Diabetes é uma alteração que pode afetar a saúde geral e a fertilidade, mas é possível controlá-la e ter uma gestação segura
A infertilidade afeta uma parcela importante da população. Cerca de 15% a 25% das pessoas em idade reprodutiva, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), enfrentam dificuldades para engravidar. Os fatores por trás desses números são diversos, incluindo diabetes, que é uma doença metabólica de grande prevalência.
Em muitos casos, a diabetes é assintomática, mas é uma doença que requer atenção e controle, pois pode ter impactos severos na saúde. O que poucas pessoas sabem é que ela também pode interferir nas funções reprodutivas.
Neste artigo, vamos explicar o que é diabetes, o que é infertilidade e, sobretudo, como as duas condições estão relacionadas. Também abordaremos as principais estratégias de manejo e os caminhos oferecidos pela reprodução assistida para aumentar as chances de gravidez. Confira tudo isso a seguir!
O que é diabetes?
Diabetes mellitus é uma doença metabólica caracterizada pela hiperglicemia crônica, ou seja, altos níveis de glicose no sangue. Isso ocorre por deficiência na produção de insulina (diabetes tipo 1) ou resistência à ação desse hormônio (diabetes tipo 2).
Diabetes tipo 1 é uma doença autoimune, geralmente diagnosticada na infância ou adolescência, na qual o pâncreas não produz insulina em quantidade suficiente. Pessoas com esse diagnóstico precisam de controle por toda a vida, o que inclui cuidados com alimentação e uso contínuo de medicação.
Diabetes tipo 2 é mais comum que a tipo 1, surge principalmente na vida adulta e tem fatores de risco associados ao estilo de vida, como excesso de peso e sedentarismo, além de fatores genéticos e do avanço da idade. Essa doença se caracteriza pela resistência do corpo à insulina.
O tratamento da diabetes tipo 2 também pode envolver o uso de medicação oral ou injetável, assim como mudanças no estilo de vida, como redução no consumo de açúcares e carboidratos refinados e prática de pelo menos 150 minutos de exercícios físicos por semana.
A hiperglicemia crônica provoca inflamação, estresse oxidativo e danos aos vasos sanguíneos. Essa combinação pode ter repercussões em diversos órgãos, inclusive nos reprodutores.
O que é infertilidade?
A infertilidade é definida pela dificuldade de engravidar após 12 meses de relações sexuais regulares sem uso de métodos contraceptivos em mulheres abaixo dos 35 anos ou seis meses acima desta idade. Ela pode ser:
- primária, quando nunca houve gestação anterior;
- secundária, se já ocorreu gravidez antes, mas existe dificuldade atual.
As causas de infertilidade podem ser femininas (disfunções ovulatórias, endometriose, alterações uterinas, entre outras), masculinas (baixa qualidade seminal, ambiental, hormonal, obstrução dos ductos, entre outras) ou combinadas, sendo encontrados fatores tanto da mulher quanto do homem. Muitas vezes, o estilo de vida e condições crônicas, como a presença de diabetes, também entram nessa equação.
Ainda, há situações em que não são encontradas alterações nos resultados da investigação do casal infértil. Nesses casos, considera-se que o casal tem infertilidade sem causa aparente (ISCA).
Qual é a relação entre diabetes e infertilidade?

O impacto do diabetes na fertilidade é multifatorial. Tanto mulheres quanto homens podem apresentar alterações que dificultam a concepção.
Em mulheres, a doença pode causar:
- alterações ovulatórias: mulheres com diabetes tipo 2 podem apresentar resistência à insulina e síndrome dos ovários policísticos (SOP), que dificultam a ovulação regular;
- ciclos menstruais irregulares: níveis elevados de glicose podem afetar a produção dos hormônios sexuais, levando a ciclos mais longos ou ausência de menstruação;
- alterações no endométrio: a hiperglicemia crônica pode comprometer a receptividade uterina, dificultando a implantação do embrião.
Em homens, é possível que a diabetes provoque:
- disfunção erétil: neuropatia diabética e comprometimento vascular podem causar dificuldades na ereção ou na ejaculação;
- alterações espermáticas, como maior índice de fragmentação no DNA dos espermatozoides e redução da motilidade;
- ejaculação retrógada, em que o sêmen é ejaculado na bexiga;
- alterações hormonais: níveis mais baixos de testosterona e aumento de estresse oxidativo são condições que prejudicam a espermatogênese.
Todos esses fatores ajudam a explicar por que casais com diabetes podem apresentar dificuldades de concepção natural. Felizmente, trata-se de uma condição tratável. Além disso, a reprodução assistida oferece alternativas para quem não consegue engravidar naturalmente.
Como tratar?
O tratamento da diabetes envolve controle metabólico, que depende de mudanças no estilo de vida e intervenção farmacológica. O primeiro passo para melhorar a fertilidade em quem tem diabetes é manter a glicemia dentro dos parâmetros recomendados. Isso envolve:
- alimentação equilibrada e acompanhamento nutricional;
- prática regular de atividade física;
- monitoramento frequente da glicose;
- uso adequado de medicamentos (insulina injetável ou fármacos orais).
Para mulheres com SOP associada à resistência insulínica, a redução de 5% a 10% do peso corporal e o uso de metformina podem auxiliar na normalização dos ciclos ovulatórios. É importante também tratar condições associadas à diabetes, como hipertensão arterial e dislipidemia, que podem piorar o prognóstico reprodutivo.
Para os homens, a avaliação andrológica, além do acompanhamento regular com médico clínico geral ou endocrinologista, é importante para o manejo da disfunção erétil.
As técnicas de reprodução assistida também são grandes aliadas. As opções incluem:
- indução da ovulação;
- coito programado;
- inseminação artificial;
- fertilização in vitro (FIV);
Mesmo com o auxílio das técnicas de reprodução assistida para superar a infertilidade, é essencial controlar o diabetes antes e durante a gestação, uma vez que a doença pode aumentar riscos obstétricos, como abortamento, macrossomia fetal (feto acima do tamanho normal), pré-eclâmpsia, necessidade de cesariana, distocia de ombro e bebê natimorto.
Agora, leia o texto sobre infertilidade feminina e conheça as diversas causas envolvidas!





