O sêmen e os espermatozoides são essenciais para a fertilidade masculina, saiba mais sobre suas funções e diferenças.
Sêmen e espermatozoides são comumente confundidos, ou seja, algumas pessoas entendem que eles têm o mesmo significado, mas isso não está correto. Embora estejam relacionados, suas funções são distintas.
O sêmen é o líquido que contém e protege os gametas, assim como contém outros componentes. Já os espermatozoides são as células reprodutivas masculinas. Ambos são essenciais para a reprodução natural, mas, nos tratamentos de reprodução assistida, é possível trabalhar apenas com os espermatozoides isolados do sêmen para fertilizar os óvulos em laboratório.
Com a leitura deste artigo, você vai entender quais são as funções do sêmen e dos espermatozoides, principais alterações na fertilidade masculina e como tratar. Leia com atenção!
Qual é a função do sêmen?
O sêmen é o líquido espesso e normalmente branco opalescente que o homem expele durante a ejaculação. Sua função é nutrir e proteger os espermatozoides para que eles consigam migrar pelo trato reprodutivo feminino e alcançar o óvulo.
O líquido seminal é formado por uma mistura de secreções provenientes das glândulas acessórias do trato reprodutivo masculino. Veja quais órgãos participam da produção do sêmen:
- os testículos produzem os espermatozoides;
- as vesículas seminais e a próstata secretam líquidos ricos em frutose, enzimas, proteínas, vitaminas, minerais e outros componentes que fornecem energia aos espermatozoides e contribuem para sua mobilidade;
- as glândulas bulbouretrais produzem um fluido lubrificante pré-ejaculatório que neutraliza a acidez da urina residual na uretra e prepara o canal uretral para a passagem do sêmen durante a ejaculação.
O pH levemente alcalino do sêmen neutraliza a acidez vaginal, ajuda a aumentar a sobrevivência dos espermatozoides e evita a reação acrossômica antes do momento correto. Além disso, os componentes do líquido seminal facilitam a função espermática diante das barreiras naturais encontradas no trato reprodutivo feminino.
Qual é a função dos espermatozoides?
Os espermatozoides são as células reprodutivas masculinas (gametas) e têm a função de fertilizar o óvulo e transmitir metade do material genético que formará o embrião. Na reprodução natural, é necessário que vários milhões de espermatozoides entrem no corpo feminino para que um deles consiga alcançar o óvulo e completar o processo de fertilização.
Os espermatozoides são produzidos nos túbulos seminíferos, dentro dos testículos, e depois passam por um processo de maturação nos epidídimos (ductos localizados atrás dos testículos). Para serem liberados na ejaculação, eles são transportados pelos canais deferentes e se unem aos fluidos das glândulas acessórias, passando a fazer parte do sêmen.
Cada espermatozoide é formado por três partes:
- cabeça, que contém o núcleo com o DNA paterno;
- peça intermediária, rica em mitocôndrias que fornecem energia para o movimento;
- cauda, parte que impulsiona o espermatozoide para que ele se desloque até o óvulo.
Dentro do corpo feminino, os espermatozoides devem se movimentar até as tubas uterinas, onde poderão encontrar o óvulo. Vários gametas podem se ligar à célula feminina, mas somente um deve penetrá-la. Então, quando os núcleos das duas células se unem, forma-se o embrião com material genético de ambos os pais (metade de cada).
O que são alterações seminais e espermáticas?
Alterações seminais e espermáticas são identificadas em parâmetros anormais nos resultados do espermograma e estão relacionadas à infertilidade masculina. Essas anormalidades podem estar no próprio aspecto físico do sêmen, como baixo volume ejaculado, aglutinação e viscosidade, ou nas características dos espermatozoides, como baixa motilidade.
Entre as alterações espermáticas estão:
- oligozoospermia (baixa concentração de espermatozoides);
- astenozoospermia (baixo percentual de espermatozoides que se movem);
- teratozoospermia (baixo percentual de gametas com formato normal);
- azoospermia (ausência de espermatozoides no ejaculado);
- criptozoospermia (baixa quantidade de gametas vivos).
Esses fatores podem dificultar a fecundação natural, uma vez que os gametas masculinos não chegam ao óvulo em quantidade ou qualidade suficientes.
Como essas alterações são detectadas e tratadas?

O exame inicial para avaliar a fertilidade masculina é o espermograma (pelo menos dois, quando o primeiro está fora dos padrões de normalidade), que analisa os aspectos do sêmen, bem como a concentração, motilidade e morfologia dos espermatozoides. Podem ser solicitados exames complementares para averiguar as causas das alterações, como dosagens hormonais e ultrassom testicular ou transretal, exames genéticos ou cromossômicos, entre outros.
O tratamento varia de acordo com as causas, podendo envolver: uso de medicações (em casos de infecção, distúrbios hormonais e outras condições clínicas); cirurgia (por exemplo, em alguns casos para correção de varicocele); mudanças no estilo de vida para melhora da saúde geral e da qualidade seminal.
Quando as chances de fecundação natural são reduzidas devido a problemas seminais, a reprodução assistida pode auxiliar com técnicas específicas, as quais incluem:
- preparo seminal associado à inseminação artificial, em casos de alterações leves na motilidade ou morfologia espermática;
- fertilização in vitro (FIV) com injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI) para os fatores mais graves de infertilidade masculina;
- PGT quando existem alterações cromossômicas ou genéticas.
Ainda, quando não é possível coletar espermatozoides no sêmen (nos casos de azoospermia), as técnicas de recuperação espermática (TESE, Micro-TESE, PESA e MESA) podem ser realizadas para que eles sejam retirados dos órgãos reprodutores.
Faça também a leitura do texto sobre infertilidade masculina e conheça as diversas causas envolvidas!





