A fertilização in vitro (FIV) é uma das principais técnicas da medicina reprodutiva e, ao longo dos anos, passou a incorporar recursos cada vez mais modernos para aumentar as chances de sucesso. Um desses avanços é o sistema time-lapse, empregado na etapa do cultivo embrionário.
O termo “time-lapse” vem do inglês e significa “lapso de tempo”. Essa técnica é amplamente utilizada em áreas como fotografia e produção de vídeo para registrar, de forma acelerada, eventos que acontecem lentamente — como a germinação de uma planta ou o movimento das nuvens. Portanto, trata-se de uma sequência de fotos capturadas rapidamente e que depois são reproduzidas como um vídeo.
Na reprodução assistida, o time-lapse é adaptado para registrar em tempo real o desenvolvimento dos embriões em laboratório, permitindo que os embriologistas acompanhem cada estágio de crescimento sem precisar retirá-los da incubadora.
Confira mais informações sobre a importância do time-lapse na FIV ao longo do texto!
Em que momento da FIV o time-lapse é utilizado?

Para entender onde o se encaixa o time-lapse na FIV, vale relembrar brevemente as etapas do tratamento:
- o primeiro passo é a estimulação ovariana, feita com medicações hormonais para aumentar o número de óvulos a serem coletados;
- em seguida, quando os folículos ovarianos atingem o tamanho adequado e os óvulos são induzidos ao amadurecimento final, realiza-se a aspiração folicular e a coleta dos óvulos;
- nessa fase da FIV, o sêmen também é coletado e submetido ao preparo seminal para seleção dos espermatozoides com parâmetros adequados de motilidade e morfologia;
- a etapa central da FIV é a fertilização dos óvulos em laboratório, geralmente feita com a injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI);
- depois de fertilizados, os óvulos ficam em incubadora para o cultivo embrionário, período em que o embriologista acompanha o desenvolvimento dos embriões em seus primeiros dias;
- para finalizar o processo da FIV, realiza-se a transferência dos embriões selecionados para o útero.
A tecnologia time-lapse é aplicada na fase de cultivo embrionário. O uso dessa técnica permite que o desenvolvimento celular seja registrado e analisado com mais precisão, sem interferências no ambiente preparado com as condições ideais para o crescimento dos embriões.
Como o time-lapse otimiza o cultivo embrionário?
Na incubadora tradicional, os embriões precisam ser retirados várias vezes ao dia para observação em microscópio, ficando expostos a variações de temperatura, luz e umidade. Com o sistema time-lapse na FIV, essa manipulação não é mais necessária.
A incubadora com sistema time-lapse é equipada com câmeras que capturam muitas imagens em intervalos regulares. Assim, cada embrião é monitorado de forma ininterrupta, com registros em vídeo de sua divisão celular, sem precisar sair do ambiente controlado.
O monitoramento contínuo e automatizado dos embriões traz informações detalhadas sobre o desenvolvimento de cada um deles, favorecendo o processo para a seleção dos mais promissores, isto é, aqueles que podem ser transferidos com mais chances de se implantar no útero.
O uso do time-lapse na etapa de monitoramento do desenvolvimento embrionário permite avaliar critérios morfológicos que nem sempre são perceptíveis em observações pontuais. Com isso, os embriologistas podem:
- avaliar a qualidade embrionária com mais precisão;
- identificar embriões com maior potencial de implantação;
- detectar alterações no desenvolvimento celular que indicam menor viabilidade.
Em resumo, o time-lapse otimiza a seleção embrionária, contribuindo para decisões mais seguras no processo de transferência. Entretanto, cientificamente falando, por ser uma técnica relativamente nova, estatisticamente não apresenta aumento direto das taxas de gravidez, mas uma melhor escolha dos embriões com melhor potencial de implantação.
O time-lapse pode aumentar as taxas de sucesso da FIV?
A utilização do sistema time-lapse na FIV pode contribuir indiretamente para o aumento das taxas de sucesso, uma vez que aprimora a avaliação para a seleção dos embriões que apresentam seu desenvolvimento conforme o esperado.
Ao possibilitar uma análise mais detalhada do desenvolvimento embrionário, o time-lapse pode, em teoria, ajudar a selecionar os embriões com melhor potencial de implantação e, com isso, sempre teoricamente, pode:
- reduzir o risco de falhas na FIV;
- minimizar a necessidade de múltiplas transferências;
- diminuir as chances de gestação múltipla, favorecendo a transferência de um único embrião com potencial de implantação.
No entanto, o time-lapse não tem relação com a qualidade genética dos embriões, somente contribui para um aumento na precisão da avaliação do desenvolvimento embrionário. Para a seleção baseada em qualidade genética, quando indicada, é possível contar com o teste genético pré-implantacional (PGT), outro importante recurso da medicina reprodutiva, cujo objetivo é identificar os embriões livres de mutações gênicas e alterações cromossômicas.
O cultivo embrionário em incubadora com sistema time-lapse na FIV pode ser especialmente relevante em casos de falhas anteriores em tratamentos de fertilidade, idade materna avançada ou quando há poucos embriões disponíveis.
A qualidade do embrião é um dos fatores mais importantes para o sucesso da FIV, e isso depende também de óvulos e espermatozoides de boa qualidade. No entanto, há ainda outros fatores determinantes para a implantação embrionária e a confirmação da gravidez, como as condições do útero para receber o embrião.
Sendo assim, o time-lapse na FIV pode sim ser um recurso favorável no processo de seleção de embriões viáveis para a transferência, mas não interfere em alguns outros aspectos essenciais para o sucesso reprodutivo, como a qualidade embrionária, avaliação cromossômica e a receptividade uterina.
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