bloqueio da polispermia: logo após a entrada do primeiro espermatozoide, a zona pelúcida sofre alterações estruturais que impedem a penetração de outros. Esse mecanismo é fundamental para evitar a fecundação múltipla, que inviabilizaria o desenvolvimento embrionário;
- proteção do óvulo e do embrião em seu desenvolvimento inicial: a zona pelúcida atua como uma barreira contra microrganismos e contra danos mecânicos, preservando a integridade do óvulo e, posteriormente, do embrião até o momento da implantação no útero.
Durante o transporte do óvulo fertilizado pelas tubas uterinas, a zona pelúcida mantém as novas células compactadas e protegidas até chegar ao local da implantação, no endométrio uterino. Apenas no momento adequado, quando o embrião está em estágio de blastocisto e pronto para se ligar ao tecido endometrial, essa película protetora se rompe, em um processo chamado eclosão, possibilitando que o embrião realize a nidação ou fixação na parede uterina.
A zona pelúcida no contexto da reprodução assistida
A medicina reprodutiva tem avançado para compreender e, quando necessário, intervir em cada etapa do processo da concepção. A zona pelúcida é um exemplo disso: embora seja um mecanismo natural de proteção e regulação, em alguns casos ela pode representar uma barreira para a implantação.
Por isso, em determinados tratamentos de fertilização in vitro (FIV), pode ser indicada a técnica de eclosão ou hatching assistido (sem evidência científica clara, mas, muitas vezes, pode ser realizada após discussão com o paciente). Esse procedimento consiste em realizar uma abertura controlada na zona pelúcida do embrião, de forma que ele consiga sair mais facilmente e se implantar no útero. Todas as pacientes submetidas ao PGT-A automaticamente passam por essa técnica.
Na FIV, a manipulação da camada protetora do óvulo também ocorre durante a injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI). Com essa técnica, o gameta masculino é injetado no citoplasma do óvulo, ultrapassando a barreira natural da zona pelúcida para facilitar a fecundação.
Termos como zona pelúcida podem parecer técnicos a princípio, mas compreender sua função ajuda pacientes que buscam a reprodução assistida a entender como a biologia natural e as tecnologias médicas se complementam, além de orientar a personalização dos tratamentos.
Quer entender mais sobre fertilidade e os tratamentos de reprodução assistida? Leia este texto: fertilização in vitro (FIV)!





